sexta-feira, 22 de junho de 2012



FAMÍLIAS DA VILA PORTUENSE NA CÚPULA DOS POVOS - RIO + 20 LUTANDO POR MORADIAS DIGNAS. 

COMISSÃO DE FAMÍLIAS DA VILA PORTUENSE PARTICIPAM DA CÚPULA DOS POVOS E DA RIO + 20, MAIOR EVENTO MUNDIAL ONDE LIDERES DE TODA PARTE DO MUNDO DISCUTEM O FUTURO DE NOSSO PLANETA.

O DIREITO A MORADIA DIGNA TAMBÉM FAZ PARTE DESTE CENÁRIO. UM PLANETA SUSTENTÁVEL VAI MUITO ALEM DO QUE TERMOS RIOS E FLORESTAS PRESERVADOS.

O EVENTO FOI MUITO IMPORTANTE PARA DISCUTIR E DENUNCIAR O ABANDONO E A LENTIDÃO QUE AS OBRAS DO PAC DE PORTO DAS CAIXAS - ITABORAÍ, ESTA PASSANDO, COLOCANDO EM RISCO AS CASAS DE MAIS DE 600 PESSOAS.

QUEREMOS UM PLANETA MELHOR, JUSTO E IGUALITÁRIO PARA SE VIVER, E PARA ISSO SE TORNAR REAL É PRECISO LUTAR. TEMOS QUE COMEÇAR ESTA MUDANÇA DENTRO DE NOSSAS CASAS, DENTRO DE NOSSO BAIRRO, MUNICÍPIO E ASSIM POR DIANTE. AS COISAS NÃO CAÍRAM DO CÉU, PRECISAMOS LUTAR. E VALE LEMBRAR AS SABIAS PALAVRAS ´´QUANDO OS BONS NÃO LUTAM O MAL TRIUNFA``.

RAMON VIEIRA

Caras de pau ou amnésia cerebral???



Por Ramon Vieira

É muito engraçado como age o prefeito e os vereadores de Itaboraí, passam três anos e seis meses, sem colocarem os pés dentro das comunidades, e aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, próximo das eleições, aparecem desesperados procurando um e procurando outros, fazendo obras, as famosas eleitoreiras para enganar e tentar diminuir as suas grandes rejeições diante da população.

Na contra mão deste fato, FINGEM esquecer dos problemas que as comunidades passam durante todo este período como o abandono dos postos de saúde, do esgoto a céu aberto, da falta de pavimentação, da falta de área de lazer, do aumento da violência e das inúmeras e inúmeras promessas não cumpridas.

Estamos cansados de ser vistos como números, a população desta cidade precisa ser tratada com mais respeito. E lembrando que as melhorias que os bairros necessitam não é nenhum ato de favor, é sim obrigação daqueles que se colocaram para representar a população. Infelizmente a amnésia política ronda as cabeças dos representantes desta cidade.

sábado, 16 de junho de 2012

O pouco caso e a incompetência provoca acidentes e tira vidas!!!

Por Ramon Vieira

A incompetência provoca acidentes e tira vidas. Um buraco enorme na chegada de Porto das Caixas, quase em frente ao Santuário e o antigo posto de gasolina, alem de destruir os automóveis coloca muitas vidas em risco. O buraco fica após uma fechada curva pegando os motoristas de surpresas.

Vários carros já ficaram quebrados no local, hoje o pior aconteceu, um motociclista perdeu o equilíbrio quando foi surpreendido pelo buraco e caiu violentamente, graças a Deus e a prudência do condutor o pior não aconteceu, pois o mesmo estava de capacete.

Este acidente já era mais do que anunciado, alem do buraco, o poste que fica em frente esta com defeito, aumentando o perigo devido a escuridão no local.


Este acidente é reflexo do abandono que nosso bairro e nosso município esta passando. A falta de transparência e investimentos em infra-estrutura tem provocado inúmeros acidentes e tirando vidas município a fora.  



Outra tragédia anunciada, e que a prefeitura de Itaboraí parece fazer vista grossa, é o desmoronamento do prédio comercial no centro de Porto das Caixas, que tem colocado a vida das pessoas em risco, principalmente das crianças que passam por ali nos horários de entrada e saída da escola e também dos turistas e romeiros que vão visitar a Igreja Nossa Senhora da Conceição. A pergunta que fica é se o Prefeito Sergio Soares esta esperando mais esta tragédia???

Ramon Vieira

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Prefeitura começa a retirar placas após determinação da Justiça


Ministério Público Eleitoral determinou a remoção das peças de propaganda de obras do governo na Av. 22 de Maio, após série de reportagens feitas por O Itaboraí. Alegação é de propaganda antecipada
Vinícius Rodrigues - O Ministério Público Eleitoral (MPE) concedeu na última sexta-feira o prazo de 72 horas para a Prefeitura de Itaboraí retirar as placas de propaganda institucional que estão por toda a Avenida 22 de Maio, no Centro da cidade. Ontem, funcionários da prefeitura iniciaram a remoção das peças.

O juiz da 104ª Zona Eleitoral (Itaboraí), responsável pelo julgamento de representações sobre propaganda na cidade, Antônio Carlos Maisonnette Pereira, concedeu liminar em favor do Ministério Público Eleitoral, que pediu a retirada das placas sob a alegação de que elas representavam propaganda eleitoral antecipada. O prefeito Sérgio Soares, que governa desde 2009 através de liminar – que então suspendeu sua inelegibilidade e validou os votos que ele recebeu nas eleições de 2008 –, tenta a reeleição este ano.

Segundo o cartório da 104ª, o chefe do Executivo municipal foi notificado a retirar as placas, com prazo de 48 horas para apresentar defesa no processo. A Prefeitura não poderá ainda colocar nenhuma propaganda similar na cidade até o julgamento final do caso. Sérgio Soares poderá ainda ser multado. Em março passado o cartório da 151ª Zona Eleitoral (Itaboraí), responsável pela fiscalização da propaganda eleitoral, apresentou denúncia ao MPE com fotos das placas e matérias publicadas por O Itaboraí.

Ainda segundo o Ministério Público, as placas violariam o artigo 37 da Constituição Federal, em seu parágrafo 1º, que diz que “a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”. Também de acordo com o MP, propaganda institucional em ano eleitoral é proibido por lei.

O artigo 37 diz também que a infração à lei significará improbidade administrativa e a punição. “Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível”, diz o texto.

Fonte: Jornal O Itaboraí

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Justiça do Rio suspende direitos políticos da deputada Inês Pandeló acusada de desviar salários de funcionários



O TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) suspendeu por cinco anos os direitos políticos da deputada estadual Inês Pandeló (PT), denunciada pelo Ministério Público pelo crime de improbidade administrativa em processo que corre na 14ª Vara de Fazenda Pública da Capital. A ré ainda pode recorrer da sentença.
A decisão seguirá para o colegiado do TJ e deve ser publicada no Diário Oficial do Judiciário até a semana que vem. A parlamentar, acusada de reter até 68% dos subsídios de seus assessores que atuam no município de Barra Mansa, na região sul fluminense, também será obrigada a restituir quantia equivalente aos cofres públicos.
As denúncias foram feitas pelo jornal "Aqui", de Barra Mansa, e deram origem a uma ação civil pública acolhida pelo Ministério Público. Segundo a denúncia do órgão, depoimentos de pelo menos oito assessores da deputada estadual dão conta de que ela os obrigava a repassar uma parte dos rendimentos dos funcionários.
Foram anexadas ao processo cópias dos extratos bancários da petista, mas os valores não foram divulgados pela Justiça. O argumento utilizado por Inês Pandeló era o de que a verba seria utilizada para manutenção de um centro social, para custear atividades de campanha eleitoral, entre outros fins.
"A testemunha é clara ao indicar que parte de seu salário era revertido para a conta corrente de acesso da ré, e a quantia era para benefício da própria requerida. Assim, ficou evidenciado o dano ao patrimônio público", afirmou a juíza Neuza Larsen de Alvarenga Leite no texto da decisão.
"A suspensão dos direitos políticos também deve ser deferida, pois a conduta da ré não se coaduna com a moralidade e legalidade que o cargo exige", completou a magistrada.
A defesa de Inês Pandeló afirmou que a deputada recorrerá da decisão com a estratégia de solicitar a nulidade da sentença.

terça-feira, 29 de maio de 2012

PORTO DAS CAIXAS DESMORONANDO!!!!


