terça-feira, 27 de setembro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Estado anuncia R$ 1 bi em saneamento
Na área do Centro e Zona Norte do Rio, diz o anuncio, será investido cerca de R$ 200 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam). A obra será para a construção de troncos coletores e condutores de esgoto, que deixará de ser despejado na baía, para ser tratado na Estação de Tratamento de Esgoto de Alegria, no Caju e segundo o secretário de Ambiente, Carlos Minc, as obras representam o início do processo de despoluição da Baía de Guanabara.
Minc deve estar comendo pouco peixe - até porque se quisesse da Baia de Guanabara teria muito pouco à disposição. O inicio de resgate da baia já tem 16 anos, desde que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Japonês de Cooperação Internacional despejaram US$ 800 milhões em uma parceria com o Governo do Estado do Rio de Janeiro. O projeto não foi concluído e além dessa verba ainda se questiona o Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam) criado em 1986.
Os recursos do Fecam – cerca de R$ 300 milhões/ano - oriundos, dentre outros, de 5% dos royalties do petróleo, atribuídos ao Estado, bem como de multas administrativas aplicadas e condenações judiciais por irregularidade ambiental constatada pelos órgãos fiscalizadores , teriam servido para entre outras coisas alheias as suas prioridades, para compra de viaturas para a policia.
- Esses recursos para a Baía de Guanabara são fundamentais para cumprir a meta do Pacto pelo Saneamento estabelecida pelo governador Sérgio Cabral, de dobrar o tratamento de esgoto do entorno da Baía de Guanabara de 30% para 60%. Isso será acompanhado de várias maneiras, como o tratamento de lixo e o plantio de manguezais – disse o secretário que em maio último colocou na conta da Petrobras - PETROBRAS DEVERÁ GASTAR R$ 1 BILHÃO EM CONDICIONANTES SOCIOAMBIENTAIS DO COMPERJ – o saneamento de Itaboraí e Maricá.
Em São Gonçalo, será construída uma rede coletora e uma estação de tratamento, para impedir o despejo de esgoto nos rios da região. Na Baixada, as obras são para a ampliação da rede coletora de esgoto nos municípios de Duque de Caxias, Belford Roxo, São João de Meriti, Mesquita, Nilópolis e Nova Iguaçu.
Os cerca de R$ 200 milhões que serão investidos na Região Serrana são para obras de dragagem de dez rios em Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis. Para o secretário de Ambiente, Carlos Minc, os investimentos são para proteger os moradores da Serra.
- Os recursos são para recuperar os rios da Região Serrana. Mas também vamos investir em parques fluviais, que vão permitir o uso seguro e de baixo impacto dos rios. Combinados com sirenes e exercícios, os investimentos vão ajudar a proteger a população da região – disse o secretário que licenciou o Comperj onde diz o item 6.20 – Projeções populacionais e análises de um cenário ano a ano constante nas complementações do EIA, para mitigação dos impactos decorrentes do crescimento populacional da Área Diretamente Afetada.
Escrito por Wilian Oliveira
domingo, 25 de setembro de 2011
SAUDE DE PORTO DAS CAIXAS ESTA AGONIZANDO!!!
O posto de saúde que é uma vergonha
14 / 09 / 2011
Unidade de Porto das Caixas,além de não ter médicos suficientes, corre risco de desabamento
A precariedade da saúde continua a atingir a cidade de Itaboraí. Moradores de Porto das Caixas reclamam dos problemas enfrentados, já que o bairro só possui uma pequena residência que funciona com o Programa de Saúde da Família (PSF). De acordo com a população, a única unidade de saúde do local ameaça desabar.
Sem posto de saúde adequado, os moradores são obrigados a se deslocar até o Centro da cidade, onde enfrentar outro problema: o transporte ruim.
Além da ameaça de desabamento, rachaduras, mato alto e vidros quebrados fazem parte do cenário de abandono da saúde local.
O líder comunitário Ramon Vieira, 28 anos, afirmou que os problemas são ainda maiores e tenta buscar soluções.
"As reclamações em relação à saúde em Porto das Caixas são extremamente absurdas. Estão faltando medicamentos, crianças estão apresentando problemas respiratórios e o PSF não é suficiente para atender todos os moradores. Já fizemos uma reunião e estamos arrecadando assinaturas para melhorar a saúde. Precisamos com urgência de médicos ginecologista e pediatra, pois muitas pessoas estão tendo que se deslocar ao Centro para conseguir atendimento necessário. Porto das Caixas está sem a infraestrutura necessária quando o assunto é saúde", contou.
A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil informou que o prédio que abrigava a unidade de saúde da família de Porto das Caixas foi desativado devido a rachaduras nas paredes e infiltrações.
"A Secretaria Municipal de Obras está realizando um estudo técnico para saber se é possível recuperar a parte estrutural do posto, mas não há previsão para conclusão deste projeto", informou o órgão.
O líder comunitário com receio sobre as obras, já pediu análise, da unidade de saúde, ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea).
"Entramos em contato com o Crea na semana passada para pedir um laudo técnico sobre a situação do posto, pois não são só rachaduras, tem a estrutura também. O poder público municipal costuma maquiar e depois os problemas voltam. Não queremos que mais uma vez o dinheiro público seja jogado fora", ressaltou.
Quanto ao atendimento à população, a Secretaria Municipal de Saúde esclareceu que "está sendo realizado normalmente, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h".
O órgão informou ainda que "a unidade conta com médico, enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem, agentes comunitário de saúde e pessoal de apoio para atender pacientes cadastrados".
A precariedade da saúde continua a atingir a cidade de Itaboraí. Moradores de Porto das Caixas reclamam dos problemas enfrentados, já que o bairro só possui uma pequena residência que funciona com o Programa de Saúde da Família (PSF). De acordo com a população, a única unidade de saúde do local ameaça desabar.
Sem posto de saúde adequado, os moradores são obrigados a se deslocar até o Centro da cidade, onde enfrentar outro problema: o transporte ruim.
Além da ameaça de desabamento, rachaduras, mato alto e vidros quebrados fazem parte do cenário de abandono da saúde local.
O líder comunitário Ramon Vieira, 28 anos, afirmou que os problemas são ainda maiores e tenta buscar soluções.
"As reclamações em relação à saúde em Porto das Caixas são extremamente absurdas. Estão faltando medicamentos, crianças estão apresentando problemas respiratórios e o PSF não é suficiente para atender todos os moradores. Já fizemos uma reunião e estamos arrecadando assinaturas para melhorar a saúde. Precisamos com urgência de médicos ginecologista e pediatra, pois muitas pessoas estão tendo que se deslocar ao Centro para conseguir atendimento necessário. Porto das Caixas está sem a infraestrutura necessária quando o assunto é saúde", contou.
A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil informou que o prédio que abrigava a unidade de saúde da família de Porto das Caixas foi desativado devido a rachaduras nas paredes e infiltrações.
"A Secretaria Municipal de Obras está realizando um estudo técnico para saber se é possível recuperar a parte estrutural do posto, mas não há previsão para conclusão deste projeto", informou o órgão.
O líder comunitário com receio sobre as obras, já pediu análise, da unidade de saúde, ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea).
"Entramos em contato com o Crea na semana passada para pedir um laudo técnico sobre a situação do posto, pois não são só rachaduras, tem a estrutura também. O poder público municipal costuma maquiar e depois os problemas voltam. Não queremos que mais uma vez o dinheiro público seja jogado fora", ressaltou.
Quanto ao atendimento à população, a Secretaria Municipal de Saúde esclareceu que "está sendo realizado normalmente, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h".
O órgão informou ainda que "a unidade conta com médico, enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem, agentes comunitário de saúde e pessoal de apoio para atender pacientes cadastrados".
Fonte: Jornal Povo
sábado, 24 de setembro de 2011
Porto das Caixas e o 1º Tunel Ferroviario do Brasil...
Histórico
Porto das Caixas foi uma das províncias mais importante do Rio de Janeiro na época do Império, devido à privilegiada localização, perto do rio Aldeia (uma das vertentes do Rio Macacu), foram criados um porto fluvial e armazéns destinados a recolher os produtos das regiões vizinhas. Isso fez com que crescesse depressa o número de habitantes e o comércio, tornando o local um centro comercial, político, cultural e religioso da região. O nome “Porto das Caixas” originou a partir do envio dessas mercadorias em “caixas”, embarcadas no porto. Porém, no século XIX, os antigos caminhos terrestres de acesso a localidade e adjacências começaram a ser criticados pelas suas más condições, com pontes destruídas, estradas alagadas e etc, causando prejuízos às tropas de mulas que faziam esse transporte. Da mesma forma que os rios, com diversos trechos obstruídos a navegação, causavam danos aos artigos e atraso nas entregas. Assim, iniciou-se um plano de se construir uma ferrovia que ligaria Porto das Caixas ao interior do Estado, principalmente a região de Nova Friburgo e Cantagalo. Os trabalhos entã iniciaram em 8 de novembro de 1859 e o primeiro trecho, entre Porto das Caixas e Cachoeiras de Macacu, foi inaugurado em 23 de abril de 1860, período onde foi construído o primeiro Túnel Ferroviário do Brasil.
Porto das Caixas foi uma das províncias mais importante do Rio de Janeiro na época do Império, devido à privilegiada localização, perto do rio Aldeia (uma das vertentes do Rio Macacu), foram criados um porto fluvial e armazéns destinados a recolher os produtos das regiões vizinhas. Isso fez com que crescesse depressa o número de habitantes e o comércio, tornando o local um centro comercial, político, cultural e religioso da região. O nome “Porto das Caixas” originou a partir do envio dessas mercadorias em “caixas”, embarcadas no porto. Porém, no século XIX, os antigos caminhos terrestres de acesso a localidade e adjacências começaram a ser criticados pelas suas más condições, com pontes destruídas, estradas alagadas e etc, causando prejuízos às tropas de mulas que faziam esse transporte. Da mesma forma que os rios, com diversos trechos obstruídos a navegação, causavam danos aos artigos e atraso nas entregas. Assim, iniciou-se um plano de se construir uma ferrovia que ligaria Porto das Caixas ao interior do Estado, principalmente a região de Nova Friburgo e Cantagalo. Os trabalhos entã iniciaram em 8 de novembro de 1859 e o primeiro trecho, entre Porto das Caixas e Cachoeiras de Macacu, foi inaugurado em 23 de abril de 1860, período onde foi construído o primeiro Túnel Ferroviário do Brasil.
Portanto, Porto das Caixas funcionava como Guia de Pacobaíba: os passageiros e mercadorias vinham do Rio de Janeiro em chatas, entravam pelo rio e faziam baldeação para a ferrovia. Porto das Caixas continuou como estação inicial até 1866, quando a linha foi extendida até Itambí, antiga Vila Nova. Foi quando ela sofreu o seu primeiro baque, pois nesse local foi construído um porto com melhores condições. Em 1874, mais um baque com o prolongamento da linha até Niterói e em 1927 outro, com a inauguração da estação Visconde de Itaboraí e do contorno da Baía de Guanabara. A partir de então, Porto das Caixas passou a ser um mero entroncamento, função que permaneceu até o fim dos trilhos para Cachoeiras em 1973 (o trecho da serra até Portela foi erradicado em 1964). A estação sem qualquer função e já no osso foi demolida em 1980.
Hoje toda essa historia esta largada ao esquecimento e ao abandono, o Primeiro Tunel Feroviario do Brasil esta exatamente desta forma.
Um povo que não tem cultura esta fadado ao esquecimento. Este enorme patrimônio arquitetônico e cultural que poderia ser revitalizado para visitação turística, além de propagar o conhecimento geraria emprego e renda para comunidade. E cadê o poder publico? Mais uma vez apático às necessidades, potenciais e realidade do município. Está na hora de pensar este municipio com seriedade, reconhecer seu povo e seus potênciais e não os interesses mesquinhos de alguns.
Autor Ramon Viera
Venda de terras para estrangeiros aumenta vulnerabilidade da pobreza
23 de setembro de 2011
Por Luana Lourenço
Da Agência Brasil
A venda de terras a investidores internacionais está deixando populações pobres ainda mais vulneráveis. A avaliação é da organização não governamental (ONG) britânica Oxfam, que lançou nesta quinta-feira (22) o relatório Terra e Poder, que denuncia a falta de transparência na exploração e grilagem internacional de terras em países emergentes.
Em dez anos, pelo menos 227 milhões de hectares foram vendidos ou alugados em países em desenvolvimento para grupos internacionais, segundo o levantamento.
Em parte, o movimento de investidores internacionais rumo a novas terras em países emergentes é explicado pela crise mundial de alimentos em 2007-2008, que levou compradores a buscar novas áreas para aumentar a produção ou simplesmente para especular no mercado mundial.
O relatório Terra e Poder avalia episódios de grilagem de terra feitos principalmente por investidores internacionais que deixaram populações de países pobres em situação de miséria e vulnerabilidade. O informe cita casos de efeitos negativos da venda de terras sobre as populações locais em Uganda, na Indonésia, em Honduras e na Guatemala.