      NÃO AGUENTAMOS MAIS TANTO DESCASO


Porto das Caixas desmoronando, esta faixa representa muito bem a realidade de abandono, descaso e falta de respeito com as pessoas deste bairro e deste município, como escrevi em outro artigo, tirando o centro de Itaboraí, todo os outros distritos estão largados e abandonados. Porto das Caixas é o reflexo do que ocorre em toda cidade, falta de pavimentação, transporte precário, esgoto a céu aberto, aumento da violência, falta de áreas de lazer etc, etc, etc.

Recentemente a prefeitura de Itaboraí iniciou uma obra no Centro de Porto das Caixas, onde as calçadas foram quebradas e parte dos barraqueiros, que vendiam artigos religiosos e outros produtos, sofreram pressão para sair, lembrando que as barracas mesmo que precárias fazem parte do contesto turístico deste bairro, os comerciantes estão naquele espaço a mais de quarenta e cinco anos, o que esperávamos, como foi anunciado, era a construção de um espaço para acomodar estes trabalhadores para que os mesmos pudessem trabalhar dignamente e ganhar o seu pão de cada dia, e não foi desta forma que o governo desta cidade procedeu.


E para piorar, as obras estão a meses paradas, será que o prefeito esta aguardando chegar mais próximo das eleições para reiniciar? Estamos cansados desta politicagem mesquinha e imbecil, enquanto isso as calçadas continuam todas quebradas, incomodando a comunidade o comercio e os romeiros que visitam a Igreja Nossa Senhora da Conceição, e a população... mais um vez esquecida. ISTO É UMA VERGONHA!!!!      

Autor: Ramon Vieira

sábado, 26 de maio de 2012

A POPULAÇÃO É VISTA COMO NUMEROS


TRISTE FATO

É muito engraçado como agem o prefeito e os vereadores de Itaboraí, passam três anos e seis meses, sem colocarem os pés dentro das comunidades, e aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, próximo das eleições, aparecem desesperados procurando um e procurando outros, fazendo obras, as famosas eleitoreiras para enganar e tentar diminuir as suas grandes rejeições diante da população. Na contra mão deste fato, FINGEM esquecer dos problemas que as comunidades passam durante todo este período como o abandono dos postos de saúde, do esgoto a céu aberto, da falta de pavimentação, da falta de área de lazer, do aumento da violência e das inúmeras e inúmeras promessas não cumpridas.

Dentro desta triste conjuntura está também o então atual vereador Levi do Mercado que teve só em Porto das Caixas expressivos votos, digo expressivos atos de confiança, e que após o pleito eleitoral o cara não mais foi visto neste distrito. Mais coincidentemente, como disse acima, a menos de quatro meses das eleições, o bom moço ronda novamente a comunidade de Porto das Caixas.

Estamos cansados de ser vistos como números, a população desta cidade precisa ser tratada com mais respeito, o que ocorre aqui em Porto das Caixas é o que acontece em todo o nosso município. Itaboraí está largada e abandonada.

E as melhorias que os bairros necessitam não é nenhum ato de favor, é sim obrigação daqueles que se colocaram para representar a população. Infelizmente a amnésia política ronda as cabeças dos representantes desta cidade.

Autor: RAMON VIEIRA

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Janira Rocha - Contra trem da Alegria do MP


A deputada Janira Rocha (PSOL) votou contra o projeto de lei do Ministério Público (MP) estadual que cria 180 cargos de confiança na estrutura administrativa da instituição. A proposta porém, foi aprovada pela Assembleia Legislativa (Alerj), nesta quarta-feira (16/05), por 39 votos a três, graças a pressão da bancada governista. Além de Janira, o deputado Marcelo Freixo (PSOL) também votou contra o projeto. Em sua declaração de voto, Janira criticou a medida do Ministério Público. Utilizando dados  apurados por sua assessoria, a deputada mostrou que, desde 2007, quando se iniciou o governo de Sérgio Cabral, o MP já criou 505 cargos comissionados, Desse total, 365 são de assessores de promotoria. No mesmo período, foram empossados apenas 28 promotores, o que dá 13 assessores por promotor,
Para Janira, o MP deveria cumprir a Constituição, priorizando os servidores concursados. "O Art. 37 da Constituição é claro ao falar da importância do concurso público para garantir os princípios da igualdade, da moralidade, da impessoalidade. Existe a exceção do inciso V, que fala dos cargos comissionados. É importante ver as discussões que são feitas no Supremo em relação à proporcionalidade que tem que existir entre os cargos comissionados e os que são criados por concurso público", disse Janira.
A deputada lembrou que o Ministério Público, muitas vezes, questiona na Justiça órgãos públicos, especialmente prefeituras, que criam cargos de comissão formando verdadeiros trens da alegria. Para Janira, o questionamento é correto. Por isso, o MP deveria seguir a Constituição e privilegiar os concursos públicos na contratação de pessoal.


terça-feira, 15 de maio de 2012

O governo paralelo de Cachoeira em Goiás


Um balanço dos depoimentos dos delegados das operações Vegas, Raul Alexandre Marques, e Monte Carlo, Matheus Mella Rodrigues, à CPMI do Cachoeira mostra para onde essas investigações podem ir, pois eles nada mais fizeram do que reproduzir o que está na íntegra dos inquéritos que comandaram.