Em Uganda, segundo a Oxfam, pelo menos 22,5 mil pessoas perderam suas terras para dar lugar a uma empresa britânica que explora madeira, a New Forest Company. O grupo é acusado de despejar agricultores sem direito à compensação ou indenização. As famílias foram deixadas sem casa, dinheiro e serviços de saúde. Algumas ficaram sem condições de enviar os filhos à escola. A empresa nega as acusações.
Na avaliação da Oxfam, se não forem tomadas medidas para evitar o avanço da grilagem internacional de terras, a situação deve se agravar. Entre os motivos para a piora do cenário, a Oxfam lista o aumento da demanda por alimentos, dos impactos das mudanças climáticas, da escassez de água e a competição por terras para produção de insumos para biocombustíveis.
No documento, a organização sugere medidas como o fortalecimento de políticas e regulamentações de posse de terras e a garantia do direito à consulta das populações que serão afetadas com os negócios
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
JUVENTUDE UNIDA!!!
A juventude se mobiliza por uma educação inclusiva no Chile
Por Paulina Santibáñez,
Chile. Em maio de 2011, estudantes secundaristas e universitários chilenos, acompanhados por professores, reitores de universidades e trabalhadores em greve, sairiam às ruas para a primeira de uma série de manifestações que se estendem até hoje. Convocados a princípio pela Confech, a Confederação de Estudantes do Chile – organismo que agrupa as distintas federações de estudantes de universidades estatais, os jovens saíram às ruas para expressar sua inconformidade com o atual sistema educacional chileno e para exigir profundas reformas no mesmo.
Os estudantes de universidades públicas e privadas uniram forças pela primeira vez para dar voz às suas demandas, tomaram as vias públicas e as próprias instituições de ensino em todo país, numa das manifestações mais importantes realizadas no Chile desde a redemocratização. Segundo os organizadores, somente a marcha realizada no dia 30 de junho reuniu cerca de 400 mil manifestantes em nível nacional.
Os estudantes de universidades públicas e privadas uniram forças pela primeira vez para dar voz às suas demandas, tomaram as vias públicas e as próprias instituições de ensino em todo país, numa das manifestações mais importantes realizadas no Chile desde a redemocratização. Segundo os organizadores, somente a marcha realizada no dia 30 de junho reuniu cerca de 400 mil manifestantes em nível nacional.
Sem dívidas nem desigualdade
Uma das principais exigências dos jovens é que se extinga o endividamento que prejudica alunos das escolas públicas e privadas de nível superior. No país, o governo concede empréstimos para a educação a uma taxa de juros de 2% a 6% ao ano, que começam a ser pagos dois anos após o ingresso na universidade. Os representantes dos movimentos, entretanto, afirmam que nenhum estudante deveria se endividar por receber educação, pois ela é “um valor fundamental e não uma mercadoria”. Os estudantes afirmam ainda que a educação é um direito e não um bem de consumo, como declarou uma vez o presidente chileno Sebastián Piñera.
Ainda assim, os jovens reivindicam que o Estado injete mais recursos para revitalizar e fortalecer a educação pública. Exigem que seja assegurada a gratuidade como um mínimo necessário e que se amplie o sistema de bolsas para os setores com menos recursos, como mecanismo para assegurar a igualdade de oportunidades em todos os segmentos da sociedade. Também exigem a revisão do atual sistema de seleção para as universidades, considerados pelos manifestantes como “discriminador e classista”. Em seu lugar, os estudantes propõem uma forma de teste que selecione os alunos de acordo com seu talento.
“O verdadeiro diálogo que o Chile precisa é aquele que se preocupe em assegurar as condições materiais para que nenhum jovem com talento e capacidades seja excluído do sistema público, aquele que garanta uma educação integral, comprometida com os valores éticos e democráticos de participação e liberdade solidária, respeito aos direitos humanos, valorização e preservação do patrimônio cultural e natural, respeito a diversidade cultural”, escreveu em seu blog pessoal a presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECh, na sigla em espanhol). Em geral, os estudantes demandam emendas de profundidade à Constituição do país, que favoreçam o ensino público gratuito, contra a exploração lucrativa do ensino, e assegurem a liberdade de expressão e organização de estudantes, professores e trabalhadores em todas as instituições de ensino.
Ainda assim, os jovens reivindicam que o Estado injete mais recursos para revitalizar e fortalecer a educação pública. Exigem que seja assegurada a gratuidade como um mínimo necessário e que se amplie o sistema de bolsas para os setores com menos recursos, como mecanismo para assegurar a igualdade de oportunidades em todos os segmentos da sociedade. Também exigem a revisão do atual sistema de seleção para as universidades, considerados pelos manifestantes como “discriminador e classista”. Em seu lugar, os estudantes propõem uma forma de teste que selecione os alunos de acordo com seu talento.
“O verdadeiro diálogo que o Chile precisa é aquele que se preocupe em assegurar as condições materiais para que nenhum jovem com talento e capacidades seja excluído do sistema público, aquele que garanta uma educação integral, comprometida com os valores éticos e democráticos de participação e liberdade solidária, respeito aos direitos humanos, valorização e preservação do patrimônio cultural e natural, respeito a diversidade cultural”, escreveu em seu blog pessoal a presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECh, na sigla em espanhol). Em geral, os estudantes demandam emendas de profundidade à Constituição do país, que favoreçam o ensino público gratuito, contra a exploração lucrativa do ensino, e assegurem a liberdade de expressão e organização de estudantes, professores e trabalhadores em todas as instituições de ensino.
Uma demanda histórica
As reivindicações atuais dos jovens são fruto de uma mobilização estudantil de 2006, conhecida como “A Revolta dos Pingüins”. Nesta, mais de 100 mil estudantes chilenos saíram às ruas numa sexta-feira, 26 de maio, e na terça-feira, 30 do mesmo mês, cerca de 600 mil alunos se uniram numa greve nacional. Entre queixas levantadas pelos estudantes estava a revogação da Lei Orgânica Constitucional de Ensino (LOCE, de 1990), responsável pela definição e regulação dos requisitos mínimos de qualidade da educação básica e do ensino médio. Exigiam também o fim da municipalização do ensino, considerada o passo inicial para a privatização do sistema educacional, e a gratuidade da Prova de Seleção Universitária (espécie de vestibular do País) e a tarifa zero no transporte no caso dos passes escolares.
O movimento estudantil é parte de um movimento social mais amplo que pleiteia reformas substanciais no modelo econômico e político estabelecido durante a ditadura militar que governou o Chile por 17 anos. Este modelo, supervisionado pelo guru do neoliberalismo Milton Friedman, entregou a maioria das empresas estatais aos grupos privados, gerando assim uma forte desigualdade econômica entre os habitantes do país. "A principal demanda dos movimentos sociais que têm protestado é que todos os chilenos desfrutem da riqueza e dos avanços do país, mas são apenas um pequeno setor da sociedade", disse o sociólogo Miguel Urrutia, professor Universidade do Chile, em entrevista ao portal da rede BBC.
O movimento estudantil é parte de um movimento social mais amplo que pleiteia reformas substanciais no modelo econômico e político estabelecido durante a ditadura militar que governou o Chile por 17 anos. Este modelo, supervisionado pelo guru do neoliberalismo Milton Friedman, entregou a maioria das empresas estatais aos grupos privados, gerando assim uma forte desigualdade econômica entre os habitantes do país. "A principal demanda dos movimentos sociais que têm protestado é que todos os chilenos desfrutem da riqueza e dos avanços do país, mas são apenas um pequeno setor da sociedade", disse o sociólogo Miguel Urrutia, professor Universidade do Chile, em entrevista ao portal da rede BBC.
Sem baixar a guarda
Até hoje os protestos continuam. Eles são acompanhados por greves de fome e outras manifestações criativas como danças, performances, concertos, leituras em voz alta e representações teatrais em frente ao Palácio do Governo. Nas praças centrais, cartazes gigantes pendurados em edifícios e árvores exibem frases como "A luta é de toda a sociedade: Todos(as) uma educação gratuita". Depois de proibir as marchas e e receber como resposta a desobediência dos protestantes, o governo de Piñera realizou por meio do Ministério da Educação algumas propostas para os estudantes, que buscam mitigar o movimento, sem cumprir as demandas reais. Os estudantes já expressaram publicamente que rechaçam estas propostas e convocaram novas manifestações.
"O senhor Ministro da Educação acredita que simplesmente nos chamando para sentar e conversar (...) iria nos convencer que estávamos “de acordo" e que poderíamos chegar a um consenso. Sabemos que seus anúncios revolucionários são apenas palavras vazias", escreveu em seu blog Camila Vallejo. "O verdadeiro diálogo que a educação superior necessita se ergue sobre o paradigma do reconhecimento da educação como um direito universal e como um investimento fundamentalmente social, eixo estratégico para o desenvolvimento justo e harmonioso do país e para seu fortalecimento democrático".
"O senhor Ministro da Educação acredita que simplesmente nos chamando para sentar e conversar (...) iria nos convencer que estávamos “de acordo" e que poderíamos chegar a um consenso. Sabemos que seus anúncios revolucionários são apenas palavras vazias", escreveu em seu blog Camila Vallejo. "O verdadeiro diálogo que a educação superior necessita se ergue sobre o paradigma do reconhecimento da educação como um direito universal e como um investimento fundamentalmente social, eixo estratégico para o desenvolvimento justo e harmonioso do país e para seu fortalecimento democrático".
Fonte: Revista Caros Amigos
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
A alimentação dos brasileiros está cada vez mais envenenada
Pesquisadores e movimentos sociais alertam sobre a duplicação em um ano dos índices de uso de agrotóxicos no Brasil
Pedro Carrano, de Curitiba
para o Brasil de Fato
O brasileiro ingeriu, em média, 3,7 quilos de agrotóxicos em 2009. Trata-se de uma massa de cerca de 713 milhões de toneladas de produtos comercializadas no país por cerca de seis corporações transnacionais. Estas empresas controlam toda a cadeia produtiva, da semente ao agroquímico ligado a ela. Uma condição que pressiona o agricultor familiar, refém da compra do “pacote tecnológico” gerador da dependência na produção. O capital dessas companhias do ramo é maior que o produto interno bruto da maioria dos países da Organização das Nações Unidas. Só no Brasil lucraram 6,8 bilhões de dólares em 2009.
Para tanto, o país ergueu a taça de campeão mundial em uso de agrotóxicos e bateu outro recorde: duplicou o consumo em relação a 2008. Relatórios recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que vem sendo criticado pelo lobby do agronegócio, apontam que 15% dos alimentos pesquisados pelo órgão apresentaram taxa de resíduos de veneno em um nível prejudicial à saúde. Cana-de-açúcar, soja, arroz, milho, tabaco, tomate, batata, hortaliças (veja tabela) são produtos do dia-a-dia que passaram a ter alto índice de toxidade.
Agroquímico, semente, terra e mercado fazem parte da mesma cadeia produtiva sob controle dos monopólios. Larissa Parker, advogada da Terra de Direitos, aponta uma relação direta entre a concentração do mercado de sementes e de agrotóxicos. A transnacional Monsanto controla de 85 a 87% do mercado de sementes. No caso do transgênico Milho BT (da empresa estadunidense), de acordo com a advogada, o próprio cereal é desenvolvido com uma toxina contra determinado tipo de praga. Ainda assim, agricultores no Rio Grande do Sul precisaram realizar mais de duas aplicações de agrotóxicos na lavoura. Os insetos mostraram-se resistentes à substância tóxica. Na Argentina, as corporações cobram patentes apenas dos agrotóxicos e não das sementes, já que o seu uso está atrelado a elas.
Apesar de surgir como a “salvação da lavoura”, prometendo aumento de produtividade, a introdução do químico ligado à semente transgênica incentivou o aumento do uso de tóxicos. O cultivo da soja teve uma variação negativa em sua área plantada (- 2,55%) e, contraditoriamente, uma variação positiva de 31,27% no consumo de agrotóxicos, entre os anos de 2004 a 2008, como explicam os professores Fernando Ferreira Carneiro e Vicente Soares e Almeida, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB).
Além disso, produtos que foram barrados no exterior são usados em diferentes cultivos brasileiros. Entre dezenas de substâncias perigosas, o endosulfan, por exemplo, é um inseticida cancerígeno, proibido há 20 anos na União Europeia, Índia, Burkina Faso, Cabo Verde, Nigéria, Senegal e Paraguai. Mas não é proibido no Brasil, onde é muito usado na soja e no milho.
Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Pedro Carrano, de Curitiba
para o Brasil de Fato
O brasileiro ingeriu, em média, 3,7 quilos de agrotóxicos em 2009. Trata-se de uma massa de cerca de 713 milhões de toneladas de produtos comercializadas no país por cerca de seis corporações transnacionais. Estas empresas controlam toda a cadeia produtiva, da semente ao agroquímico ligado a ela. Uma condição que pressiona o agricultor familiar, refém da compra do “pacote tecnológico” gerador da dependência na produção. O capital dessas companhias do ramo é maior que o produto interno bruto da maioria dos países da Organização das Nações Unidas. Só no Brasil lucraram 6,8 bilhões de dólares em 2009.