O deputado Chico Alencar, que participa da comissão na qualidade de líder do PSOL, chama a atenção para um fato: existem nada menos que 60 números em série de aparelhos Nextel, relação que a Polícia Federal ficou de enviar à CPMI, assim como das pessoas que ligavam para esses números.
A verificação desses nomes é fundamental para se definir nível de vínculo com a organização, pois tais aparelhos, habilitados nos EUA e supostamente à prova de monitoramento e grampos, eram “exclusivos para a diretoria”.
Usuários checavam habitualmente a “blindagem” das conversas sobre seus negócios escusos: “É seguro mesmo? Posso falar?”
Ainda está em análise, por peritos, material de “malotes” originário de 28 locais de busca, com cerca de 150 mídias: CDs, DVDs, pen drives, notebooks. Novos indícios, nomes e vínculos com a organização criminosa ainda podem surgir.
Pelo que a Polícia Federal descobriu, a organização criminosa de Cachoeira inicialmente explora jogos ilegais e, mediante propina, monta rede de proteção “oficial”, envolvendo policiais civis, militares e federais, além de apoio político e busca de influência na Justiça.
A base inicial em Anápolis expandiu-se para Goiânia, Brasília e vários estados. Valparaíso e Águas Lindas eram chamadas pela organização e usuários de “Las Vegas do entorno”.
Detectada, na investigação, prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, contrabando, evasão de divisas, sonegação fiscal, violação de sigilo funcional, formação de quadrilha.
Entre autoridades públicas vinculadas à organização, segundo os delegados, são corriqueiros o tráfico de influência e a exploração de prestígio.
O faturamento bruto médio por casa de jogos era de R$ 1,2 milhão por mês, montante que no fim de ano subia para R$ 3 milhões. O Capo Cachoeira fica com 30% do lucro (assim como famiglia Quiroga, do ‘entorno’).
A Polícia Federal identificou que, em parceria com a empreiteira Delta Construções, se promoveu um projeto de diversificação de atividades.
O dinheiro das atividades ilegais era depositado em contas-correntes de empresas em nome de laranjas: J.R. Construções, Alberto e Pantoja e Brava Construções. Com todo mês uma nova empresa de fachada sendo aberta: empresa laranja no Uruguai; Souza Ramos Corporation nas Ilhas Britânicas. É necessária investigação detalhada sobre cada uma delas.
Cachoeira tirou seu nome do quadro societário das empresas, só ficando com uma. Sua declaração de Imposto de Renda, em vista dos seus multinegócios “empresariais” e dos recursos de que dispunha e ostentava, é pífia.
Mas a disparidade entre a declaração e os gastos não é considerada crime, o que deve mudar na reforma do Código Penal.
A empreiteira Delta fazia depósitos sistemáticos e frequentes nas contas das empresas de laranjas da organização criminosa. O diretor de Goiás da empreiteira, Cláudio Abreu, que está preso, tinha conversas diárias e diversas com Cachoeira: “eram sócios em tudo”.
Para a Polícia Federal, a tese de que Abreu fazia negócios sem conhecimento da direção da Delta é impossível. Há indícios de que ele reportava-se a seus colegas da direção da empresa, entre eles, Fernando Cavendish, envolvendo-a diretamente nos negócios da organização. Delta e Cachoeira aparecem nas investigações entrelaçados, em parceria societária oculta crescente.
Os contatos e referências da organização criminosa envolveram empresários, jornalistas (“setor” de comunicação era importante para ela) e agentes públicos de níveis municipal, estadual e federal, como secretários, prefeitos, vereadores, deputados estaduais, distritais, federais, ministros (também de tribunais superiores), funcionários de agências reguladoras e assessores. Eram as “pessoas politicamente expostas”.
Inequivocamente, a autoridade pública mais íntima da organização era o senador Demóstenes Torres. “Ao angariar contratos para Delta no Centro-Oeste e em outras áreas do país, ele tornava-se sócio oculto da empresa”, informa a Polícia Federal.
“Colocava-se sempre à disposição para usar sua influência política, em todas as esferas de poder, em favor dos negócios da organização”. Cachoeira tinha grande articulação política, “suprapartidária”, procurava influenciar vários detentores de mandatos.
Também se movimentava no campo eleitoral, discutindo candidaturas, sugerindo nomes e tratativas entre potenciais candidatos, em especial com o senador Demóstenes Torres.
Os vínculos políticos e a proteção policial mediante suborno davam a Cachoeira a sensação de intocabilidade: “Todo mês falam que estão me investigando, vão me pegar... e nada acontece”, comentava no telefone Nextel supostamente inviolável.
Até aqui, o governo de Goiás, do tucano Marconi Perillo, foi aquele sobre o qual a organização criminosa mais ampliou seus tentáculos, podendo se falar mesmo, segundo a Polícia Federal, de um “governo paralelo”: até o corregedor da Secretaria de Segurança Pública era do esquema.
A Organização tinha “cota” de indicações políticas no governo. O governador Marconi Perillo, citado 237 vezes em conversas, teve encontros diretos com Cachoeira, tratava-o amistosamente e vendeu sua casa para o próprio, recebendo cheques assinados por Leonardo Ramos, sobrinho do capo.
As investigações mostram também intensas gestões para negócios com o governo do Distrito Federal, através de busca de contratos, legalização de terras (Ibran, Terracap, Incra) e outros “serviços”.
Não foi detectado, até aqui, qualquer diálogo do governador petista Agnelo Queiroz com Cachoeira, mas há, porém, gestões de intermediários para que Agnelo e Cachoeira se encontrassem e indícios de que os encontros podem ter ocorrido, mas não havia autorização para investigação e eventual registro.


Merval Pereira, O Globo



segunda-feira, 7 de maio de 2012

No maranhão, miséria e culto aos sarney


Educação, só na fachada
 
Maranhão tem 161 escolas com nome dos Sarney, mas 61% dos moradores não têm ensino básico