Para tanto, o país ergueu a taça de campeão mundial em uso de agrotóxicos e bateu outro recorde: duplicou o consumo em relação a 2008. Relatórios recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que vem sendo criticado pelo lobby do agronegócio, apontam que 15% dos alimentos pesquisados pelo órgão apresentaram taxa de resíduos de veneno em um nível prejudicial à saúde. Cana-de-açúcar, soja, arroz, milho, tabaco, tomate, batata, hortaliças (veja tabela) são produtos do dia-a-dia que passaram a ter alto índice de toxidade.
Agroquímico, semente, terra e mercado fazem parte da mesma cadeia produtiva sob controle dos monopólios. Larissa Parker, advogada da Terra de Direitos, aponta uma relação direta entre a concentração do mercado de sementes e de agrotóxicos. A transnacional Monsanto controla de 85 a 87% do mercado de sementes. No caso do transgênico Milho BT (da empresa estadunidense), de acordo com a advogada, o próprio cereal é desenvolvido com uma toxina contra determinado tipo de praga. Ainda assim, agricultores no Rio Grande do Sul precisaram realizar mais de duas aplicações de agrotóxicos na lavoura. Os insetos mostraram-se resistentes à substância tóxica. Na Argentina, as corporações cobram patentes apenas dos agrotóxicos e não das sementes, já que o seu uso está atrelado a elas.
Apesar de surgir como a “salvação da lavoura”, prometendo aumento de produtividade, a introdução do químico ligado à semente transgênica incentivou o aumento do uso de tóxicos. O cultivo da soja teve uma variação negativa em sua área plantada (- 2,55%) e, contraditoriamente, uma variação positiva de 31,27% no consumo de agrotóxicos, entre os anos de 2004 a 2008, como explicam os professores Fernando Ferreira Carneiro e Vicente Soares e Almeida, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB).
Além disso, produtos que foram barrados no exterior são usados em diferentes cultivos brasileiros. Entre dezenas de substâncias perigosas, o endosulfan, por exemplo, é um inseticida cancerígeno, proibido há 20 anos na União Europeia, Índia, Burkina Faso, Cabo Verde, Nigéria, Senegal e Paraguai. Mas não é proibido no Brasil, onde é muito usado na soja e no milho.
Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Agrotóxicos para desmatar 4 mil hectares do Amazonas
Por Kátia Brasil
Da Folha de S. Paulo
A empresária Márcia Corrente Teixeira, de Rondônia, foi multada em R$ 2 milhões pelo Ibama por armazenar uma carga de quatro toneladas de agrotóxicos em área de floresta nativa no Estado do Amazonas.
A carga havia sido apreendida em junho desde ano. De acordo com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), os agrotóxicos seriam utilizados para desmatar uma área de até 4.000 hectares de floresta.
O uso de herbicidas na mata contamina os lençóis freáticos devido à infiltração no solo e oferece risco à fauna, à flora e à saúde humana.
Em outra ação, no mês de julho, o Ibama encontrou uma área de floresta amazônica, do tamanho de 180 campos de futebol, destruída pela ação de herbicidas. O responsável por esse crime ambiental ainda não foi identificado pelo órgão.
Márcia é mulher do comerciante Gilmar Teixeira, que, segundo o Ibama, já foi autuado cinco vezes por crimes como desmatamento ilegal e destruição de floresta.
As multas dele somam R$ 24,3 milhões e estão em fase de contestação. A empresária, que foi autuada ontem, terá 20 dias para contestar a multa.
A reportagem não conseguiu localizar o casal nem seus advogados.
NOTAS FISCAIS
A carga de quatro toneladas de herbicidas foi encontrada em uma região de floresta desabitada às margens do rio Acari (afluente do Madeira), dentro da RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) do Juma, em Novo Aripuanã (AM).
A RDS fica no limite de uma fazenda de 4.100 hectares de propriedade de Gilmar Teixeira, segundo o Ibama. Por meio de notas fiscais emitidas por distribuidores de Porto Velho (RO) em nome de Márcia, o órgão constatou que ela adquiriu lotes dos produtos químicos Aminol 806, U46Br, Dominum, Assist e 2.4-D Amina 72.
A analista ambiental Sílvia Alves Carlos, chefe substituta da Divisão de Controle e Fiscalização do Amazonas, disse que os agrotóxicos, se dispersados sobre a floresta, poderiam destruir 4.000 hectares. "Foi evitado um grave crime ambiental", disse.
Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra / 01-09-2011
Da Folha de S. Paulo
A empresária Márcia Corrente Teixeira, de Rondônia, foi multada em R$ 2 milhões pelo Ibama por armazenar uma carga de quatro toneladas de agrotóxicos em área de floresta nativa no Estado do Amazonas.
A carga havia sido apreendida em junho desde ano. De acordo com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), os agrotóxicos seriam utilizados para desmatar uma área de até 4.000 hectares de floresta.
O uso de herbicidas na mata contamina os lençóis freáticos devido à infiltração no solo e oferece risco à fauna, à flora e à saúde humana.
Em outra ação, no mês de julho, o Ibama encontrou uma área de floresta amazônica, do tamanho de 180 campos de futebol, destruída pela ação de herbicidas. O responsável por esse crime ambiental ainda não foi identificado pelo órgão.
Márcia é mulher do comerciante Gilmar Teixeira, que, segundo o Ibama, já foi autuado cinco vezes por crimes como desmatamento ilegal e destruição de floresta.
As multas dele somam R$ 24,3 milhões e estão em fase de contestação. A empresária, que foi autuada ontem, terá 20 dias para contestar a multa.
A reportagem não conseguiu localizar o casal nem seus advogados.
NOTAS FISCAIS
A carga de quatro toneladas de herbicidas foi encontrada em uma região de floresta desabitada às margens do rio Acari (afluente do Madeira), dentro da RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) do Juma, em Novo Aripuanã (AM).
A RDS fica no limite de uma fazenda de 4.100 hectares de propriedade de Gilmar Teixeira, segundo o Ibama. Por meio de notas fiscais emitidas por distribuidores de Porto Velho (RO) em nome de Márcia, o órgão constatou que ela adquiriu lotes dos produtos químicos Aminol 806, U46Br, Dominum, Assist e 2.4-D Amina 72.
A analista ambiental Sílvia Alves Carlos, chefe substituta da Divisão de Controle e Fiscalização do Amazonas, disse que os agrotóxicos, se dispersados sobre a floresta, poderiam destruir 4.000 hectares. "Foi evitado um grave crime ambiental", disse.
Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra / 01-09-2011
Amazônia na mira de estrangeiros
Por Ana Valéria Araújo
Do Estado de S.Paulo
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou aumento de 35% no desmatamento na Amazônia, após a queda que vinha sendo registrada desde 2008. Apenas no primeiro semestre de 2011 cortaram-se mais árvores do que em 2010 inteiro, quando se verificou a menor taxa desde o início da série histórica de medição do Inpe.
A diminuição da área desmatada foi fruto de medidas do governo em resposta ao recorde de 26 mil km² desmatados em 2004 e ao assassinato de Dorothy Stang, em 2005. Uma medida importante foi a vinculação de financiamentos para a agricultura à adoção de práticas de produção que respeitem a natureza.
A criação de unidades de conservação e a demarcação de terras indígenas no governo Lula, somando 75 milhões de hectares, possibilitou a construção de um muro de proteção que freou o ímpeto das frentes de exploração predatória no coração da floresta. O que foi protegido equivale à extensão do que havia sido destruído nos últimos 30 anos. Além disso, o governo estabeleceu unidades de conservação em plena rota de expansão da pecuária e da agricultura na Amazônia.
Ocorre que, desde 2008, se renovaram as pressões sobre o espaço amazônico decorrentes do crescimento da demanda mundial por alimentos, que causou a alta nos preços da comida em 2010. Isso acionou a corrida pela ocupação e controle dos estoques de terras virgens e agricultáveis, que serão usados para o abastecimento da população mundial, estimada em 9 bilhões em 2050.
Como a Amazônia é um desses estoques, o preço da terra na região explodiu. Nos últimos três anos, a valorização da terra no Mato Grosso alcançou o índice de 636%, chegando a 687% no Amapá. Nos últimos 12 meses, a procura por pastagens de gado em Monte Alegre, Alenquer e Oriximiná, no Pará, fez o hectare valorizar 84% nessas cidades. Esse aumento é impulsionado por fundos de investimento internacionais, que direcionaram recursos na compra de terras no País.
A situação propicia novos incentivos para a indústria da invasão de terras públicas na Amazônia, que tem o desmatamento como o estágio inicial do seu plano de negócios. O corte da floresta tornou-se a senha para requerer ao governo a regularização de uma área ocupada, sob a alegação de que se está explorando a terra para fim econômico. A Medida Provisória 174 legalizou em 2008 67 milhões de hectares ocupados irregularmente.
Essa valorização da terra explica o recrudescimento da violência na região, pois acirra as disputas pelo estoque fundiário, opondo índios, seringueiros e trabalhadores aos operadores da indústria da invasão, que precisam da terra limpa de gente e mata para seus negócios. Desmatamento e assassinatos andam de mãos dadas na Amazônia.
É o caso do Polígono da Violência, no sudeste do Pará, que abriga 14 cidades com recordes de assassinatos, numa média de 91 para 100 mil habitantes, superior a Honduras, país mais violento do mundo. Em Nova Ipixuna, ali situada, foram mortos, em maio, os líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo.
O conjunto desses fatores explica a alteração que se pretende fazer no Código Florestal. Com o alto preço da terra em todo o País, cresce a pressão para liberar mais áreas para exploração. O Código em vigor impede essa expansão, pois estabelece o adequado balanço entre o que pode ser explorado e o que deve ser preservado em cada propriedade.
Sendo assim, o aumento do desmatamento não é consequência das mudanças que se anunciam no Código, nem um efeito antecipado das alterações que aguardam a chancela do Congresso. É justamente o contrário. O Código que os ruralistas esperam afinal aprovar ainda em 2011 simplesmente legitima o que já é a dura realidade no campo, onde o poder do agronegócio não conhece limites e só encontra paralelo na força dos fazendeiros no Brasil do século XIX.
A recente campanha publicitária financiada por empresas do agronegócio mundial, que quer nos fazer acreditar que há orgulho em nos transformar em "uma grande fazenda chamada Brasil", revela a concepção que o setor tem do País: uma terra com porteira, cadeado e poucos donos. Infelizmente, uma fazenda onde os horizontes da cidadania e do desenvolvimento ficarão sempre limitados pela cerca de arame farpado.
Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Do Estado de S.Paulo
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou aumento de 35% no desmatamento na Amazônia, após a queda que vinha sendo registrada desde 2008. Apenas no primeiro semestre de 2011 cortaram-se mais árvores do que em 2010 inteiro, quando se verificou a menor taxa desde o início da série histórica de medição do Inpe.
A diminuição da área desmatada foi fruto de medidas do governo em resposta ao recorde de 26 mil km² desmatados em 2004 e ao assassinato de Dorothy Stang, em 2005. Uma medida importante foi a vinculação de financiamentos para a agricultura à adoção de práticas de produção que respeitem a natureza.
A criação de unidades de conservação e a demarcação de terras indígenas no governo Lula, somando 75 milhões de hectares, possibilitou a construção de um muro de proteção que freou o ímpeto das frentes de exploração predatória no coração da floresta. O que foi protegido equivale à extensão do que havia sido destruído nos últimos 30 anos. Além disso, o governo estabeleceu unidades de conservação em plena rota de expansão da pecuária e da agricultura na Amazônia.
Ocorre que, desde 2008, se renovaram as pressões sobre o espaço amazônico decorrentes do crescimento da demanda mundial por alimentos, que causou a alta nos preços da comida em 2010. Isso acionou a corrida pela ocupação e controle dos estoques de terras virgens e agricultáveis, que serão usados para o abastecimento da população mundial, estimada em 9 bilhões em 2050.
Como a Amazônia é um desses estoques, o preço da terra na região explodiu. Nos últimos três anos, a valorização da terra no Mato Grosso alcançou o índice de 636%, chegando a 687% no Amapá. Nos últimos 12 meses, a procura por pastagens de gado em Monte Alegre, Alenquer e Oriximiná, no Pará, fez o hectare valorizar 84% nessas cidades. Esse aumento é impulsionado por fundos de investimento internacionais, que direcionaram recursos na compra de terras no País.
A situação propicia novos incentivos para a indústria da invasão de terras públicas na Amazônia, que tem o desmatamento como o estágio inicial do seu plano de negócios. O corte da floresta tornou-se a senha para requerer ao governo a regularização de uma área ocupada, sob a alegação de que se está explorando a terra para fim econômico. A Medida Provisória 174 legalizou em 2008 67 milhões de hectares ocupados irregularmente.
Essa valorização da terra explica o recrudescimento da violência na região, pois acirra as disputas pelo estoque fundiário, opondo índios, seringueiros e trabalhadores aos operadores da indústria da invasão, que precisam da terra limpa de gente e mata para seus negócios. Desmatamento e assassinatos andam de mãos dadas na Amazônia.
É o caso do Polígono da Violência, no sudeste do Pará, que abriga 14 cidades com recordes de assassinatos, numa média de 91 para 100 mil habitantes, superior a Honduras, país mais violento do mundo. Em Nova Ipixuna, ali situada, foram mortos, em maio, os líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo.