No ano em que foi declarado patrono da educação brasileira, Paulo Freire (1921-1997) ficou menor no Maranhão. Por decisão da Secretaria estadual de Educação, o nome do educador será apagado da fachada do prédio anexo de uma escola pública de Turu, bairro de São Luís. Em seu lugar, será pintado o novo nome da escola: Centro de Ensino Roseana Sarney Murad. Os uniformes dos alunos já foram mudados.
No Maranhão, o sobrenome Sarney já está em 161 escolas, mas a mudança em Turu não deve ser interpretada apenas como mais um sinal do culto à família de Roseana. Para a direção da escola, o importante é ter a certeza de que o nome da governadora pintado na fachada atrairá mais recursos e outros paparicos da administração central de um estado onde 61% das pessoas, com 10 anos de idade ou mais, não chegaram a completar a educação básica (de acordo com dados do Censo 2010). Isso é sarneísmo, movimento político liderado pelo senador José Sarney (PMDB), que comanda o Maranhão há quase cinco décadas.
- Sarney nem mora aqui. Seu controle só é ativado em momentos muito específicos - disse o professor Wagner Cabral, do Departamento de História da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Sarneísmo, uma história de 47 anos
Reportagem publicada ontem no GLOBO revelou a existência de uma rede de falsas agências de turismo que fornece mão de obra barata, arregimentada no interior do Maranhão, para a lavoura de cana-de-açúcar e para a construção civil do Sudeste e do Centro-Oeste. Para os especialistas ouvidos pelo jornal, o fenômeno é resultado de uma perversa combinação de fatores, da má distribuição da terra à tragédia educacional no estado, todos fortemente associados ao sarneísmo.
Desde 1965, quando José Sarney (PMDB) assumiu o governo maranhense, o grupo do atual presidente do Senado venceu dez eleições para governador, chefiou o Executivo local por 41 anos e só perdeu o controle político do estado em duas ocasiões: quando o aliado e então governador José Reinaldo Tavares rompeu com o sarneísmo, em 2004, e dois anos depois, quando Jackson Lago (PDT) derrotou sua filha e herdeira política, Roseana, que concorria ao terceiro mandato de governadora. Mesmo assim, por pouco tempo: em 2009, Lago teve o mandato cassado por compra de votos.
O sarneísmo é um movimento diferente de outras correntes políticas, como o getulismo ou o brizolismo. Não se sustenta na adoração da figura do líder e nem tem uma base popular. Em lugares como Codó, Timbiras e Coroatá, cidades a 300 quilômetros de São Luís, que formam uma espécie de enclave do trabalhador barato no interior do estado, só se vê o nome Sarney em prédios públicos. Todavia, a cada abertura das urnas eleitorais, a família reafirma um poder que nem a estagnação econômica foi capaz de ameaçar.
- De um lado, Sarney é homem de ligação com o governo federal. Tem poder em Brasília por ser uma peça fundamental no jogo da governabilidade. De outro, mantém as prefeituras de pires na mão - sustenta Wagner Cabral.
- Ele fala por uma questão ideológica e política. Sarney proporcionou um salto de progresso no estado. Os fatos históricos são diferentes - rebate o jornalista Fernando César Mesquita, porta-voz de Sarney.
No Maranhão, a força do sarneísmo está na pequena política. Quando descobriu que a escola Paulo Freire, onde trabalha, seria rebatizada com o nome da governadora, a professora Marivânia Melo Moura começou a passar um abaixo-assinado para resistir à mudança. A retaliação não demorou:
- A direção ameaçou transferir-me - disse a professora, que mora no mesmo bairro da escola e vai de bicicleta ao trabalho.
A Secretaria de estado da Educação alega que o anexo da escola Paulo Freire mudou de nome porque foi incorporado à estrutura, já existente, do Centro de Ensino Roseana Sarney Murad, "devido à necessidade de uma estrutura organizacional, com regimento, gestão e caixa escolar próprios, no referido anexo".
O Maranhão, onde quase 40% da população é rural, é uma espécie de campeão das estatísticas negativas. Enquanto o Brasil tem 28% de trabalhadores sem carteira assinada, o percentual no estado supera os 50%. Na relação dos 15 municípios brasileiros com as menores rendas, listados pelo IBGE, nada menos do que dez cidades são maranhenses. O chefe do escritório regional do Instituto, Marcelo Melo, acrescenta ainda que apenas 6% dos maranhenses estudam em cursos de graduação, mestrado e doutorado. Separados, os números já assustam. Se combinados, o efeito é devastador.
- O resultado desses índices de qualificação é uma mão de obra de baixa qualidade.
O professor Marcelo Sampaio Carneiro, do Centro de Ciências Sociais da UFMA, explicou que a estrutura do mercado de trabalho no Maranhão possui duas características principais. A primeira é a elevada participação do trabalho agrícola no conjunto das ocupações, com destaque para os postos de trabalho gerados pela agricultura familiar. Por conta de diversos fatores, ele disse que tem havido uma forte destruição de postos de trabalho nesse setor. De acordo com o Censo Agropecuário, em 1996 existiam 1.331.864 pessoas ocupadas no campo maranhense; em 2006 esse número baixou para 994.144 pessoas. Isso explica, por exemplo, o arco de palafitas miseráveis que cerca o centro histórico de São Luís.
A segunda é a inexistência de ramos industriais dinâmicos que consigam absorver essa oferta de mão de obra, já que a principal atividade industrial no Maranhão é o beneficiamento primário de produtos minerais, como a fabricação de alumínio e alumina pela Alumar e a produção de ferro-gusa por pequenas unidades fabris instaladas ao longo da Estrada de Ferro Carajás. Por esse motivo, o estado, que nos anos 50, 60 e 70 do século passado recebia migrantes, passou, a partir dos anos 1980, a exportar mão de obra. E nem mesmo a sistemática transferência de recursos, via programas sociais, foi suficiente para deter esse esvaziamento:
- A transferência de renda pode até livrar as famílias da fome, mas não é capaz de dinamizar a economia da região - disse Carneiro.

Autor(es): agência o globo
O Globo - 07/05/2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Retratos do progresso – Insatisfação toma conta do Comperj


Tensão e incerteza. Essas podem ser as palavras básicas para definir o clima que tomou conta dos canteiros de obras do Comperj, em Itaboraí. O maior empreendimento do Brasil, com investimentos superiores a R$ 14 bilhões, tem merecido destaque na mídia por conta de denúncias inimagináveis para uma obra deste porte: falta de alojamentos adequados, alimentação ruim, descumprimento de “baixas de campo” (folga a trabalhadores de outros estados), salários desiguais para mesmas funções e agenciamento pelos chamados “gatos”, comuns nos flagrantes de trabalho escravo na zona rural, como mostra matéria publicada no jornal O Globo.

Por conta dos desmandos e da falta de entendimento, que têm gerado um clima de instabilidade, a presidente Dilma Rousseff e a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster decidiram demitir três diretores da estatal, na última quarta-feira (25/04). O Secretário de Desenvolvimento do Estado do Rio, Júlio Bueno, afirmou que as obras do Comperj custarão mais que o dobro do previsto, o que gerou uma denúncia no Ministério Público por parte do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ).

Os trabalhadores estão em greve por melhores condições de trabalho, salários dignos e alimentação adequada. Não é a primeira vez que cruzam os braços este ano. Pelo contrário, a categoria vem promovendo sucessivas paralisações, sempre acompanhadas de manifestações junto à população, como caminhadas pelas ruas principais do município. Mas nada parece sensibilizar a classe patronal e os acordos nunca chegam a um denominador comum.

A exemplo de outros empreendimentos de grande porte, o Comperj atraiu para Itaboraí oprários dos mais diversos pontos do país. Essas pessoas chegaram ao município e tiveram que se instalar por conta própria, segundo relatos. Muitos são obrigados a viver em cidades vizinhas. Enquanto isso, os itaboraienses, sem qualificação ou experiência, continuam sem trabalho. Na porta do Sine, as reclamações são sempre as mesmas, com muita gente em busca de oportunidade, mas com poucas possibilidades de aproveitamento. Confira, no trecho abaixo, publicado em O Globo:
Segundo Luiz Augusto Rodrigues, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Construção, Montagem, Manutenção e Mobiliário de São Gonçalo, Itaboraí e Região (Sinticom), os funcionários chamados por “gatos” — como são chamados os agenciados de mão de obra — são maioria nas obras do Comperj.

— As empreiteiras preferem gente treinada, acostumada com trabalho pesado, e trouxeram muita gente de fora para a obra. Essas pessoas estão tendo uma série de direitos desrespeitados, o que gera insatisfação e tensão — diz Rodrigues.

Na verdade, a cidade continua inchando, com a violência aumentando e o sossego indo embora. Não bastasse a vinda de centenas de trabalhadores de fora até do estado, a instalação de UPPs no Rio de Janeiro provoca a migração de traficantes para a cidade, o que piora bastante a falta de segurança. Basta ler as manchetes de jornais locais para constatar a veracidade da frase dita, recentemente, pelo delegado titular da 71 DP, Wellington Vieira: “ A cidade virou um barril de pólvora”.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

"Delta faz no país o que aprendeu no Rio", diz Marcelo Freixo



O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) se notabilizou por encarar embates célebres na área da segurança pública. Após presidir a CPI das milícias, ganhou prestígio até no cinema ao inspirar o professor Fraga do "Tropa de Elite", de José Padilha. As brigas que compra lhe renderam o maior aparato de segurança da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A da vez são as relações da construtora Delta, que está no epicentro da CPI do Cachoeira, no Congresso Nacional, com o poder público no Rio.
Em entrevista ao Valor, Freixo, que é pré-candidato à prefeitura da capital, revela o resultado de um levantamento que fez nos contratos entre a Delta e o governo estadual. Dos 58 contratos levantados com secretarias do Estado, 30 foram assinados em caráter emergencial. Somados, os contratos sem licitação totalizam R$ 206,8 milhões. A maioria é da Secretaria de Obras. A seguir, a entrevista:

Valor: Quando a Delta começou a chamar sua atenção?

Marcelo Freixo: Fiz no ano passado um requerimento de informação [feito em 22 de junho de 2011 ao governo do Rio sobre os contratos da Delta e do grupo EBX com diversos órgãos do Poder Executivo do Estado]. E até hoje a Assembleia Legislativa não publicou o requerimento. Eu e vários deputados assinamos.

Valor: A Assembleia dificultou a investigação?