O conjunto desses fatores explica a alteração que se pretende fazer no Código Florestal. Com o alto preço da terra em todo o País, cresce a pressão para liberar mais áreas para exploração. O Código em vigor impede essa expansão, pois estabelece o adequado balanço entre o que pode ser explorado e o que deve ser preservado em cada propriedade.
Sendo assim, o aumento do desmatamento não é consequência das mudanças que se anunciam no Código, nem um efeito antecipado das alterações que aguardam a chancela do Congresso. É justamente o contrário. O Código que os ruralistas esperam afinal aprovar ainda em 2011 simplesmente legitima o que já é a dura realidade no campo, onde o poder do agronegócio não conhece limites e só encontra paralelo na força dos fazendeiros no Brasil do século XIX.
A recente campanha publicitária financiada por empresas do agronegócio mundial, que quer nos fazer acreditar que há orgulho em nos transformar em "uma grande fazenda chamada Brasil", revela a concepção que o setor tem do País: uma terra com porteira, cadeado e poucos donos. Infelizmente, uma fazenda onde os horizontes da cidadania e do desenvolvimento ficarão sempre limitados pela cerca de arame farpado.
Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
CNBB se posiciona contra novo Código Florestal
Por cinco votos a um a Conferência Brasileira dos Bispos do Brasil (CNBB) decidiu na última terça-feira se aliar ao Comitê Brasil em Defesa das Florestas e apoiar a busca por um Código Florestal mais justo para o meio ambiente e para a sociedade.
O anúncio foi feito na tarde de ontem durante ato público na sede da entidade, em Brasília, exatamente no Dia da Árvore. Para celebrar a data e a adesão da CNBB ao movimento de defesa das florestas, bispos e representantes da sociedade civil plantaram um pé de ipê branco na sede da instituição. “No maior país católico do mundo, ter a Igreja como aliada significa agregar força suficiente para levar a discussão da proteção das florestas, que está ligada à proteção da vida, para seus fiéis, para mobilizá-los em defesa de um Código que garanta a preservação da natureza”, disse o diretor do Greenpeace na Amazônia, Paulo Adário.
A idéia é que o apoio possibilite que a Igreja ajude o Comitê a levar informações sobre o Código Florestal para todo o país e a recolher assinaturas para pressionar o Congresso a atender os interesses do brasileiro. “O Congresso está surdo à voz do povo. É preciso dar um tratamento diferenciado à agricultura familiar para que ela continue a tirar da terra os alimentos que abastecem a maioria da população brasileira”, afirma Adário.
Em discurso, o secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, recém-nomeado para bispo auxiliar da arquidiocese de Brasília, afirmou que “o Código deve ser pensado para além de nossa geração, mas para as gerações futuras. Ele [o código] deve ser justo, ético e feito para nossos filhos e netos”.
Paulo Adário lembrou ainda que a expansão sem controle do agronegócio é responsável pelo aumento da violência no campo. “Se aprovado como está, o novo Código tende a aumentar a violência e deve gerar ainda mais disputa por terra”.
O Comitê
O Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável é uma coalizão formada por 140 organizações da sociedade civil, entre elas o Greenpeace, todas contrárias ao projeto de lei que propõe a mudança do Código Florestal. O texto foi aprovado em maio deste ano pelo plenário da Câmara e segue agora em discussão no Senado. Lançado no dia sete de junho, o Comitê pretende mobilizar os brasileiros a manifestarem sua discordância e com isso, sensibilizar os senadores para a aprovação de uma lei mais justa com os pequenos proprietários de terra.
Fonte: Greenpeace / Brasil
O anúncio foi feito na tarde de ontem durante ato público na sede da entidade, em Brasília, exatamente no Dia da Árvore. Para celebrar a data e a adesão da CNBB ao movimento de defesa das florestas, bispos e representantes da sociedade civil plantaram um pé de ipê branco na sede da instituição. “No maior país católico do mundo, ter a Igreja como aliada significa agregar força suficiente para levar a discussão da proteção das florestas, que está ligada à proteção da vida, para seus fiéis, para mobilizá-los em defesa de um Código que garanta a preservação da natureza”, disse o diretor do Greenpeace na Amazônia, Paulo Adário.
A idéia é que o apoio possibilite que a Igreja ajude o Comitê a levar informações sobre o Código Florestal para todo o país e a recolher assinaturas para pressionar o Congresso a atender os interesses do brasileiro. “O Congresso está surdo à voz do povo. É preciso dar um tratamento diferenciado à agricultura familiar para que ela continue a tirar da terra os alimentos que abastecem a maioria da população brasileira”, afirma Adário.
Em discurso, o secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, recém-nomeado para bispo auxiliar da arquidiocese de Brasília, afirmou que “o Código deve ser pensado para além de nossa geração, mas para as gerações futuras. Ele [o código] deve ser justo, ético e feito para nossos filhos e netos”.
Paulo Adário lembrou ainda que a expansão sem controle do agronegócio é responsável pelo aumento da violência no campo. “Se aprovado como está, o novo Código tende a aumentar a violência e deve gerar ainda mais disputa por terra”.
O Comitê
O Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável é uma coalizão formada por 140 organizações da sociedade civil, entre elas o Greenpeace, todas contrárias ao projeto de lei que propõe a mudança do Código Florestal. O texto foi aprovado em maio deste ano pelo plenário da Câmara e segue agora em discussão no Senado. Lançado no dia sete de junho, o Comitê pretende mobilizar os brasileiros a manifestarem sua discordância e com isso, sensibilizar os senadores para a aprovação de uma lei mais justa com os pequenos proprietários de terra.
Fonte: Greenpeace / Brasil
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Mega problema para o Comperj
O mega-projeto da Petrobras em Itaboraí agora começa a ter mega-problema, na verdade um problema de 1.028 toneladas. Esse é o peso de uma peça fabricada na Itália e desembarcada no Porto do Rio de Janeiro, onde aguarda solução para seu deslocamento, conforme noticiado na semana. Trata-se de um reator – o primeiro de um total de quatro – que trabalhará no processamento de óleo diesel de baixo teor de enxofre, importante para que a Petrobras atenda as exigências dos motores Euro. "Em geral, os equipamentos vêm em partes. Mas esse reator teve de vir montado. Ele marca uma nova rota tecnológica de produção de diesel com baixo teor de enxofre", explica Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento da Petrobras, que busca no INEA conseguir trafegar com a peça na Área de Proteção Ambiental que separa o Comperj da Baia de Guanabara, porque nenhuma estrada está preparada para tamanho peso.
A APA, contudo é uma das mais vigiadas pelos ambientalistas fluminenses e a necessidade do Comperj promete um debate acirrado. Recentemente a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) divulgou um projeto de mapeamento da região coordenado pelo engenheiro cartográfico e pesquisador, professor Gilberto Pessanha Ribeiro, que mapeou várias áreas de Mangue no Estado e relata que no litoral, na baía de Guanabara e foz do rio Guaxindiba, em São Gonçalo. 18% da vegetação já foram destruídas.
As questões ambientais que implica a instalação do Comperj são sempre controversas por causa da sua proximidade com o mosaico da Mata Atlântica e da APA Guapimirim. Desde o anuncio do EIA/Rima do projeto, concluído em apenas um mês tramitam na Tutela Coletiva do Ministério Público em Itaboraí dois inquéritos civis públicos que com um grupo de apoio técnico analisa a viabilidade ambiental e social e ainda a legalidade da implantação do Comperj. Em maio de 2009 o Procurador da república, Lauro Coelho Junior, ingressou com recurso junto ao Tribunal Regional Federal da 2a Região (TRF2), pedindo a interrupção imediata das obras da Petrobras em Itaboraí.
O procurador questionou como supostas irregularidades a extrema rapidez da concessão da licença de instalação (LI), dada apenas dois dias depois da licença provisória e questionou a competência do INEA no caso, advogando que deveria ser responsabilidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Também na audiência publica para licenciamento de uma estrada de acesso ao Comperj a Petrobras enfrentou o MP. Na ocasião o MP apresentou 16 questões questionando as fontes de consultas da Petrobras e a metodologia utilizada para a apresentação que a estatal fazia.
A Petrobras espera ter solução para o problema da estrada na área de proteção ambiental ainda esse ano para poder transportar as peças e para esse tipo de problema estuda uma solução conjunta com o Governo do Estado, essa relacionada a Linha 3 do Metrô, com utilização do leito de um trecho da rodovia que liga a localidade de Guaxindiba até a de Visconde de Itaboraí. Outro desafio ambiental que o Comperj enfrenta é o emissário terrestre-submarino que planeja para levar efluentes até Maricá. O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, garante que não existem ameaças ambientais, mas enfrenta uma petição pública que circula na Internet pedindo que o MP e o Governo do Estado evitem o projeto.Escrito por Wilian Oliveira
domingo, 18 de setembro de 2011
Ceifando vidas - por Chico Alencar
“Quando uma castanheira tomba, é como se morresse uma mãe de família” (José Claudio Silva, agricultor e ambientalista, 1953/2011)
“Urbanoides!” Assim são classificados pelos ruralistas os parlamentares que se opõem à flexibilização do Código Florestal. O adjetivo redutor revela visão estreita e compartimentada, de um Brasil urbano que não teria conexões com o Brasil rural. Os 2/3 da população brasileira que vivem nas regiões metropolitanas sofrem também as consequências de uma ocupação do solo que agrava tragédias, como na Região Serrana do Rio.
Código Florestal é assunto nacional, planetário. O que se aprovou na Câmara dos Deputados – e está em discussão no Senado - merece, segundo a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), mais tempo de exame. Mas o afã do lucro e da anistia de multas por desmatamento anda afoito...
Em 1965, a proposta do Código que atualizava o primeiro, de 1934, alertava: “Ocorrem inundações cada vez mais destruidoras, pela remoção desordenada das florestas, afetadas em sua função hidrogeológica e antierosiva.” Quase meio século depois, as derrubadas, na Amazônia, nos últimos oito meses, cresceram 27%!
As mudanças aprovadas por 410 deputados são insustentáveis. Pequenos agricultores, carentes de créditos e apoio por serviços ambientais, foram usados como biombo para liberar grandes desmatadores. Estudos do Ipea demonstram que as alterações, se confirmadas, representarão, só nas Reservas Legais, perdas de 63% na Mata Atlântica, 50% nos Pampas, 38% no Cerrado, 24% na Amazônia e 16% no Pantanal. Representantes do agronegócio – os 3% de proprietários que controlam 65% das terras – consideram Reserva Legal e Área de Preservação Permanente “um ineditismo brasileiro, um confisco ao direito de propriedade”.
Quem decodifica o projeto Aldo Rebelo (PCdoB), fertilizado pela emenda do PMDB, vê que ele enfraquece a Lei de Crimes Ambientais, esvazia o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) e o papel do MP, fraciona a gestão integrada, permite atividade agrossilvopastoril em APPs, das quais foram excluídas várzeas, dunas, veredas e manguezais, autoriza pastagens em topo de morros, exclui o termo “florestal” de manejo sustentável, favorece a exploração ilimitada do Pantanal e atribui aos estados, com sua maior vulnerabilidade a pressões, as licenças ambientais até aqui exclusivas da União.
No século do aquecimento global e da transição para uma economia de baixo carbono, a decepação do Código Florestal é antieconômica. Está provado que cuidado ambiental melhora a produtividade agrícola: o fortalecimento do regime hídrico e da polinização aumenta em 50% a produção da soja, 40% a do café, 35% a do algodão. O clamor mundial por uma cadeia produtiva limpa impõe barreiras a produtos de país que fraqueja sua proteção ecológica.
Árvores e vidas humanas ceifadas: nos últimos 15 anos, apenas no estado do Pará, 212 pessoas foram mortas, além de 809 estarem sofrendo ameaças. Podados em sua dignidade, 28 mil seres humanos foram reduzidos à condição de escravos. Os mandantes de assassinatos e exploradores do trabalho sentem-se à vontade, autorizados pela impunidade. Concentração fundiária, contrabando de madeira e omissão do poder público formam um rio poluído que desemboca na matança. Até quando?
Autor Chico Alencar
“Urbanoides!” Assim são classificados pelos ruralistas os parlamentares que se opõem à flexibilização do Código Florestal. O adjetivo redutor revela visão estreita e compartimentada, de um Brasil urbano que não teria conexões com o Brasil rural. Os 2/3 da população brasileira que vivem nas regiões metropolitanas sofrem também as consequências de uma ocupação do solo que agrava tragédias, como na Região Serrana do Rio.
Código Florestal é assunto nacional, planetário. O que se aprovou na Câmara dos Deputados – e está em discussão no Senado - merece, segundo a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), mais tempo de exame. Mas o afã do lucro e da anistia de multas por desmatamento anda afoito...
Em 1965, a proposta do Código que atualizava o primeiro, de 1934, alertava: “Ocorrem inundações cada vez mais destruidoras, pela remoção desordenada das florestas, afetadas em sua função hidrogeológica e antierosiva.” Quase meio século depois, as derrubadas, na Amazônia, nos últimos oito meses, cresceram 27%!