Freixo: Vários deputados [sete] assinaram o pedido de esclarecimento sobre todos os contratos. Mas a Assembleia não quis nem publicar. Acho engraçado o governador vir a público dizer que acha ótimo que se investigue e que ele vai nomear um conselho, mas o conselho é feito só por funcionários dele. Por que não publica o nosso requerimento de informação e não responde a gente?

Valor: Quantos parlamentares da Assembleia estão na oposição nesse caso da Delta? Há a possibilidade de se instaurar uma CPI?

Freixo: É muito difícil. O governo tem ampla maioria. Geralmente, dos 70 [deputados] a gente consegue 14 ou 15 votos contra o governo. Então, você tem ali no máximo 20% dos parlamentares contra o governo. Uma CPI sobre isso é muito difícil. Seria fundamental que o Ministério Público e o Poder Judiciário se mexessem na sua função fiscalizadora, mas quando você vê o prédio do Judiciário ser reformado pela Delta, é difícil acreditar. Contratos [da Delta] com as secretarias dão quase R$ 1 bilhão. São R$ 932 milhões. Só com a Cedae até o ano passado eram R$ 627 milhões. Só que a Cedae, como entrou no mercado de ações, foi tirada do Siafem, que é o instrumento de controle. Isso é um absurdo. Os números mostram que a Cedae é campeã de contratos com a Delta. E ainda há a Delta envolvida em consórcios que são o Novo Operação (R$ 377,8 milhões), Acqua-Rio (R$ 104 milhões) e Maracanã (R$ 784,8 milhões).

Valor: E na prefeitura?

Freixo: Na prefeitura a Delta tem também a Transcarioca. Agora, olha quanto dá a Delta só no governo. Está chegando em R$ 3 bilhões. Isso são números de 2012 com os valores da Cedae desatualizados. E há uma quantidade enorme de contratos sem licitação [dos 58 contratos da Delta com as secretarias do governo, 30 foram assinados em caráter emergencial]. Desde a época do Garotinho há contratos. Tem contratos lá de 2001. Alguns são vergonhosos. Tem contrato no valor de R$ 24 milhões que teve R$ 185 milhões em aditivos [o contrato foi firmado com a Cedae]. E a lei diz que aditivos só podem ser de 25% do valor original dos contratos. No governo Garotinho era muito comum haver aditivos. No Cabral, isso muda. O problema na gestão Cabral não são os aditivos, é a dispensa de licitações. Há muitas com a Delta.

Valor: Se o Rio foi o Estado onde a Delta começou, por que nunca se investigou a empresa antes?

Freixo: É curioso porque você vê aquele escândalo do hospital federal da UFRJ [Hospital Universitário Clementino Fraga Filho] que envolveu Locanty, Rufolo, Toesa, aquelas empresas lá. A reação do governo foi "vamos cancelar todos os contratos com eles". Em relação à Delta, o governo tenta dizer que não precisa ter CPI. O governador vai para Brasília, o vice-governador se empenha para tentar não deixar ter CPI. É estranho, muda bastante a postura diante da denúncia. Por quê? Por que o governador não age dizendo "eu vou pegar todos os contratos com a Delta e vou torná-los transparentes para todo mundo olhar"? Eu desafio o governador a fazer isso. Se fizer, não termina em liberdade. É o mínimo que ele tinha que fazer diante de denúncias tão graves de corrupção envolvendo essa empreiteira.

Valor: Qual o valor dos contratos com a Delta que estão vigentes?

Freixo: No governo do Estado a Delta é a empresa que tem o maior número de contratos. Somam R$ 2,8 bilhões. Fora os da prefeitura. Aí o gabinete do [vereador do PSOL] Eliomar Coelho tem bastante informação. Porque é isso mesmo, é um projeto de governo que envolve o PMDB, então você pode ter diferenças de detalhes do governo para a prefeitura, mas a lógica é a mesma.

Valor: E há quanto tempo vocês estão em cima dessas relações do governo com a Delta?

Freixo: Tem muito tempo. A gente tem representação no Ministério Público, tem pedido de investigação, tem milhões de iniciativas. Mas a gente é minoria na Assembleia. Nesses casos, quando mexe diretamente com a estrutura do governo e pode ameaçar o governo há uma blindagem muito forte porque eles são maioria.

Valor: Blindagem na própria casa?

Freixo: Sim. Agora, o Ministério Público tem a função de fiscalizar. Não sei por que até agora não se pronunciou. Pelo contrário, quando se pronuncia é para dizer que arquivou. O Tribunal de Contas também tem funções claras de fiscalização. Nesse ponto acho que esses órgãos têm que se explicar.

Valor: O que o senhor sabe das relações do governador com o Fernando Cavendish, dono da Delta?

Freixo: Se essa cachoeira desembocar no Rio, vai ser difícil o Cabral dizer terra à vista. Eu acho, honestamente, que se a gente tiver uma mínima investigação sobre isso, esse governo não escapa. Porque essas relações pessoais são o primeiro fruto de um governador que não tem a mínima ideia de seu papel republicano. Então, nós temos um problema aí que tem a ver com a figura do próprio governador. Não sabe o seu papel. Fica buscando dizer que não é ilegal quando evidentemente é imoral. Não tem a dimensão do que significa estar no governo do Rio, não tem o preparo para isso. Por outro lado, essa é uma estrutura de corrupção de difícil controle, quando você tem um Ministério Público e um Tribunal de Contas que não fiscalizam e um governador que não vê problema em ir no jatinho de um empresário na festa de outro. Aquele episódio da Bahia só vazou porque acabou lamentavelmente com a morte das pessoas. Ele tinha viajado no avião do Eike Batista, que dá uma declaração à imprensa dizendo emprestar o avião pra quem quiser. Isso é verdade. O problema é o governador aceitar [em 17 de junho um helicóptero que transportava convidados para a festa de aniversário de Fernando Cavendish caiu no sul da Bahia. Entre os sete mortos estava a namorada do filho do governador]. Essas relações são muito ruins para o interesse público.

Valor: Como o senhor tem tentado encaminhar uma CPI no Estado?

Freixo: A gente pode até pedir CPI para marcar posição, mas o governo tem maioria ampla e a gente não consegue instaurá-la. Não é à toa que a Delta é a empresa que mais ganhou dispensa de licitações. Por quê? Eu não tenho a menor dúvida que a Delta faz fora do Rio o que ela aprendeu a fazer aqui. Não venha me dizer que a Delta tem determinadas práticas só fora do Rio, que no Rio ela sempre foi correta se a empresa começou aqui. Ela exportou o que aprendeu no Rio. É óbvio.

Valor: Que mudança houve entre os governos Garotinho e Cabral?

Freixo: Não mudou. Os contratos da Delta são de 2001 e vários dos contratos que começam com o Garotinho continuam recebendo aditivos no governo Cabral. Nos contratos a partir de 2010 vários já aparecem sem licitação. Já é governo Cabral. A Delta se torna uma grande empreiteira nas relações com o governo. Aproximou-se do governo para crescer. Antes era pequena.


Autor(es): Por Guilherme Serodio | Do RioValor Econômico - 30/04/2012

sábado, 28 de abril de 2012

Quase 1 milhão de alunos fora da sala de aula

Segundo o IBGE, em 2010, 966 mil crianças e jovens ficaram sem ir à escola. Situação mais preocupante está na Região Norte

Dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que cerca de 966 mil crianças e adolescentes, entre 6 e 14 anos, ainda estão fora da escola. Apesar de o número ser alto, em 10 anos, a redução nesta faixa etária foi de 5,5% para 3,3%, em comparação com o Censo 2000. Neste período, cerca de 2,5 milhões de novos alunos entraram na sala de aula. Porém, a comparação só é possível para a faixa 7 a 14 anos, porque a lei que fixou os 6 anos como idade para ingresso na vida escolar foi sancionada em 2006.