As mudanças aprovadas por 410 deputados são insustentáveis. Pequenos agricultores, carentes de créditos e apoio por serviços ambientais, foram usados como biombo para liberar grandes desmatadores. Estudos do Ipea demonstram que as alterações, se confirmadas, representarão, só nas Reservas Legais, perdas de 63% na Mata Atlântica, 50% nos Pampas, 38% no Cerrado, 24% na Amazônia e 16% no Pantanal. Representantes do agronegócio – os 3% de proprietários que controlam 65% das terras – consideram Reserva Legal e Área de Preservação Permanente “um ineditismo brasileiro, um confisco ao direito de propriedade”.
Quem decodifica o projeto Aldo Rebelo (PCdoB), fertilizado pela emenda do PMDB, vê que ele enfraquece a Lei de Crimes Ambientais, esvazia o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) e o papel do MP, fraciona a gestão integrada, permite atividade agrossilvopastoril em APPs, das quais foram excluídas várzeas, dunas, veredas e manguezais, autoriza pastagens em topo de morros, exclui o termo “florestal” de manejo sustentável, favorece a exploração ilimitada do Pantanal e atribui aos estados, com sua maior vulnerabilidade a pressões, as licenças ambientais até aqui exclusivas da União.
No século do aquecimento global e da transição para uma economia de baixo carbono, a decepação do Código Florestal é antieconômica. Está provado que cuidado ambiental melhora a produtividade agrícola: o fortalecimento do regime hídrico e da polinização aumenta em 50% a produção da soja, 40% a do café, 35% a do algodão. O clamor mundial por uma cadeia produtiva limpa impõe barreiras a produtos de país que fraqueja sua proteção ecológica.
Árvores e vidas humanas ceifadas: nos últimos 15 anos, apenas no estado do Pará, 212 pessoas foram mortas, além de 809 estarem sofrendo ameaças. Podados em sua dignidade, 28 mil seres humanos foram reduzidos à condição de escravos. Os mandantes de assassinatos e exploradores do trabalho sentem-se à vontade, autorizados pela impunidade. Concentração fundiária, contrabando de madeira e omissão do poder público formam um rio poluído que desemboca na matança. Até quando?
Autor Chico Alencar
sábado, 17 de setembro de 2011
ITABORAÍ E SUAS PRIORIDADES
O Município cresce a passos largos, o mega empreendimento COMPERJ avança a todo vapor, estradas sendo abertas, prédios sendo levantados, investimentos de bilhões no abastecimento de água para a refinaria. Todos os olhos e todas as ações são voltados para o maior investimento já realizado pela Petrobras. Na contra mão deste desenvolvimento esta o crescimento desordenado da cidade, estimativas do IBGE é que a população irá dobrar ate 2017, sem planejamento e sem organização só resta para o município a favelização. Enquanto o COMPERJ cresce a população come poeira, a exemplo de PORTO DAS CAIXAS que hoje parece mais uma BR, o bairro já não tinha infra-estrutura agora com o aumento do fluxo absurdo de carros e caminhões o bairro esta sendo destruído. Poeira, desapropriações, aumento da violência, desordem, falta de planejamento, transito caótico, etc,etc,etc. Estes são apenas alguns ônus em que nós já estamos vivendo. E cadê as ações do poder publico? Será que os olhos estão hipnotizados para o lado leste do município? Quando os olhos se voltarem para população talvez possa ser tarde de mais para esta e para as gerações futuras. Para não se alongar e para mostrar que as prioridades são outras, vou deixar esta matéria que li no O globo. Enquanto bairros inteiros como ITAMBÍ, VISCONDE, AREAL, SAMBAETIBA E BOA PARTE DESTE MUNICIPIO, há anos não tem uma gota d`água encanada com abastecimento da cedae, agora esta mesma ESTATAL (CEDAE), vai investir mais de um R$ 1 bilhão para o abastecimento de água para o COMPERJ. Muito menos da metade deste valor, daria para jorrar, dignidade nas torneiras de TODA ITABORAÍ.
ESCRITO POR RAMON VIEIRA
Cedae vai investir mais de R$ 1 bi para fornecer água para o Comperj
RIO - A Cedae, companhia de saneamento do Rio de Janeiro, vai investir mais de R$ 1 bilhão para fornecer água de reuso para abastecimento do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), que está sendo construído pela Petrobras em Itaboraí, na região metropolitana da capital fluminense.
O pré-contrato entre as duas companhias foi assinado hoje e prevê o fornecimento de 500 litros de água tratada por segundo em 2013 e de 1.500 litros por segundo em 2017.
Para fornecer água para o Comperj, a Cedae construirá um duto ligando a estação de tratamento de Alegria, às margens da Baía de Guanabara, até a estação de tratamento de São Gonçalo, de onde sairão novos dutos até o pólo industrial.
O presidente da Cedae, Wagner Victer, afirmou que a empresa ainda está negociando as empresas que farão a obra. "Todos os detalhes serão finalizados no contrato definitivo que será firmado com a Petrobras em 180 dias", disse Victer, lembrando que o volume de água a ser fornecido é equivalente ao consumo de uma cidade de 700 mil habitantes.
O volume de água que será enviado ao Comperj atualmente é tratado na estação Alegria e devolvido à Baía de Guanabara. Agora, será construída uma unidade terciária em Alegria para deixar a água com a qualidade requerida pela Petrobras.
A primeira refinaria do Comperj deverá ficar pronta no final de 2013, com capacidade de produzir 165 mil barris por dia. A unidade petroquímica entrará em operação em 2016 e a segunda refinaria, com mais 165 mil barris, no final de 2017.
O diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, não revelou qual será o custo total para construção do Comperj. Segundo ele, o valor será divulgado juntamente com o Plano de Negócios 2011/2015, que deverá ser levado à diretoria e ao conselho de administração ainda este mês.
"Antes de ter esse plano aprovado, não tenho como falar de valores", disse, lembrando que o valor anterior era de US$ 8,5 bilhões, mas para um projeto que considerava apenas uma refinaria petroquímica. Atualmente o projeto que está sendo posto em prática é de duas refinarias e um complexo petroquímico.
Jornal O Globo
Porto das Caixas e o 1º Tunel Ferroviario do Brasil
Histórico
Porto das Caixas foi uma das províncias mais importante do Rio de Janeiro na época do Império, devido à privilegiada localização, perto do rio Aldeia (uma das vertentes do Rio Macacu), foram criados um porto fluvial e armazéns destinados a recolher os produtos das regiões vizinhas. Isso fez com que crescesse depressa o número de habitantes e o comércio, tornando o local um centro comercial, político, cultural e religioso da região. O nome “Porto das Caixas” originou a partir do envio dessas mercadorias em “caixas”, embarcadas no porto. Porém, no século XIX, os antigos caminhos terrestres de acesso a localidade e adjacências começaram a ser criticados pelas suas más condições, com pontes destruídas, estradas alagadas e etc, causando prejuízos às tropas de mulas que faziam esse transporte. Da mesma forma que os rios, com diversos trechos obstruídos a navegação, causavam danos aos artigos e atraso nas entregas. Assim, iniciou-se um plano de se construir uma ferrovia que ligaria Porto das Caixas ao interior do Estado, principalmente a região de Nova Friburgo e Cantagalo. Os trabalhos entã iniciaram em 8 de novembro de 1859 e o primeiro trecho, entre Porto das Caixas e Cachoeiras de Macacu, foi inaugurado em 23 de abril de 1860, período onde foi construído o primeiro Túnel Ferroviário do Brasil.
Porto das Caixas foi uma das províncias mais importante do Rio de Janeiro na época do Império, devido à privilegiada localização, perto do rio Aldeia (uma das vertentes do Rio Macacu), foram criados um porto fluvial e armazéns destinados a recolher os produtos das regiões vizinhas. Isso fez com que crescesse depressa o número de habitantes e o comércio, tornando o local um centro comercial, político, cultural e religioso da região. O nome “Porto das Caixas” originou a partir do envio dessas mercadorias em “caixas”, embarcadas no porto. Porém, no século XIX, os antigos caminhos terrestres de acesso a localidade e adjacências começaram a ser criticados pelas suas más condições, com pontes destruídas, estradas alagadas e etc, causando prejuízos às tropas de mulas que faziam esse transporte. Da mesma forma que os rios, com diversos trechos obstruídos a navegação, causavam danos aos artigos e atraso nas entregas. Assim, iniciou-se um plano de se construir uma ferrovia que ligaria Porto das Caixas ao interior do Estado, principalmente a região de Nova Friburgo e Cantagalo. Os trabalhos entã iniciaram em 8 de novembro de 1859 e o primeiro trecho, entre Porto das Caixas e Cachoeiras de Macacu, foi inaugurado em 23 de abril de 1860, período onde foi construído o primeiro Túnel Ferroviário do Brasil.
Portanto, Porto das Caixas funcionava como Guia de Pacobaíba: os passageiros e mercadorias vinham do Rio de Janeiro em chatas, entravam pelo rio e faziam baldeação para a ferrovia. Porto das Caixas continuou como estação inicial até 1866, quando a linha foi extendida até Itambí, antiga Vila Nova. Foi quando ela sofreu o seu primeiro baque, pois nesse local foi construído um porto com melhores condições. Em 1874, mais um baque com o prolongamento da linha até Niterói e em 1927 outro, com a inauguração da estação Visconde de Itaboraí e do contorno da Baía de Guanabara. A partir de então, Porto das Caixas passou a ser um mero entroncamento, função que permaneceu até o fim dos trilhos para Cachoeiras em 1973 (o trecho da serra até Portela foi erradicado em 1964). A estação sem qualquer função e já no osso foi demolida em 1980.
Hoje toda essa historia esta largada ao esquecimento e ao abandono, o Primeiro Tunel Feroviario do Brasil esta exatamente desta forma.
Um povo que não tem cultura esta fadado ao esquecimento. Este enorme patrimônio arquitetônico e cultural que poderia ser revitalizado para visitação turística, além de propagar o conhecimento geraria emprego e renda para comunidade. E cadê o poder publico? Mais uma vez apático às necessidades, potenciais e realidade do município. Está na hora de pensar este municipio com seriedade, reconhecer seu povo e seus potênciais e não os interesses mesquinhos de alguns.
Autor Ramon Viera
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Saúde de Porto das Caixas está agonizando!!!
O posto de saúde que é uma vergonha
14 / 09 / 2011
Unidade de Porto das Caixas,além de não ter médicos suficientes, corre risco de desabamento
A precariedade da saúde continua a atingir a cidade de Itaboraí. Moradores de Porto das Caixas reclamam dos problemas enfrentados, já que o bairro só possui uma pequena residência que funciona com o Programa de Saúde da Família (PSF). De acordo com a população, a única unidade de saúde do local ameaça desabar.
Sem posto de saúde adequado, os moradores são obrigados a se deslocar até o Centro da cidade, onde enfrentar outro problema: o transporte ruim.
Além da ameaça de desabamento, rachaduras, mato alto e vidros quebrados fazem parte do cenário de abandono da saúde local.
O líder comunitário Ramon Vieira, 28 anos, afirmou que os problemas são ainda maiores e tenta buscar soluções.
"As reclamações em relação à saúde em Porto das Caixas são extremamente absurdas. Estão faltando medicamentos, crianças estão apresentando problemas respiratórios e o PSF não é suficiente para atender todos os moradores. Já fizemos uma reunião e estamos arrecadando assinaturas para melhorar a saúde. Precisamos com urgência de médicos ginecologista e pediatra, pois muitas pessoas estão tendo que se deslocar ao Centro para conseguir atendimento necessário. Porto das Caixas está sem a infraestrutura necessária quando o assunto é saúde", contou.
A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil informou que o prédio que abrigava a unidade de saúde da família de Porto das Caixas foi desativado devido a rachaduras nas paredes e infiltrações.
"A Secretaria Municipal de Obras está realizando um estudo técnico para saber se é possível recuperar a parte estrutural do posto, mas não há previsão para conclusão deste projeto", informou o órgão.
O líder comunitário com receio sobre as obras, já pediu análise, da unidade de saúde, ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea).
"Entramos em contato com o Crea na semana passada para pedir um laudo técnico sobre a situação do posto, pois não são só rachaduras, tem a estrutura também. O poder público municipal costuma maquiar e depois os problemas voltam. Não queremos que mais uma vez o dinheiro público seja jogado fora", ressaltou.
Quanto ao atendimento à população, a Secretaria Municipal de Saúde esclareceu que "está sendo realizado normalmente, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h".
O órgão informou ainda que "a unidade conta com médico, enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem, agentes comunitário de saúde e pessoal de apoio para atender pacientes cadastrados".
A precariedade da saúde continua a atingir a cidade de Itaboraí. Moradores de Porto das Caixas reclamam dos problemas enfrentados, já que o bairro só possui uma pequena residência que funciona com o Programa de Saúde da Família (PSF). De acordo com a população, a única unidade de saúde do local ameaça desabar.
Sem posto de saúde adequado, os moradores são obrigados a se deslocar até o Centro da cidade, onde enfrentar outro problema: o transporte ruim.
Além da ameaça de desabamento, rachaduras, mato alto e vidros quebrados fazem parte do cenário de abandono da saúde local.