No contingente de adolescentes, de 15 a 17 anos, os números são mais alarmantes. Em 2010, 16,7% dos jovens não frequentavam a escola, porém também houve uma queda em relação ao levantamento do IBGE de 2000, onde 22,6% da população nesta faixa estavam fora da escola. No período entre um levantamento e outro, aproximadamente 290 mil jovens tiveram acesso à educação.

O coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, explica que as crianças de 6 a 14 anos fora da escola fazem parte de populações historicamente marginalizadas, como a rural, os quilombolas e os indígenas. O Ministério da Educação (MEC) informou que tem desenvolvido programas e ações efetivas, como a aquisição de lanchas e ônibus para o transporte rural, urbano, e melhoria da infraestrutura das escolas.

Os números também mostram que, em 2010, metade da população brasileira com 10 anos ou mais de idade não tinha instrução ou tinha somente o ensino fundamental incompleto. Segundo o IBGE, o número de pessoas nessa condição em 2000, era de 65,1% e caiu para 50,2% dez anos depois. No mesmo período, a quantidade de brasileiros que terminaram o ensino superior cresceu 80% — de 4,4% para 7,9%.

Ainda segundo os dados do Censo 2010, Acre, Roraima e Amazonas são os estados com maior número de crianças de 6 a 14 anos fora da escola — 8%. No outro extremo, Santa Catarina, com 2,2%, foi a unidade da Federação com menor índice. Este indicador também não ultrapassou os 2,5% em unidades como Minas Gerais, Distrito Federal, Paraná e Piauí. Já entre os jovens, o contingente mais elevado de adolescentes entre 15 e 17 anos fora da escola foi no Acre (22,2%), quase o dobro do percentual encontrado no Distrito Federal (11,6%), considerado o menor do Brasil.
Ensino médio

A maior crítica dos especialistas está nas políticas educacionais voltadas para o ensino médio. Entre as principais causas de evasão escolar na faixa etária estão: a gravidez precoce, a pouca atratividade para jovens que não vislumbram a possibilidade de acesso ao ensino superior, além da entrada precoce no mercado de trabalho. Para Daniel Cara, a má distribuição de escolas de ensino médio nos municípios brasileiros, bem como a falta de um projeto pedagógico interessante e recursos para instalação de novas redes também colaboram com os altos índices. "Seria necessário quase R$ 4 bilhões para assegurar a cobertura de escolas de ensino médio de qualidade. Mas faltam recursos", critica.

Autor(es): PAULA FILIZOLA  Correio Braziliense - 28/04/2012

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Delta abandona também a Transcarioca

Delta também desiste da Transcarioca
Empreiteira anuncia saída da obra; Andrade Gutierrez, que faz parte do consórcio, assume lote com 26 quilômetros

RIO E BRASÍLIA. Envolvida no escândalo desencadeado após a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, a Delta Construções deixará também o consórcio responsável pelo projeto da Transcarioca (corredor expresso de ônibus), que ligará a Barra da Tijuca à Ilha do Governador.
A decisão foi anunciada ontem pela prefeitura, um dia após a prisão do ex-diretor da empresa Cláudio Abreu, e de o empresário Fernando Cavendish deixar a direção da empreiteira. Na semana passada, a Delta já desistira do consórcio responsável pela reforma do Maracanã.

Com a saída da construtora da Transcarioca, conforme antecipou anteontem Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO, a Andrade Gutierrez, que também integra o consórcio, vai assumir o lote 1, que corresponde ao trecho de 26 quilômetros entre a Barra e a Penha.

O projeto está orçado em R$ 798 milhões, dos quais, 42% seriam pagos à Delta.
Em nota, a Andrade Gutierrez informou apenas que, "caso se confirmem os tramites legais para a saída da Delta, continuará a cumprir o contrato firmado com a prefeitura". O município disse que o prazo de entrega está mantido: dezembro de 2013. A Delta não comentou o caso.

A saída Delta do consórcio já havia sido informado ao governo estadual na semana passada.
Executivos da Andrade Gutierrez foram ao Palácio Guanabara e comunicaram ao governo a intenção de encerrar a parceria com a Delta no Maracanã e na Transcarioca. A Delta decidiu sair das grandes obras porque está com dificuldade para captar recursos após escândalo envolvendo o ex-diretor no Centro- Oeste Cláudio Abreu. Relatórios da PF mostram que Abreu seria sócio do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

No relatório a Delta é apontada como a principal financiadora das empresas fantasmas criadas por Cachoeira.

Coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ministra do PlanejamentoMiriam Belchior, disse ontem que o ritmo das licitações de novas obras não será afetado pela CPI do Cachoeira. Tentando descolar o governo dos problemas da Delta, que tem a maioria de contratos do PAC, disse que a situação financeira da empresa não a preocupa. Sobre risco de a Delta ser considerada inidônea, como pediu a Controladoria Geral da União, ou quebrar, a ministra disse: — Se isso vier acontecer (ser considerada inidônea), quando acontecer, vamos analisar o que pode ser feito. (Caso quebre) Isso é um problema da empresa, não do governo — disse. — As licitações (do PAC) vão ser lançadas no prazo previsto.


Fonte:O Globo

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Mar de lama - Sergio Cabral tentou abortar a CPI do Cachoeira.

Carlos Newton
Como dizia o cantor e radialista Henrique Fróes, conhecido como Almirante, é “incrível, fantástico, extraordinário”. No caso do governador Sergio Cabral, a notícia realmente é inacreditável e mostra até que ponto chegou a decadência política deste país.
A informação foi publicada com exclusividade por O Globo, sábado, na coluna do jornalista Ilimar Franco. Sob o sugestivo título de “Variável Delta”, revela que o governador Sergio Cabral teve a ousadia e a desfaçatez de tentar impedir a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar as ligações de Carlinhos com a classe política e também com empresários ligados à administração pública.
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VARIÁVEL DELTA
Ilimar Franco
O governador Sergio Cabral, na visita que fez a Brasília para o jantar de aniversário do PMDB, conversou com dirigentes nacionais do partido sobre a CPI do Carlinhos Cachoeira. Cabral queria saber da possibilidade de abortar a comissão e ouviu como resposta que a esta altura isso era inviável. Como a construtora Delta tem muitos contratos com o governo estadual, tendo recebido desde 2007 pagamentos de cerca de R$ 1,47 bilhão, seu temos é que a investigação transborde para o Rio.
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ENVOLVIMENTO DA DELTA
Já está mais do que comprovado o envolvimento de Cavendih com Cachoeira. O bicheiro  usou duas empresas de fachada — a Brava Construções e a Alberto & Pantoja — para movimentar R$ 39 milhões, entre 2010 e 2011. Os saques eram feitos pelo tesoureiro da quadrilha de Cachoeira, Giovane Pereira da Silva, e sempre um pouco abaixo de R$ 100 mil, que é o valor que obrigaria a comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Segundo os relatórios da Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal em 29 de fevereiro, o repasse do dinheiro foi feito pela Delta Construções.
O inquérito mostra que parte dos saques foi em período eleitoral: “113 saques em espécie entre 13/08/2010 e 18/04/2011”. Segundo os documentos, os supostos sócios da Brava e da Alberto & Pantoja são apenas “bonecos, montados para os fins da organização criminosa” e alguns desses sócios tiveram nomes modificados para criação de CPFs falsos.
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CÓDIGO DE CONDUTA ÉTICA
E Cabral ainda tenta defender o amigo Cavendish… A espantosa notícia de Ilimar Franco demonstra que o governador realmente não leu o Código de Conduta Ética, que mandou redigir para passar a saber o que é certo ou errado para um  homem público fazer, depois que surgiu o escândalo de suas ligações mais do que próximas com o empresário Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta, que é a favorita do governo estadual e também do governo federal.
Na verdade, Cabral não está defendendo apenas Cavendish, está defendendo também seu governo, um dos mais corruptos da história do Rio de Janeiro, e seu fiel escudeiro Pezão, o vice-governador que acumulou a Secretária de Obras em seu primeiro mandato, para tudo ficar odara, como diz Caetano Veloso. Eis a questão.

WAGNER MOURA CARTA ABERTA


Palavras do ator Wagner Moura sobre o Pânico na TV, em carta aberta, divulgada no globo.com:

“Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo. Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo “que coisa horrível” (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em que reagir é pior.

” O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice ”

O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.

” Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência ”

Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta! O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.

No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a “cagada” que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?"

quinta-feira, 19 de abril de 2012

PORTO DAS CAIXAS - DESPERDÍCIO E DESCASO NA DESCIDA DO BECO DO SILVA



Todo mundo vê, somente a Prefeitura de Itaboraí não enxerga, ou não quer enxergar. Um cano estourado já fazem quatro dias, jorra água sem parar, na descida da Rua Jose Silva, mais conhecido como Beco do Silva, aqui em Porto das Caixas. 

A prefeitura deste município vem seguindo a risca a lógica do descaso e do abandono,  não é de hoje que nosso bairro vem sofrendo com esta triste realidade, prefeitos e secretários desinteressados e  incompetentes só fazem nossos problemas se agravarem. Aqui em Porto das Caixas nem mesmo em época de eleição as coisas acontecem. 

Alem do absurdo desperdício, a água piora a situação da rua, que já esta em deploráveis condições.   
                          

Recentemente tivemos as obras de ampliação da subestação da CEDAE, também em Porto das Caixas, ao invés das coisas melhorarem, o que vem acontecendo é completamente o contrario, agora temos somente picos de distribuição de água, lugares como a Baixada e o Loteamento Jardim Porto das Caixas a água nem sequer chega nas torneiras. Outro grande problema é a qualidade da água, ela muita das vezes chega visivelmente sujas.  
De um bairro histórico a um bairro decaído, é triste afirma isto, as coisas só irão mudar quando a comunidade se unir e denunciar os problemas e estas corjas.    

Autor: Ramon Vieira




segunda-feira, 26 de março de 2012

Marcelo Freixo - Por detrás da revolta fardada


Marcelo Freixo - 15/03/2012

A recente eclosão de manifestações de servidores da segurança pública, no Ceará, na Bahia e no Rio de Janeiro, por melhores salários e condições de trabalho, não ocorreu por acaso. Um fator circunstancial acendeu o rastilho: a resistência governamental em promover a votação da PEC 300, que prevê, entre outras medidas, um piso único nacional. Isso não significa, no entanto, que tenha havido algum planejamento prévio articulado entre as categorias em movimento, embora as chances de que novas revoltas fardadas venham a acontecer em outros estados sejam reais. A insatisfação, afinal, não vem de hoje e só aumenta.

Há outros fatores circunstanciais por detrás dos recentes episódios de luta da categoria da segurança pública. Por exemplo, o relativo sucesso da recente movimentação dos bombeiros do Rio de Janeiro, a partir de meados do ano passado. Certamente pesa também na indignação desses profissionais uma notória contradição entre a propaganda oficial de prosperidade econômica nacional e estadual e a progressiva depreciação salarial da categoria, que, por sinal, sempre cumpriu seu papel a serviço dos interesses do Estado. Mas, por detrás do problema, há questões mais profundas e estruturais que precisam ser analisadas.

Fatores históricos, políticos e econômicos explicam o fato de serem recorrentes no país os movimentos reivindicatórios de salários e melhores condições de trabalho da categoria dos profissionais de segurança pública. Volta e meia há greves, paralisações, operações-padrão ou a ameaça de que ocorram.  A Bahia por mais de uma vez sediou algum tipo de manifestação desse gênero na última década, assim como o Ceará e o Rio de Janeiro. Houve também em Alagoas, em 1997. Em Minas Gerais, onde os movimentos eclodem com razoável frequência desde o início dos anos 90, mas, em 1988, no Estado de Minas, o coronel reformado Felisberto de Resende já alertava: “A polícia é disciplinada e sempre respeitou seus governantes, mas disciplina não casa com fome. Onde há fome não pode haver disciplina”. À acusação de quebra da hierarquia e da disciplina, a categoria policial militar, em especial, responde com a sua indignação perante a histórica resistência oficial em cumprir leis e até mesmo decisões judiciais relacionadas a reajustes salariais.

Fato é que a polícia nunca foi bem remunerada no Brasil. E o principal argumento governista sempre foi o da sua incapacidade orçamentária para atender a essa demanda. Há motivos de sobra para se suspeitar da veracidade dessa justificativa. Tal política orçamentária sinaliza a opção dos últimos governos por um determinado modelo de Estado que privilegia o mercado em detrimento da cidadania.

No caso do Rio de Janeiro, por exemplo, o governo fala da inviabilidade de conceder reajustes que resultariam em um impacto de R$ 1 bilhão no orçamento anual de R$ 61.96 bilhões em 2012. Mas esse mesmo governo concordou em conceder mais de R$ 50 bilhões em quatro anos (2007-2010) em isenções fiscais para empresas instaladas no estado. Carece de credibilidade o argumento orçamentário apresentado por um governo afetado gravemente pela corrupção e pela incompetência na gestão dos recursos públicos.

O histórico de salários baixos para a polícia é um dado relevante relacionado ao fenômeno dos movimentos reivindicatórios. Tais salários resultam de uma decisão política, não de contingência financeira. Têm muito mais a ver com as próprias condições militarizadas da origem e o propósito funcional das polícias.

O governo federal e o Congresso perdem, neste momento, a grande oportunidade de um debate mais sério e profundo sobre a necessidade de reforma completa das nossas polícias, a começar pela possibilidade de as polícias conviverem com a democracia interna. Não há como a polícia garantir a democracia nas ruas se, dentro da corporação, não há democracia. A polícia não pode ser a garantidora de um regime democrático se não convive com a democracia. Os códigos de obediência, os códigos de conduta a que responde até hoje, ainda são oriundos da ditadura militar. Enquanto essa realidade persistir, os movimentos reivindicatórios dos servidores da segurança pública carregarão também traços dessa cultura militar. E o debate que precisa ser feito sobre a democratização da polícia não se limita ao debate sobre o direito de greve. Este, por sinal, é um debate muito mais complexo. De qualquer forma, o que essa categoria não pode é perder o apoio da população em sua luta por dignidade.
Como não houve a transição para a democracia na área de segurança pública, isso se traduz na falta de uma cultura sindical, de representatividade, de participação. É indefensável essa concepção de polícia militarizada em pleno século 21, em um Estado democrático de direito.
No final do século 20, o viés conservador do processo de transição política do regime ditatorial para o Estado de Direito culminou com a vitória do autoritarismo no Brasil. Apesar de a Constituição de 1988 ter alterado as premissas gerais da ordem republicana com a normatização de uma série de princípios inovadores, o país manteve viva a mesma cultura militar que, desde os tempos da Corte portuguesa designa as instituições de controle social. Cultura que foi aperfeiçoada durante o período do Estado Novo e consolidada ao longo dos “anos de chumbo”. Apesar de todos os esforços empreendidos durante a década de oitenta, o movimento de democratização do país não conseguiu atingir nem o fetiche pela hierarquia nem a vocação bélica das agências de segurança pública do Brasil.