O líder comunitário Ramon Vieira, 28 anos, afirmou que os problemas são ainda maiores e tenta buscar soluções.
"As reclamações em relação à saúde em Porto das Caixas são extremamente absurdas. Estão faltando medicamentos, crianças estão apresentando problemas respiratórios e o PSF não é suficiente para atender todos os moradores. Já fizemos uma reunião e estamos arrecadando assinaturas para melhorar a saúde. Precisamos com urgência de médicos ginecologista e pediatra, pois muitas pessoas estão tendo que se deslocar ao Centro para conseguir atendimento necessário. Porto das Caixas está sem a infraestrutura necessária quando o assunto é saúde", contou.
A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil informou que o prédio que abrigava a unidade de saúde da família de Porto das Caixas foi desativado devido a rachaduras nas paredes e infiltrações.
"A Secretaria Municipal de Obras está realizando um estudo técnico para saber se é possível recuperar a parte estrutural do posto, mas não há previsão para conclusão deste projeto", informou o órgão.
O líder comunitário com receio sobre as obras, já pediu análise, da unidade de saúde, ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea).
"Entramos em contato com o Crea na semana passada para pedir um laudo técnico sobre a situação do posto, pois não são só rachaduras, tem a estrutura também. O poder público municipal costuma maquiar e depois os problemas voltam. Não queremos que mais uma vez o dinheiro público seja jogado fora", ressaltou.
Quanto ao atendimento à população, a Secretaria Municipal de Saúde esclareceu que "está sendo realizado normalmente, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h".
O órgão informou ainda que "a unidade conta com médico, enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem, agentes comunitário de saúde e pessoal de apoio para atender pacientes cadastrados".
Fonte: Jornal Povo
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Fiscalização no Comperj deixa dúvida
Após as suspeitas de questões ambientais importantes sobre a construção do Comperj ficou mais difícil saber de como as obras são fiscalizadas. O INEA diz que o licenciamento é dividido pelos vários canteiros (são dezenas deles) e a prefeitura lembra ter poder de fiscalização através de condicionantes dos contratos da Petrobras com as empresas que constrói o Comperj. Mesmo assim, igual ao INEA, desconhece irregularidades e só atua em denúncias específicas enquanto sabidamente existem riscos que se chegarem a sofrer denúncias já teriam provocados danos irreparáveis, alguns, inclusive, com registro de óbito.
“Existem várias estações de tratamento licenciadas e, na ocasião em que você encaminhou sua informação, não havia informação sobre irregularidades. Mas, para apurar uma situação específica, teríamos de saber qual estação ou qual canteiro de obras você se refere” respondeu a Comunicação do INEA, lembrando que fazem vistoria para a concessão das licenças ambientais e para a verificação do cumprimento das condicionantes.
Esse desdobramento já fez, em 2009, o MPF – RJ (Ministério Público Federal do Estado do Rio de Janeiro) pedir a suspensão das obras do Comperj. O Procurador da Republica, Lauro Coelho Junior, entre três observações para pedir a paralisação do projeto, apontava essa a de "o fracionamento da avaliação dos impactos ambientais” como fator que impossibilitava a Justiça de definir competências.
Comperj, fiscalizações e a população seguem alheias a tudo, pelo que pode parecer, já que noticias importantes para a segurança e a sustentabilidade do projeto aparece como se fossem do nada, como se ninguém tivesse mesmo responsabilidade, como o caso do tesouro anunciado pelo Museu Nacional na exposição "Santo Antônio de Sá: primeira vila do Recôncavo da Guanabara" que só chegou até aos itaboraienses através de um jornal carioca.
Mapas de vulnerabilidade dão conta de centenas de possibilidade de acidentes com risco para a população extramuros do Comperj, conforme admitiu em entrevista recente, o professor do Departamento de Geoquímica da Universidade Federal Fluminense e coordenador da Rede UFF de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Júlio César de Faria Alvim Vasserman.
A capilaridade da Petrobras com o Comperj diretamente exige atenção especial em pelo menos dois outros municípios, sem contar Itaboraí. São Gonçalo e Maricá dividem outras preocupações. No primeiro um porto marítimo e uma estrada que conflita sustentabilidade com a Baia de Guanabara e o Mangue e no segundo o caso de descarte de efluentes líquidos através de um emissário terrestre de 40 quilômetros que levaria o esgoto industrial do Comperj até Maricá, que recebe criticas e contestação.
Escrito por Wilian Oliveira
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
21 tiros no peito da Justiça
“Parecia fogos de artifícios”, disse assustada uma vizinha da juíza Patrícia Acioli ao ouvir o tiroteio. Ela ainda não sabia que às 23h30, da última quinta-feira (11), em frente à casa de dois andares, de fachada simples, na Rua dos Corais, em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, um crime abalaria as entranhas de um poderes mais nobres do país. Os 21 tiros que mataram Acioli acertaram em cheio o ‘peito’ do Judiciário.
Considerada juíza do ‘martelo pesado’ por sua conduta rigorosa contra as injustiças, o corpo caído dentro do Fiat Idea Adventure era o retrato de um crime anunciado. Acioli não teve tempo de reagir. Dois criminosos encapuzados teriam feito os disparos. Duas motos e dois carros davam cobertura. O bando fugiu deixando um rastro de dúvidas e a pergunta: alguém pode calar a Justiça?
Após o crime, o filho da juíza, em prantos, quebrou o vidro do carro com uma pedra na tentativa de socorrer a mãe. Patrícia morreu nos braços do adolescente. Morreu nos braços de todas as vítimas de crimes que ela ajudou a desvendar e punir os culpados.
Correria, gritos e lamúrias. Após a morte de Acioli, o bucólico conjunto residencial Jardim Imbuí, no Timbau, em Piratininga, entra para história do país: foi o primeiro assassinato de um juiz criminal em 260 anos, no país.
Patrícia Acioli tinha 47 anos e 19 de magistratura. Ela deixa três filhos. Após o crime, centenas de policiais civis e militares seguiram para o local. A juíza foi assassinada após participar de um júri no Fórum de São Gonçalo. Sexta (12), ela participaria de uma audiência para expedir mandados de prisões contra policiais do 7º BPM (São Gonçalo) acusados de forjar um auto de resistência contra dois jovens assassinados no Complexo do Salgueiro.
De acordo com a polícia, Há indícios de Acioli ter sido alvo de uma emboscada. Segundo o Governo do Estado haverá uma rigososa apuração para averiguar o caso da juíza.
O governador Sérgio Cabral afirmou, sexta (12), que determinou à chefe da Polícia Civil, delegada Marta Rocha, todo o empenho para esclarecer o assassinato. O corpo da juíza foi enterrado, sexta (12), no Maruí, Barreto.
PF pode participar das investigações
A Polícia Federal também deve participar das investigações do assassinato da juíza Patrícia Acioli, conforme informou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Uma das exigências do ministro é que a apuração seja rigorosa, o que exige melhor estrutura para acompanhamento do caso.
O crime, ocorrido na noite de quinta-feira (11), em Piratininga, Niterói, foi encaminhado à Delegacia de Homicídios (DH) da Barra da Tijuca. O delegado titular da DH, Felipe Ettore, disse que ouviu até a tarde de ontem 10 pessoas, entre amigos, familiares, vizinhos e o namorado da magistrada, o policial militar Marcelo Poubel. “Estamos com 60% do efetivo da DH trabalhando na investigação. Já sabemos que a juíza foi atingida por 21 disparos e colhemos no veículo cápsulas de pistola calibre 40 e 45 que serão analisadas”, disse.
Ainda segundo informações da Delegacia de Homicídios, foi recolhido no local do crime um computador que pertence a associação de moradores, que teria flagrado imagens dos criminosos. “As câmeras não flagraram a ação dos marginais, mas podem ter gravado o momento em que os autores passaram próximo a uma ponte que dá acesso a rua em que vivia a magistrada”, disse um policial.
Para auxiliar no inquérito, o procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Soares Lopes, disponibilizou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) para trabalhar em conjunto com os promotores de justiça que investigam o crime.
Ao mobilizar os membros do MP-RJ especializados no combate às organizações criminosas, o procurador-geral de Justiça busca contribuir para que inquérito seja conduzido de forma rápida, despersonalizada e com o máximo de qualidade, garantindo, assim, a punição de todos os envolvidos.
Lopes também mantém contato com a Secretaria de Segurança e a Promotoria de São Gonçalo para a adoção de todas as providências necessárias à apuração do homicídio e para garantir a segurança dos membros do MP-RJ.
“O MP-RJ está acompanhando todas as linhas de investigação para identificar os culpados o mais rápido possível”, disse Cláudio Soares Lopes.
Juíza de jeito simples e caseira
De acordo com familiares, Patrícia Acioli recebia ameaças há pelo menos 5 anos. “Ela era considerada uma juíza linha dura, martelo pesado que chamam. Condenação era sempre pena máxima, condenou gente ligada a máfia do óleo, máfia da van, milícia em São Gonçalo que estava crescendo absurdamente.
Policiais envolvidos com desvio, com corrupção, envolvimento com tráfico. Ela andava com segurança, mas há cerca de 3 anos passou a andar sem escolta. Era uma juíza que vinha relatando casos frequentes de ameaça de morte”, disse o primo da juíza, jornalista Humberto Mauro.
Simplicidade - Sobre o estilo simples de viver, familiares disseram que era uma proposta de vida. “Ela sempre foi simples. Poderia morar em condomínios de luxo. Há pouco tempo ela comprou essa casa, reformou e se mudou. Ela estava assim tão despreocupada que o carro dela não é blindado, o portão não é eletrônico, ela inclusive iria sair do carro para abrir. Foi um crime encomendado, de profissional”, lamentou.
Considerada juíza do ‘martelo pesado’ por sua conduta rigorosa contra as injustiças, o corpo caído dentro do Fiat Idea Adventure era o retrato de um crime anunciado. Acioli não teve tempo de reagir. Dois criminosos encapuzados teriam feito os disparos. Duas motos e dois carros davam cobertura. O bando fugiu deixando um rastro de dúvidas e a pergunta: alguém pode calar a Justiça?
Após o crime, o filho da juíza, em prantos, quebrou o vidro do carro com uma pedra na tentativa de socorrer a mãe. Patrícia morreu nos braços do adolescente. Morreu nos braços de todas as vítimas de crimes que ela ajudou a desvendar e punir os culpados.
Correria, gritos e lamúrias. Após a morte de Acioli, o bucólico conjunto residencial Jardim Imbuí, no Timbau, em Piratininga, entra para história do país: foi o primeiro assassinato de um juiz criminal em 260 anos, no país.
Patrícia Acioli tinha 47 anos e 19 de magistratura. Ela deixa três filhos. Após o crime, centenas de policiais civis e militares seguiram para o local. A juíza foi assassinada após participar de um júri no Fórum de São Gonçalo. Sexta (12), ela participaria de uma audiência para expedir mandados de prisões contra policiais do 7º BPM (São Gonçalo) acusados de forjar um auto de resistência contra dois jovens assassinados no Complexo do Salgueiro.
De acordo com a polícia, Há indícios de Acioli ter sido alvo de uma emboscada. Segundo o Governo do Estado haverá uma rigososa apuração para averiguar o caso da juíza.
O governador Sérgio Cabral afirmou, sexta (12), que determinou à chefe da Polícia Civil, delegada Marta Rocha, todo o empenho para esclarecer o assassinato. O corpo da juíza foi enterrado, sexta (12), no Maruí, Barreto.
PF pode participar das investigações
A Polícia Federal também deve participar das investigações do assassinato da juíza Patrícia Acioli, conforme informou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Uma das exigências do ministro é que a apuração seja rigorosa, o que exige melhor estrutura para acompanhamento do caso.
O crime, ocorrido na noite de quinta-feira (11), em Piratininga, Niterói, foi encaminhado à Delegacia de Homicídios (DH) da Barra da Tijuca. O delegado titular da DH, Felipe Ettore, disse que ouviu até a tarde de ontem 10 pessoas, entre amigos, familiares, vizinhos e o namorado da magistrada, o policial militar Marcelo Poubel. “Estamos com 60% do efetivo da DH trabalhando na investigação. Já sabemos que a juíza foi atingida por 21 disparos e colhemos no veículo cápsulas de pistola calibre 40 e 45 que serão analisadas”, disse.
Ainda segundo informações da Delegacia de Homicídios, foi recolhido no local do crime um computador que pertence a associação de moradores, que teria flagrado imagens dos criminosos. “As câmeras não flagraram a ação dos marginais, mas podem ter gravado o momento em que os autores passaram próximo a uma ponte que dá acesso a rua em que vivia a magistrada”, disse um policial.
Para auxiliar no inquérito, o procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Soares Lopes, disponibilizou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) para trabalhar em conjunto com os promotores de justiça que investigam o crime.
Ao mobilizar os membros do MP-RJ especializados no combate às organizações criminosas, o procurador-geral de Justiça busca contribuir para que inquérito seja conduzido de forma rápida, despersonalizada e com o máximo de qualidade, garantindo, assim, a punição de todos os envolvidos.
Lopes também mantém contato com a Secretaria de Segurança e a Promotoria de São Gonçalo para a adoção de todas as providências necessárias à apuração do homicídio e para garantir a segurança dos membros do MP-RJ.
“O MP-RJ está acompanhando todas as linhas de investigação para identificar os culpados o mais rápido possível”, disse Cláudio Soares Lopes.
Juíza de jeito simples e caseira
De acordo com familiares, Patrícia Acioli recebia ameaças há pelo menos 5 anos. “Ela era considerada uma juíza linha dura, martelo pesado que chamam. Condenação era sempre pena máxima, condenou gente ligada a máfia do óleo, máfia da van, milícia em São Gonçalo que estava crescendo absurdamente.
Policiais envolvidos com desvio, com corrupção, envolvimento com tráfico. Ela andava com segurança, mas há cerca de 3 anos passou a andar sem escolta. Era uma juíza que vinha relatando casos frequentes de ameaça de morte”, disse o primo da juíza, jornalista Humberto Mauro.
Simplicidade - Sobre o estilo simples de viver, familiares disseram que era uma proposta de vida. “Ela sempre foi simples. Poderia morar em condomínios de luxo. Há pouco tempo ela comprou essa casa, reformou e se mudou. Ela estava assim tão despreocupada que o carro dela não é blindado, o portão não é eletrônico, ela inclusive iria sair do carro para abrir. Foi um crime encomendado, de profissional”, lamentou.
Fonte: Jornal O São Gonçalo
HISTORIA DE ITABORAÍ PARTE 2
Itaboraí, cidade histórica do Estado do Rio de Janeiro, localizado na região metropolitana, tem o orgulho de ser o resultado de três importantes vilas do passado colonial e imperial do Brasil: A maior delas, a Vila de Santo Antônio de Sá, a 2ª formação do Rio de Janeiro, no recôncavo da Guanabara; A Vila de São de Itaboraí, inicialmente uma parada de tropeiros, e que mais tarde se tornaria o maior produtor açucareiro da região e principal entreposto comercial ligando o norte fluminense a capital da província; e a Vila de São José Del Rey (conhecida como São Barnabé, ou Itambi), cuja região fora uma importante Missão Jesuítica entre os índios Tamoios que por aqui habitavam.
Para entender a história de Itaboraí, é importante entender como se deu o povoamento de toda a região, e que a ocupação territorial foi condicionada a diversas variáveis, como a proximidade de rios navegáveis, como foi o sertão do Macacu, ou mesmo de fins catequistas, como foi a dos Jesuítas na região de Cabuçú e Itambi, ou a localizações estratégicas em rotas de tropeiros, como foi o caso de Itaboraí, o que também acabou beneficiando o desenvolvimento econômico com os grandes engenhos, dentre outras razões.
Ruínas do Convento de São Boaventura na antiga Vila de Santo Antônio de Sá
É no século XVI que se dá a ocupação dos “sertões do Rio Macacu” pelos colonizadores portugueses, pois em 1567 o fidalgo português Miguel de Moura recebeu uma sesmaria (grande extensão de terras) na planície do Rio Macacu (José Matoso Maia Forte - 1937). Entretanto, apesar da abertura de fazendas e engenhos de cana-de-açúcar na região*, o primeiro povoamento no Recôncavo da Guanabara foi a Vila de Santo Antônio de Sá, fundada em 1697, às margens do Rio Macacu.
*O ato de criação da vila de Santo Antônio de Sá seria uma mera curiosidade histórica não fosse o fato de que a descrição da solenidade constitui uma fonte rica de informações sobre a estrutura social que estava sendo criada no sertão do Macacu. Não só a maior parte das terras pertenciam a um grupo muito pequeno de indivíduos, como os laços familiares entre eles garantiam o controle das terras, fosse por casamento ou herança. Assim estavam presentes naquela solenidade membros das famílias dos Duque Estrada, dos Sardinha, dos Silva, dos Costa Soares, dos Pacheco e dos Azevedo Coutinho (às vezes escrito Azeredo Coutinho). Cada família era associada à uma parcela do território: por exemplo, os Azevedo Coutinho e os Sardinha eram donos de terras e engenhos em Itapacorá; os Sardinha também eram proprietários em Macacu e Guaxindiba, e assim por diante (Forte,1984).
A Vila de Santo Antônio de Sá, suas freguesias e povoados, experimentou um grande desenvolvimento econômico, parte por sua localização, tendo em toda região, entrepostos comerciais que recebiam, via escoamento fluvial, a sua produção; a da região serrana e interior fluminense, através de seus rios como o Macacu, Casseribu e Aldeia. Porém, anos de desmatamento desordenado, tornando as áreas aráveis em charcos, e o conseqüente assoreamento dos rios, não só foi destruindo o potencial produtivo, mas, também, cooperou na proliferação de mosquitos, vetores de doenças como a febre amarela e a malária, o que resultou, a partir de 1829 no início da extinção da Vila (então a mais atingida pelas doenças). As “Febres do Macacu” foram tão marcantes que nos anos que se seguiram, as pessoas evitavam retornar ao lugar, devido ao medo que se instalou (Num ofício ao Marquês de Caravelas, que era Ministro e Secretário dos Negócios do Império, em 25 de agosto de 1830, Francisco José Alves Carneiro, Juiz de Fora da Vila de Sto Antônio de Sá, fazia saber sobre a Vila já se encontrar quase deserta, contando, talvez, com meia dúzia de homens, levando-se em conta que a Vila chegou a contar com uma população de 19.000 almas.

Capela da Fazenda Itapacorá –Séc. XIX
Com relação ao povoamento de Itaboraí, ou Tapacorá, como a região era conhecida, nas crônicas “Reminiscências de Itaboraí”, do escritor e acadêmico Salvador de Mendonça, e publicadas no jornal “O Brasil, de 1907”, o autor fala o seguinte sobre Itaboraí:
“No século XVII, o governador Salvador Corrêa de Sá mandou abrir a estrada de Campos dos Goytacases a Niterói. Essa estrada passava pela colina de Itaboraí, caminho de Vila Nova e São Gonçalo. No alto da colina, à beira dessa estrada, havia uma fonte sob um bosque frondoso. Tornou-se esse lugar um ponto de parada para as tropas que por ali transitavam. Levantaram-se ranchos ao lado oposto da fonte, esses ranchos foram as primeiras casas itaboraienses. A fonte dera o nome ao lugar – ITABORAÏ que quer dizer “Pedra Bonita escondida na água”, e essa denominação nascera de haver no fundo da fonte, metido na pedra, um pedaço de quartzo que despertara a atenção dos índios do lugar.”
Defende-se que o altar-mor da igreja Matriz de São João fica exatamente sobre essa fonte, cujas águas foram encanadas, pela colina abaixo, até a “fonte da Carioca”, ao mesmo tempo que a igreja, e que ali ainda existe.
O surgimento do povoado se dá graças a essa parada de tropeiros que, em 1672, com a inauguração da Capela de São João Batista, por iniciativa de tropeiros, em substituição a antiga capela da fazenda do Iguá, erguida por João Vaz Pereira em 1622, que ficava em Venda das Pedras, recebendo, inclusive, os seus retábulos.
Como podemos perceber, já existiam engenhos pela região, conforme descrito acima na fundação da Vila de Santo Antônio de Sá. E esses engenhos de açúcar foram os responsáveis pelo desenvolvimento econômico de Itaboraí, sendo a principal atividade econômica do vale do Macacu-Casseribu na época colonial (séculos XVIII e XIX), constituindo grandes engenhos. E durante a maior parte do século XIX e até meados do século XX com a usina de Tanguá, permaneceu como parte da paisagem apesar de perder gradativamente sua importância econômica. Também é preciso lembrar que o açúcar foi durante séculos um dos produtos tropicais mais valorizados no mercado estrangeiro. Por isso mesmo tornou-se o principal produto de exportação das pequenas colônias luso-brasileiras que foram sendo implantadas na costa atlântica, logo que os primeiros colonizadores verificaram a aptidão de algumas terras ao seu plantio.
Outra região que se destacou muito foi o povoado de Porto das Caixas, então ligado a Santo Antônio de Sá, e que surgiu no início do século XVIII, cujo nome não vem do acaso, e sim, o fato de ter se tornado um importante entreposto comercial, sendo o responsável pelo escoamento da produção agrícola de nossa região e o interior fluminense, chegando pelo Rio Aldeia e, no seu porto, a produção encaixotada, para o transporte à Europa. Com isso, o seu crescimento foi tal, que chegou até mesmo a contar com uma vida cultural muito ativa, contando, inclusive com dois teatros, e um comércio muito bem estabelecido. Contudo, com a inauguração da Estrada de Ferro ligando a Cantagalo em 1860, e a Estrada de Ferro Carril Niteroiense, em 1874, ligando Niterói ( então capital da Província do Rio de Janeiro ) diretamente ao interior fluminense, viabilizando o escoamento mais vantajoso da produção cafeeira da região de Cantagalo e Nova Friburgo, o antigo entreposto de Porto das Caixas e a Vila de São João de Itaboraí entraram em declínio, em consequência da decadência do transporte fluvial, associado às epidemias e ao fim do trabalho escravo ( decretado em 1888 ), ocasionando grandes prejuízos aos fazendeiros itaboraienses.

Estação de Visconde de Itaboraí
Enquanto os portos fluviais entravam em decadência, a chegada da estrada de ferro à então vila de Itaboraí deu um certo alento ao comercio e à industria das olarias e cerâmica, permitindo o crescimento urbano e sua transformação de vila em cidade.
No século XX, depois de um período de declínio surge uma nova economia agrícola, que foi a laranja, que perdurou dos anos 20 até a década de 80. Cabe ressaltar que Itaboraí se tornou o maior produtor dessa cultura no Rio de Janeiro, e 2º no Brasil chegando até a ser conhecida por “Terra da Laranja”. Já a arte em cerâmica esteve sempre presente na cultura e na economia do município, sendo registrada entre os nossos índios, nos próprios engenhos, que possuíam pequenas olarias para confecção em argila dos invólucros para transporte de açúcar, cuja tradição se perpetuou pelo século XX, ampliada pela indústria cerâmica que recebeu novas tecnologias na década de 40, mecanizando a produção.
Após experimentar um período de destaque na produção de laranja durante boa parte do século XX A partir de 1929), vê-se mais uma vez o declínio, pois as terras já não mais produziam laranjas de boa qualidade (O motivo não era o fato das terras serem cansadas e sim os erros na técnica de plantio, no transporte e colheita e a falta de adubação, mostrando o caráter especulativo do empreendimento), e a indústria ceramista, antes aquecida, não buscou novas tecnologias que fossem mais eficazes, ou menos poluentes, perdendo mercado para outras regiões e estados do Brasil. Porém, ao contrário da laranja, não se extinguiu, mas de grande empregador em meados do século XX, resume-se hoje a umas poucas unidades, sendo que algumas se aprimoraram.)
O fato que ora descrevemos e a construção da ponte Rio-Niterói aceleraram o processo de urbanização em Itaboraí, que torna-se uma “cidade-dormitório”, a partir da década de 70, estimulando uma especulação imobiliária que criou novos problemas ambientais na região, pois as antigas áreas de plantações de laranja foram convertidas em loteamentos sem nenhuma infraestrutura urbana em praticamente todos os distritos (cabe lembrar que não haviam políticas públicas organizadas, ou definidas de zoneamento urbano, e nem leis muito claras, à época, diferentemente de hoje), e isso trouxe sérios problemas para o município, que hoje assume todo o ônus desse problema, inclusive chegou a ser considerado, uma região de baixo IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, como um dos municípios mais pobres do estado. Ainda hoje, Itaboraí tem boa parte de sua população empregada na capital, em Niterói, São Gonçalo e até em alguns municípios da Baixada Fluminense, mas vivemos uma inversão econômica com novos empreendimentos no município, transformando Itaboraí de satélite, ou dormitório, numa cidade pólo para pelo menos 12 municípios.

Vista parcial da localidade de Rio Várzea (ao fundo) no final da década 60 no século passado, bem diferente de hoje, 40 anos depois.
Mas uma outra forma de riqueza se tornou especialidade de Itaboraí durante toda a sua história: a de formar expoentes, seja na literatura, na política, ciências ou mesmo nas artes. E dentre eles podemos destacar José Leandro de Carvalho (1788-1834) que foi um grande pintor colonial, o dramaturgo João Caetano dos Santos ( 1808-1863); o primeiro Presidente da Província do Rio de Janeiro, Joaquim José Rodrigues Torres ( 1802-1873 ), o Visconde de Itaboraí; o sociólogo e jurista Alberto de Seixas Martins Torres ( 1865-1917 ); o romancista Joaquim Manoel de Macedo ( 1820-1882 ), autor de “A Moreninha” e o diplomata, escritor e acadêmico Salvador de Menezes Drummond Furtado de Mendonça ( 1841-1913 ).e Alberto Frederico de Moraes Lamego (1870-1951) — historiador.
Joaquim Manoel de Macedo
Agora, na primeira década do século XXI, uma nova mudança ocorre na região, que além do progresso e do desenvolvimento econômico com a instalação do Comperj – Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, um investimento de vulto que será construído numa área de 45 milhões de metros quadrados. A produção de resinas termoplásticas e combustíveis consolidará o Rio de Janeiro como grande concentrador de oportunidades de negócios no setor, estimulará a instalação de indústrias de bens de consumo que têm nos produtos petroquímicos suas matérias-primas básicas e irá gerar uma grande quantidade de empregos. Com isso, a história novamente se reescreve, colocando aquela mesma Itaboraí próspera do século XIX, na Itaboraí do novo milênio.
E imaginar que Itaboraí, de origem tão despretensiosa como uma parada de tropeiros, vê-se, com o passar do tempo, daquela dos grandes engenhos e portos, de grande influência econômica, e política no século XIX, e que cedeu ao Brasil grandes políticos, pensadores e artistas, e que agora, em pleno século XXI, volta a ser um oásis, e como sempre foi sua vocação, recebendo e abrigando pessoas de muito longe, que buscam novas oportunidades, e que trazem também, novas esperanças, e que ao escolher esta terra como sua terra, estão, com o seu bravo povo que amam a sua memória, construindo uma nova história.
Prof. Cláudio Rogério S. Dutra
Para entender a história de Itaboraí, é importante entender como se deu o povoamento de toda a região, e que a ocupação territorial foi condicionada a diversas variáveis, como a proximidade de rios navegáveis, como foi o sertão do Macacu, ou mesmo de fins catequistas, como foi a dos Jesuítas na região de Cabuçú e Itambi, ou a localizações estratégicas em rotas de tropeiros, como foi o caso de Itaboraí, o que também acabou beneficiando o desenvolvimento econômico com os grandes engenhos, dentre outras razões.
Ruínas do Convento de São Boaventura na antiga Vila de Santo Antônio de Sá
É no século XVI que se dá a ocupação dos “sertões do Rio Macacu” pelos colonizadores portugueses, pois em 1567 o fidalgo português Miguel de Moura recebeu uma sesmaria (grande extensão de terras) na planície do Rio Macacu (José Matoso Maia Forte - 1937). Entretanto, apesar da abertura de fazendas e engenhos de cana-de-açúcar na região*, o primeiro povoamento no Recôncavo da Guanabara foi a Vila de Santo Antônio de Sá, fundada em 1697, às margens do Rio Macacu.
*O ato de criação da vila de Santo Antônio de Sá seria uma mera curiosidade histórica não fosse o fato de que a descrição da solenidade constitui uma fonte rica de informações sobre a estrutura social que estava sendo criada no sertão do Macacu. Não só a maior parte das terras pertenciam a um grupo muito pequeno de indivíduos, como os laços familiares entre eles garantiam o controle das terras, fosse por casamento ou herança. Assim estavam presentes naquela solenidade membros das famílias dos Duque Estrada, dos Sardinha, dos Silva, dos Costa Soares, dos Pacheco e dos Azevedo Coutinho (às vezes escrito Azeredo Coutinho). Cada família era associada à uma parcela do território: por exemplo, os Azevedo Coutinho e os Sardinha eram donos de terras e engenhos em Itapacorá; os Sardinha também eram proprietários em Macacu e Guaxindiba, e assim por diante (Forte,1984).
A Vila de Santo Antônio de Sá, suas freguesias e povoados, experimentou um grande desenvolvimento econômico, parte por sua localização, tendo em toda região, entrepostos comerciais que recebiam, via escoamento fluvial, a sua produção; a da região serrana e interior fluminense, através de seus rios como o Macacu, Casseribu e Aldeia. Porém, anos de desmatamento desordenado, tornando as áreas aráveis em charcos, e o conseqüente assoreamento dos rios, não só foi destruindo o potencial produtivo, mas, também, cooperou na proliferação de mosquitos, vetores de doenças como a febre amarela e a malária, o que resultou, a partir de 1829 no início da extinção da Vila (então a mais atingida pelas doenças). As “Febres do Macacu” foram tão marcantes que nos anos que se seguiram, as pessoas evitavam retornar ao lugar, devido ao medo que se instalou (Num ofício ao Marquês de Caravelas, que era Ministro e Secretário dos Negócios do Império, em 25 de agosto de 1830, Francisco José Alves Carneiro, Juiz de Fora da Vila de Sto Antônio de Sá, fazia saber sobre a Vila já se encontrar quase deserta, contando, talvez, com meia dúzia de homens, levando-se em conta que a Vila chegou a contar com uma população de 19.000 almas.
Capela da Fazenda Itapacorá –Séc. XIX
Com relação ao povoamento de Itaboraí, ou Tapacorá, como a região era conhecida, nas crônicas “Reminiscências de Itaboraí”, do escritor e acadêmico Salvador de Mendonça, e publicadas no jornal “O Brasil, de 1907”, o autor fala o seguinte sobre Itaboraí:
“No século XVII, o governador Salvador Corrêa de Sá mandou abrir a estrada de Campos dos Goytacases a Niterói. Essa estrada passava pela colina de Itaboraí, caminho de Vila Nova e São Gonçalo. No alto da colina, à beira dessa estrada, havia uma fonte sob um bosque frondoso. Tornou-se esse lugar um ponto de parada para as tropas que por ali transitavam. Levantaram-se ranchos ao lado oposto da fonte, esses ranchos foram as primeiras casas itaboraienses. A fonte dera o nome ao lugar – ITABORAÏ que quer dizer “Pedra Bonita escondida na água”, e essa denominação nascera de haver no fundo da fonte, metido na pedra, um pedaço de quartzo que despertara a atenção dos índios do lugar.”
Defende-se que o altar-mor da igreja Matriz de São João fica exatamente sobre essa fonte, cujas águas foram encanadas, pela colina abaixo, até a “fonte da Carioca”, ao mesmo tempo que a igreja, e que ali ainda existe.
O surgimento do povoado se dá graças a essa parada de tropeiros que, em 1672, com a inauguração da Capela de São João Batista, por iniciativa de tropeiros, em substituição a antiga capela da fazenda do Iguá, erguida por João Vaz Pereira em 1622, que ficava em Venda das Pedras, recebendo, inclusive, os seus retábulos.
Como podemos perceber, já existiam engenhos pela região, conforme descrito acima na fundação da Vila de Santo Antônio de Sá. E esses engenhos de açúcar foram os responsáveis pelo desenvolvimento econômico de Itaboraí, sendo a principal atividade econômica do vale do Macacu-Casseribu na época colonial (séculos XVIII e XIX), constituindo grandes engenhos. E durante a maior parte do século XIX e até meados do século XX com a usina de Tanguá, permaneceu como parte da paisagem apesar de perder gradativamente sua importância econômica. Também é preciso lembrar que o açúcar foi durante séculos um dos produtos tropicais mais valorizados no mercado estrangeiro. Por isso mesmo tornou-se o principal produto de exportação das pequenas colônias luso-brasileiras que foram sendo implantadas na costa atlântica, logo que os primeiros colonizadores verificaram a aptidão de algumas terras ao seu plantio.
Outra região que se destacou muito foi o povoado de Porto das Caixas, então ligado a Santo Antônio de Sá, e que surgiu no início do século XVIII, cujo nome não vem do acaso, e sim, o fato de ter se tornado um importante entreposto comercial, sendo o responsável pelo escoamento da produção agrícola de nossa região e o interior fluminense, chegando pelo Rio Aldeia e, no seu porto, a produção encaixotada, para o transporte à Europa. Com isso, o seu crescimento foi tal, que chegou até mesmo a contar com uma vida cultural muito ativa, contando, inclusive com dois teatros, e um comércio muito bem estabelecido. Contudo, com a inauguração da Estrada de Ferro ligando a Cantagalo em 1860, e a Estrada de Ferro Carril Niteroiense, em 1874, ligando Niterói ( então capital da Província do Rio de Janeiro ) diretamente ao interior fluminense, viabilizando o escoamento mais vantajoso da produção cafeeira da região de Cantagalo e Nova Friburgo, o antigo entreposto de Porto das Caixas e a Vila de São João de Itaboraí entraram em declínio, em consequência da decadência do transporte fluvial, associado às epidemias e ao fim do trabalho escravo ( decretado em 1888 ), ocasionando grandes prejuízos aos fazendeiros itaboraienses.
Estação de Visconde de Itaboraí
Enquanto os portos fluviais entravam em decadência, a chegada da estrada de ferro à então vila de Itaboraí deu um certo alento ao comercio e à industria das olarias e cerâmica, permitindo o crescimento urbano e sua transformação de vila em cidade.
Após experimentar um período de destaque na produção de laranja durante boa parte do século XX A partir de 1929), vê-se mais uma vez o declínio, pois as terras já não mais produziam laranjas de boa qualidade (O motivo não era o fato das terras serem cansadas e sim os erros na técnica de plantio, no transporte e colheita e a falta de adubação, mostrando o caráter especulativo do empreendimento), e a indústria ceramista, antes aquecida, não buscou novas tecnologias que fossem mais eficazes, ou menos poluentes, perdendo mercado para outras regiões e estados do Brasil. Porém, ao contrário da laranja, não se extinguiu, mas de grande empregador em meados do século XX, resume-se hoje a umas poucas unidades, sendo que algumas se aprimoraram.)
O fato que ora descrevemos e a construção da ponte Rio-Niterói aceleraram o processo de urbanização em Itaboraí, que torna-se uma “cidade-dormitório”, a partir da década de 70, estimulando uma especulação imobiliária que criou novos problemas ambientais na região, pois as antigas áreas de plantações de laranja foram convertidas em loteamentos sem nenhuma infraestrutura urbana em praticamente todos os distritos (cabe lembrar que não haviam políticas públicas organizadas, ou definidas de zoneamento urbano, e nem leis muito claras, à época, diferentemente de hoje), e isso trouxe sérios problemas para o município, que hoje assume todo o ônus desse problema, inclusive chegou a ser considerado, uma região de baixo IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, como um dos municípios mais pobres do estado. Ainda hoje, Itaboraí tem boa parte de sua população empregada na capital, em Niterói, São Gonçalo e até em alguns municípios da Baixada Fluminense, mas vivemos uma inversão econômica com novos empreendimentos no município, transformando Itaboraí de satélite, ou dormitório, numa cidade pólo para pelo menos 12 municípios.
Vista parcial da localidade de Rio Várzea (ao fundo) no final da década 60 no século passado, bem diferente de hoje, 40 anos depois.
Joaquim Manoel de Macedo
Agora, na primeira década do século XXI, uma nova mudança ocorre na região, que além do progresso e do desenvolvimento econômico com a instalação do Comperj – Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, um investimento de vulto que será construído numa área de 45 milhões de metros quadrados. A produção de resinas termoplásticas e combustíveis consolidará o Rio de Janeiro como grande concentrador de oportunidades de negócios no setor, estimulará a instalação de indústrias de bens de consumo que têm nos produtos petroquímicos suas matérias-primas básicas e irá gerar uma grande quantidade de empregos. Com isso, a história novamente se reescreve, colocando aquela mesma Itaboraí próspera do século XIX, na Itaboraí do novo milênio.
E imaginar que Itaboraí, de origem tão despretensiosa como uma parada de tropeiros, vê-se, com o passar do tempo, daquela dos grandes engenhos e portos, de grande influência econômica, e política no século XIX, e que cedeu ao Brasil grandes políticos, pensadores e artistas, e que agora, em pleno século XXI, volta a ser um oásis, e como sempre foi sua vocação, recebendo e abrigando pessoas de muito longe, que buscam novas oportunidades, e que trazem também, novas esperanças, e que ao escolher esta terra como sua terra, estão, com o seu bravo povo que amam a sua memória, construindo uma nova história.
Prof. Cláudio Rogério S. Dutra
sábado, 20 de agosto de 2011
Buraco em frente a Igreja Nossa Senhora da Conceição
Um grande buraco está se formando em frente a Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Porto das Caixas, causada pela falta de manutenção do poder público e pelo grande Fluxo de carros e caminhões. O problema está trazendo transtorno para toda comunidade o que mais se vê são carros arrastando o fundo e quebrando no local. Quando chove forma uma grande poça d’água e as pessoas precisam passar correndo para não se molharem.
Lembrando que esta é a única pista de acesso, pois a pista lateral estar interditada a mais de dois anos, devido também a omissão e o abandono no qual está levando o desmoronamento do 1º Túnel Ferroviário do Brasil. Aguardamos uma solução do poder público!!! Pois não agüentamos mais tanto descaso!!!!
Escrito por Ramon Vieira
Escrito por Ramon Vieira
OPORTUNIDADE!!!! ABERTAS 1.489 VAGAS DE EMPREGO!!!!
Quem busca uma oportunidade de inserção no mercado de trabalho ja pode preparar o currículo e enviá-lo à consultoria Confiança RH. Esta semana, são oferecidas 1.489 oportunidades, distribuídas por cargos de todos os níveis escolares. Para concorrer, os interessados devem estar de acordo com a exigência estabelecida para a função.
Operador de telemarketing é o cargo que conta com maior oferta: 800, com exigência de nível médio completo, com atuação em Niterói e no Rio de Janeiro.
Para concorrer a uma das chances, os interessados devem enviar currículo por e-mail para curriculum@confiancarh.com.br, informando o nome do cargo pretendido no campo Assunto.
Fonte: Jornal O São Gonçalo
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Fonte: Jornal O São Gonçalo
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