Essa visão militarizada de segurança pública promoveu no setor policial e penitenciário uma pauta de ações de controle dos espaços populares com o fim de neutralizar distúrbios públicos, gerir riscos disciplinares da pobreza e reafirmar a autoridade do Estado (em um momento em que a sua legitimidade é questionada em todas as outras esferas), tendo como base a sustentação de certos “mitos científicos” relacionados à política de segurança pública (entre os quais se destacam a teoria das janelas quebradas, a tese da tolerância zero, o discurso moralista da impunidade e a doutrina da guerra contra as drogas).
Sob a lógica de que a todo Estado mínimo corresponde um Estado penal, o governo passa a cumprir a função de controle penal do “refugo humano” descartado pelo projeto político hegemônico. No Brasil, de um legado bélico e autoritário construído durante a ditadura militar, o imaginário político brasileiro evoluiu para sonhos hiperbólicos de ordem pública, gerados por seus novos anseios governamentais.

Mesmo que purificados por outro vocabulário, os fantasmas da antiga Doutrina da Segurança Nacional continuaram a mobilizar as instituições de segurança pública. O alvo preferencial é jovem, negro e pobre e a ação policial se traduz em uma estatística mórbida. De acordo com o Mapa da Violência 2012, do Instituto Sangari, as taxas de homicídio no Brasil de 2010 foram em média duas vezes maiores para vítimas de cor negra, em comparação com os homicídios de brancos. Batizada de Choque de Ordem, a mesma política justifica ainda a repressão dos trabalhadores informais, como ambulantes, e a internação compulsória da população de rua.
A flexibilização das garantias legais, somada à privatização de serviços e setores fundamentais e à mutilação das redes de amparo social e assistencialismo público, permitiu ao Estado brasileiro assumir, paralelamente a seu “não-intervencionismo” econômico, um papel de governo cujo principal sintoma é a “expansão hipertrofiada” do setor penal-policial.
A atual política criminal brasileira surgiu, assim, de um berço cultural que havia herdado a violenta tradição militar desenvolvida durante os “anos de chumbo”, mas que agora também desejava uma renovada militarização das estratégias de controle social.  No final das contas, essa lógica produziu um modelo de Estado que funciona em estranha contradição.  De um lado, impera a vontade expressa de ampliar a potência de seus braços militares e, do outro, predomina um desprezo crônico pelos direitos dos servidores da segurança pública. Com isso, a cada dia que passa, as consequências políticas desse perigoso regime ficam cada vez mais evidentes.

O reajuste salarial que os servidores da segurança conseguiram obter com as recentes manifestações ainda está muito distante do grau de responsabilidade de suas funções públicas.  Não há um plano de carreira, muito menos uma base salarial digna.  Em geral, os governos estaduais continuam investindo em políticas de gratificações que servem apenas para dividir os setores e diluir as tentativas de coletivizar as demandas trabalhistas.  É preciso que os governos avancem nas negociações com os sindicatos e as associações para tentar solucionar esse vão que separa a realidade salarial da verdadeira importância dessas instituições.

Acima das questões salariais, o momento pede uma reflexão mais profunda. É preciso aproveitar essa oportunidade para repensar a formação, a capacitação e o treinamento das agências de segurança.  Pois além de uma remuneração indigna, essas instituições são mal preparadas para defender a ordem democrática.

A lógica que impera é a da necessidade de proteção da sociedade em situação de guerra. O que gera, logo de cara, três efeitos imediatos. Primeiro, um efeito político de gerenciamento da alteridade que se dá na produção do inimigo público e na difusão do medo popular frente ao grupo social criminalizado.  Em seguida, um efeito legal de reafirmação da soberania do Estado que, porém, coincide na suspensão dos direitos e no estancamento das liberdades para reassegurar a “segurança” e legitimar a militarização das ações governamentais. E, finalmente, um efeito estético de naturalização da violência gerado pela construção do olhar bélico que prega a urgência da defesa da sociedade acuada e é seduzido pelos espólios da vitória sobre o adversário.
Ou seja, a formação militar das agências de segurança pública fundou um olhar que se baliza na produção dos “territórios de risco” e na glorificação do combate armado contra o “inimigo”.  Desta forma, calcula-se que os despojos de ‘guerra’ — as armas, a morte do inimigo, o território — encontram-se muito acima, como supostos resultados, da proteção da vida.  Precisamos desnaturalizar essa visão ultrapassada de segurança e reinventar a formação dos policiais, bombeiros e agentes prisionais a partir de uma cultura pautada no marco dos direitos humanos.

Da mesma forma, os governos estaduais precisam garantir uma maior autonomia e independência administrativa das corregedorias e ouvidorias das agências de segurança pública.  O controle externo dessas instituições é imprescindível para fortalecer o caráter republicano do Estado.  Só assim poderemos avançar no aperfeiçoamento democrático de nosso país.
Mas, acima de tudo, é necessário haver uma mudança de paradigma.  Segurança pública não pode ser compreendida como sinônimo de polícia.  A polícia é um capítulo no debate da segurança pública, nada mais do que isso.  Sociedade segura não é a que tem muita polícia, mas a que garante perspectiva de vida a seus cidadãos.  Uma sociedade segura não é a que tem muita gente presa.  Se fosse assim, o Brasil já seria “um mar de segurança”, já que tem a terceira maior população prisional do mundo, com cerca de meio milhão de pessoas encarceradas. Uma sociedade segura é aquela que promove e garante os direitos humanos.  E isso não se faz com armas, não se faz com instrumentos de controle, pelo contrário, quanto mais se investe nisso mais se perde liberdade, que é o grande desafio que esse modelo dominante de desenvolvimento nos impõe.

Qual é nossa escolha entre segurança e liberdade? Até que ponto a gente vai continuar opondo esses dois conceitos como se fossem inconciliáveis? Então, são reflexões do que levou a sociedade a estar mais desmobilizada e os efeitos que isso tem sobre a segurança pública de hoje são visíveis: grades, câmeras, instrumentos de proteção particular em número e diversidade cada vez maior. Tudo isso se transformando na ideia de que a segurança pública se faz de forma privada. Esse, evidentemente, é um grande equívoco de nossa parte.
Outra reflexão necessária se refere ao papel que os setores progressistas desempenham. Hoje, o debate sobre segurança pública é um debate muito forte nos setores mais progressistas, mas isso tem muito pouco tempo que ocorre. Na época da própria Constituinte, na época dos grandes avanços legais que o Brasil teve, tinha muito pouca gente dos setores mais progressistas que priorizava o debate sobre segurança.
Temos que encerrar esse ciclo.  Além de reinventar as instituições de segurança pública, é necessário investir em políticas públicas para a juventude, educação de qualidade, saúde, lazer, enfim, criar novas oportunidades.  É preciso construir, agora mesmo, outro futuro para o Brasil. Não podemos desperdiçar este importante momento histórico. É preciso fazer, agora, os encaminhamentos estruturais necessários para essa mudança.  Afinal, como disse Brecht, “nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar”.


*Professor de História, deputado estadual (PSOL-RJ), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj