quarta-feira, 12 de junho de 2013

Transporte Alternativo: População de Itaboraí traído por Sergio Soares e agora traído por Helil e seus vereadores!!!

Traídos por Sergio Soares no inicio de Dezembro, quando o mesmo fez o trabalho sujo de tornar as Vans ilegais para Helil, nos últimos dias de seu governo. Traídos por Helil que disse não ter acordado nada com Sergio, e que iria retornar com as Vans logo que assumisse. Traídos pelos vereadores, que para conseguir um dinheiro a mais da Rio Ita, eles lançaram e aprovaram uma lei que sabiam que Helil vetaria, e assim forçaram uma negociação com Helil e a Rio Ita. Mas nós povo jamais trairemos vocês, e esperamos que a luta continue sem tréguas  Hoje, 11 de Junho os vereadores mantiveram o veto dado pelo prefeito ao projeto que voltaria com o transporte alternativo em Itaboraí. O placar foi duas faltas (Souza e Lucas), uma abstenção do titular do projeto (Wellington), e os demais 12 vereadores votaram contra os trabalhadores, e a favor da RIO Ita. Os vereadores alegam que o projeto é inconstitucional. Se for realmente inconstitucional, eles são maldosos ou incompetentes  O Presidente da Câmara, vereador Marcos Araújo, saiu fortemente vaiado pela multidão.

Aloisio Reis


Transporte Público em Itaboraí: Hoje o Prefeito e Vereadores de Itaboraí de mostraram mais a serviço de quem estão!

11/06/2013.

Hoje o Prefeito e Vereadores de Itaboraí de mostraram mais a serviço de quem estão!

A manutenção por consenso do veto do projeto de Lei que iria regulamentar o transporte alternativo na cidade mostra o compromisso de todos os vereadores e do Prefeito Hellil com os empresários de ônibus. E mais esse consenso é construído pelo poder econômico e pelo comprometimento do Prefeito e dos Vereadores aos seus financiadores de campanha entre eles Rio-Ita e Maravilha, o interesse do povo foi mais uma vez foi negligenciado pelo interesse privado. 

Itaboraí segundo a fundação Getúlio Vargas terá mais um milhão de habitantes até 2020, além de não se discutir transporte de massas para uma cidade que será a segunda economia do estado o governo faz a população penar com os monopólios das empresas Rio-Ita (linhas Intermunicipais) e Maravilha (linhas Municipais), que prestam um mau serviço e cobram um valor exorbitante. Nesse bojo o transporte alternativo é essencial para as comunidades que fogem das margens da Avenida 22 de maio. Essas comunidades agora encontram se refém ainda mais do monopólio.

O Prefeito Hellil (PMDB), assim como o Governador Sergio Cabral (PMDB), implementam a cobrança do seu principal financiador de campanha a Fetranspor. O que acontece em Itaboraí é uma política deliberada do PMDB em favorecer seus “padrinhos”, assim sendo priorizam seus interesses e prejudicam dezenas de trabalhadores e milhares de usuários do transporte alternativo!

Hoje ficou claro que quem define a política em Itaboraí é o poder econômico da Fetranspor/Rio-Ita/Maravilha e que o Prefeito e vereadores são meras marionetes no cenário político da Cidade. Apesar da derrota que custou o trabalho de dezenas de pais de famílias, a população deu uma resposta a eles; que a mobilização irá continuar e que o povo não esquecerá de que lado o (des) Governo de Itaboraí está!

Luciano Franklin.


terça-feira, 11 de junho de 2013

ATENÇÃO - VOTAÇÃO NESTA TERÇA-FEIRA (11/06), ÀS 18 HORAS NA CÂMARA DE VEREADORES DE ITABORAÍ


PREFEITURA DE ITABORAÍ PROÍBE TRANSPORTE ALTERNATIVO E PREJUDICA MILHARES DE PESSOAS, INCLUSIVE EDUCADORES, ALUNOS E RESPONSÁVEIS.
A medida do prefeito Helil Cardoso (PMDB) favorece o monopólio das grandes empresas de transporte em Itaboraí. Isso já acontece com o transporte intermunicipal (Itaboraí-Rio, Itaboraí-Alcântara, Itaboraí-SG, etc), conforme a política do atual governante do Estado (Sérgio Cabral do PMDB). Essas empresas prestam um serviço de baixa qualidade e as passagens são caras.  A população é submetida a longas esperas e o transporte alternativo exerce um importante papel como modalidade de transporte complementar.  Cobrem ainda as localidades que não contam com serviço de transporte algum como Retiro, Nova Cidade, Nancilândia, vila Rica e outras.
TRANSPORTE PRECÁRIO EM VÁRIAS LOCALIDADES. Os moradores de bairros como Pacheco, Picos, Itambi, Visconde, Caluge, Reta Velha, Sambaetiba, Areal, Cabuçu, Curuzu, Joaquim de Oliveira, São Joaquim, Retiro, Nancilândia e outros já conhecem essa dura realidade. Longas esperas, calor, poeira, ônibus velhos e mal cuidados, falta de lugares, falta de acessibilidade para pessoas com deficiência, vias mal conservadas, substituição dos coletivos de duas portas pelos de uma porta, motoristas cumprindo dupla função, desrespeito ao direito à gratuidade para idosos, estudantes e outros. Quem trabalha nas escolas municipais localizadas nesses bairros enfrenta sérias dificuldades para ir e vir de suas unidades escolares.
A IMPORTÂNCIA DO TRANSPORTE ALTERNATIVO COMO TRANSPORTE COMPLEMENTAR
Há dez anos o transporte alternativo funciona em Itaboraí, empregando centenas de pessoas. Trata-se de um modelo de transporte que tem seu espaço e garante um serviço complementar importante. A população reconhece isso, como demonstram as milhares de assinaturas em apoio aos trabalhadores do setor. Algo também reconhecido pelo ministério público. Por isso, nas ruas e na justiça, eles lutam por seu legítimo direito.
TRABALHADORES DO TRANSPORTE ALTERNATIVO ELABORAM PROJETO DE EMENDA POPULAR A SER VOTADO PELOS VEREADORES. É A HORA DA VERDADE!
Os trabalhadores do transporte alternativo reagiram e, com o apoio e as mais de 30 mil assinaturas da população, apresentaram um projeto de emenda popular para legalizar a sua situação.  Na última quinta-feira, homens, mulheres e crianças lotaram a câmara de vereadores, mas a votação foi adiada. O NOVO DIA PARA VOTAÇÃO SERÁ NESTA TERÇA-FEIRA (11/06), ÀS 18 HORAS NA CÂMARA DE VEREADORES DE ITABORAÍ. CONVOCAMOS A CATEGORIA A COMPARECER, DIVULGAR, SER SOLIDÁRIA NESTA LUTA!
Apoiam a causa: AACS (Associação dos Agentes Comunitários de Saúde), Associação dos Moradores de Porto das Caixas, Associação dos Moradores de Visconde de Itaboraí, Associação dos Moradores e Amigos dos Sem Terra, CEAI (Comunidade dos Estudantes e Amigos de Itaboraí), Fórum Popular Comperj, Mandato da Dep. Janira Rocha, Movimento das famílias da Vila Portuense, Movimento Jovem Itaboraí, MPI (Movimento Popular de Itambi), MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), PSOL (Partido Socialismo e Liberdade de Itaboraí), SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação/Itaboraí), SINDSPREV-RJ.

FONTE:
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segunda-feira, 10 de junho de 2013

CARTA ABERTA AOS VEREADORES DE ITABORAÍ (Associação de Trabalhadores do Transporte Alternativo em Itaboraí)

CARTA AOS VEREADORES.

Sr. Vereador;

Nós, as 96 famílias, que formamos a Associação de Trabalhadores do Transporte Alternativo em Itaboraí, estamos aqui para pedir o seu apoio na próxima terça-feira, dia 11/06/2013.
A volta das vans é de interesse de todos os munícipes, e não só de nossas famílias.
Entendemos que os senhores não podem ignorar as mais de 34 mil assinaturas de eleitores que foram recolhidas em favor desta causa.
Lembramos que esta soma é superior a soma de votos de todos os 15 vereadores de nosso município juntos. Temos mais de 34 mil assinaturas apoiando este projeto e os senhores têm juntos, 24.609 votos.
Este é um número a ser pensado e levado em consideração nesses dois dias que antecedem o dia da votação do veto do Sr. Helil Cardozo. São mais de 10 mil votos a mais do que os senhores conseguiram juntos na última eleição.
Poderíamos conseguir ainda mais assinaturas de eleitores a favor, pois sabemos que o número dos que nos apoiam é ainda superior a este. Porém, já tínhamos muito mais do que o exigido para se aprovar um projeto de lei de iniciativa popular, e somente por isso, paramos o trabalho de recolhimento de assinaturas.
Gostaríamos de pedir que os senhores considerassem a questão e pensassem se esta causa não merece o apoio de todos vocês. Sabemos que é da vontade do povo que se faz um mandato.

Temos a certeza de que temos forças para retribuir a todos que mostrarem ao povo que cumprem o seu dever: Estar a serviço do povo em seus direitos e necessidades.

Ainda acreditamos no bom senso e boa vontade dos senhores.

Gratos, ATTAMI (
Associação de Trabalhadores do Transporte Alternativo em Itaboraí).

segunda-feira, 3 de junho de 2013

MST - Carta à presidenta Dilma de repúdio a paralisia da Reforma Agrária no país

À presidenta Dilma Rousseff,

Nós, acampados do Acampamento Nacional Hugo Chávez do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), viemos, por meio desta, manifestar a nossa insatisfação em relação à paralisia da Reforma Agrária em nosso país.

O Brasil é o país de maior concentração da propriedade fundiária em todo o mundo. São 360 milhões de hectares, sob a forma de propriedade privada, sendo que apenas 60 milhões são utilizados pela agricultura. O que resta é pecuária extensiva, área inutilizada, ou mesmo área para especulação. Ou seja, os latifundiários e as grandes empresas querem terra apenas como reserva de valor.

Mesmo com esta conjuntura, o modelo atual da agricultura tem beneficiado as políticas estruturantes do agronegócio. Essa escolha causa impactos diretos em qualquer processo de democratização do acesso à terra. A realidade, hoje, mostra que a política de criação de assentamentos está parada, mesmo existindo 69.233 grandes propriedades improdutivas no país, que controlam 228 milhões de hectares de terra (IBGE/Censo de 2010), que deveriam ser destinadas à Reforma Agrária pela Constituição.

A paralisação da política de criação de assentamentos abriu margem para os latifundiários intensificarem a sua ofensiva política e ideológica contra a Reforma Agrária. Utilizam a sua força no Congresso Nacional para aprovar projetos para desmontar as leis que garantem liberdade para organização e luta social, o cumprimento da função social da propriedade e direitos para os camponeses, indígenas e quilombolas, na maioria das vezes, afrontando a própria Constituição Federal.

Além disso, o agronegócio lança mão de projetos para flexibilizar a liberação de agrotóxicos e impedir que sejam proibidas as substâncias vetadas na Europa, nos Estados Unidos e em outros países. Mais de um bilhão de litros de venenos são jogados anualmente nas lavouras, de acordo com dados oficiais, que fazem do Brasil o maior consumidor de agrotóxicos do mundo desde 2009.

É este o modelo de produção, consorciado com a propriedade privada da terra, que denunciamos. A união do grande proprietário e das empresas transnacionais produz e controla os insumos da agricultura, dos bancos e da imprensa. Esse é o modelo do agronegócio, cuja produção agride o meio ambiente, concentra a riqueza e se volta, apenas, à exportação. Esse modelo é viável somente para uma minoria de capitalistas; a maioria da população brasileira fica à margem, comprometendo gravemente a soberania alimentar e a realização da Reforma Agrária em nosso país.

A consequência deste processo é as mais de 90 mil famílias acampadas em todo o país, muitas delas morando a mais de 10 anos nos acampamentos. Entendemos que é de extrema necessidade o assentamento destas famílias para a democratização do acesso à terra, a produção de alimentos saudáveis com base na produção agroecológica, com acesso a educação, saúde e cultura. Ou seja, a promoção da justiça social no campo brasileiro passa, necessariamente, pela Reforma Agrária.

Cara presidenta Dilma, a situação impõe a mobilização popular. Por isso, o MST e demais organizações, estão presentes a mais de 80 dias no Acampamento Nacional Hugo Chávez. É um espaço de luta permanente, cujo foco principal é a reivindicação do assentamento imediato das 90 mil famílias acampadas em todo o Brasil. Compreendemos que o assentamento das famílias é o primeiro passo para a construção de uma vida digna para o trabalhador do campo e produção de alimentos saudáveis para toda sociedade brasileira.

As políticas de desenvolvimento dos assentamentos, ainda que fundamentais, não justificam o descaso com as famílias acampadas. Mesmo para as famílias assentadas, é preciso destacar que ainda não foi resolvido o problema do crédito e a universalização de programas, como o PAA e PNAE, além do programa de instalação de agroindústrias. Os assentados melhoraram de vida e estão produzindo, mas parte deles enfrenta uma situação bastante difícil, com a falta de investimento público para crédito rural e infraestrutura, como casa, saneamento básico, escola e hospital, criando um eixo para o desenvolvimento do interior do país.

Cobramos que Vossa Excelência cumpra com o compromisso de realizar a Reforma Agrária no país. Estamos convictos de que um novo modelo de produção agrícola é necessário em nosso país e que a Reforma Agrária é o principal instrumento para a solução dos problemas que ainda persistem no campo brasileiro. No entanto, compreendemos que é urgente uma ação efetiva do Governo Federal para reverter o atual quadro de paralisia, que compromete a vida de milhares de trabalhadores rurais no Brasil.

Seguimos em luta,

Acampamento Nacional Hugo Chávez

Essa terra tem dono, Palácio do Planalto!

“É lamentável que em pleno século XXI esteja acontecendo isso com os povos indígenas do Brasil” liderança Kaingang Luis Salvador
Nota de repúdio contra a suspensão de demarcações na região sul
29/05/2013

Conselho Indigenista Missionário - Regional Sul

Lideranças Kaingang e Guarani dos estados do Rio do Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina realizaram três grandes reuniões, com o objetivo de estudar a conjuntura anti-indígena, discutir a situação das retomadas de Terras Tradicionais e articular-se no fortalecimento do movimento. A primeira reunião aconteceu no último dia 14 de maio, na Terra Indígena (TI) Lajeado do Bugre, entre os caciques que estão na luta por retomadas de terra no norte do RS. Outra aconteceu em Chapecó (SC), no último dia 20 de maio, reunindo mais de 100 lideranças Kaingang e Guarani de toda região sul. E a última aconteceu no dia 23 de maio, na TI Serrinha, onde se encontraram mais de quarenta caciques e outras lideranças.
“É lamentável que em pleno século XXI esteja acontecendo isso com os povos indígenas do Brasil”. Essa foi a frase inicial da liderança Kaingang Luis Salvador, referindo-se ao projeto do governo atual. Modelo econômico desenvolvimentista, altamente dependente da exploração e exportação de matérias-primas, produção de commodities e construção de infraestrutura. Essa situação acirra ainda mais a disputa pelo controle dos recursos naturais e de espaços territoriais existentes no país. Nesse contexto entra a exploração dos territórios indígenas, de outras populações tradicionais e do meio ambiente. Processo esse, assumido pelo governo, nos seu s três poderes (Legislativo, Judiciário e Executivo), aliando-se ao agronegócio.
Para o sistema capitalista, “somos considerados como incapazes, e somos ‘incapazes’ de produzir o que ‘eles’ querem”. Essa foi a fala de Leonir Franco, ao denunciar o preconceito sofrido pelo povo indígena e a ganância demolidora do capitalismo. “Não queremos terra para ficar rico. Deixar o mato crescer, dar futuro a nossas crianças e viver é o que queremos”, disse Luiz Tiago, também liderança Kaingang.
Nessa batalha desigual, o setor dominante utiliza-se de armas poderosas, de forte poder destrutivo e letal. O cacique Roberto dos Santos denuncia isso ao afirmar que: “Existe uma forte política anti-indígena que quer mexer na Constituição Federal de 1988 e no Decreto 1775, além de afetar o único órgão federal indigenista”. Para agravar a situação, manobras políticas eleitoreiras de mandatários dos poderes executivos e legislativos (nacional e estadual), inclusive das bancadas evangélica e agropecuária, estão incitando a violência entre indígenas e pequenos agricultores no norte do RS. Sabendo que ambos são vítimas do processo histórico, o qual ao longo de 513 anos vem massacrando, exterminando e excluindo os povos indígenas. Esta postura não contribui ao Estado Democrático e de Direito, mas instiga a segregação, a violência e preconceito. Do lado dos Kaingang e Guarani do RS sempre houve respeito aos direitos dos agricultores das terras indígenas. Porém, como lembra a liderança Luis Tiago, a luta deve ser pela recuperação das terras tradicionais: “os agricultores têm seus direitos, mas não devemos ter medo de recuperar nossas terras”.
Entre as armas utilizadas pelo governo e setores a ele ligados, está a judicialização dos processos de demarcação das terras tradicionalmente ocupadas. Também as constantes situações de violências que as lideranças e comunidades sofrem, são resultantes do prolongamento e não conclusão dos processos demarcatórios. Entre essas aramas estão as tentativas de alteração na legislação brasileira, tais como: as Propostas de Emenda à Constituição (Ex.: PECs 215 e 37/2007); Portaria 303 da AGU; e o anúncio de mudanças no procedimento demarcatório através de Decreto da Presidência.
Diante da complexa conjuntura que ameaça a vida e os direitos dos Povos Indígenas, as lideranças se questionam: “Como enfrentar o governo e essa política que esta aí tirando ‘bem de vagarinho’ nossas terras e direitos?”, tal como disse Roberto dos Santos, cacique Kaingang. A resposta é uníssona: unir as forças, mobilizar todas as comunidades, discutir, resistir e lutar pelos direitos garantidos na Constituição Federal de 1988.
O Cimi, solidário e comprometido com a causa indígena, denuncia que os discursos de integrantes do governo federal, especialmente da ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann, contra as demarcações das terras, têm gerado, nos estados do Sul do Brasil, um clima de tensão e de violência contra comunidades indígenas. O governo ao anunciar que adotará medidas administrativas e políticas para paralisar as demarcações das terras promove, junto à opinião pública, discursos de intolerância e de preconceito contra as pessoas indígenas e quilombolas e contra seus direitos, como se estes fossem privilégios.
No entender do Cimi, o governo federal será o grande responsável pelo agravamento das relações entre indígenas e agricultores no sul do Brasil e pelas consequentes violências advindas desta relação, uma vez que, ao invés de resolver os problemas, o governo os aprofunda com um único objetivo: assegurar para si o apoio da bancada ruralista, que se constitui, no atual contexto, no maior “partido político” do Congresso Nacional.
Chapecó, 28 de maio de 2013.
Conselho Indigenista Missionário - Regional Sul

domingo, 2 de junho de 2013

MST faz ato por reforma agrária e protocola carta à presidenta Dilma

Sem-terra reivindicam agilidade no processo de reforma agrária e o assentamento das 90 mil famílias acampadas em todo o país
28/05/2013
Representantes dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) entregaram nesta terça-feira (28) carta ao secretário nacional de Articulação Social da Presidência da República, Paulo Maldos, reivindicando agilidade no processo de reforma agrária e o assentamento das 90 mil famílias acampadas em todo o país.
Segundo a assessoria da Secretaria-Geral da Presidência da República, representantes do MST pediram uma audiência com o ministro Gilberto Carvalho. A assessoria informou que o encontro deve acontecer na próxima semana.
Trecho da carta argumenta que, para os trabalhadores, o acesso à reforma agrária é primordial para o suprimento dos direitos básicos previstos na Constituição Federal. “Entendemos que é de extrema necessidade o assentamento destas famílias para a democratização do acesso à terra e a produção de alimentos saudáveis”, assinala a carta.
De acordo com o documento, a prioridade da reforma agrária é também permitir que a agricultura tenha base ecológica. E acrescenta: os trabalhadores rurais necessitam de apoio para ter acesso à educação, à saúde e à cultura.
Cerca de 300 pessoas, das 400 instaladas há quase 80 dias no Acampamento Nacional Hugo Chávez, marcharam – antes da entrega da carta - pela Esplanada dos Ministérios e fizeram ato em frente ao Congresso Nacional ao som de tambores e apitos.
Depois do Congresso, os manifestantes seguiram até o Palácio do Planalto.

Paralisação
O MST denuncia que o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) parou a política de criação de assentamentos, mesmo existindo 69.233 grandes propriedades improdutivas no país, que controlam 228 milhões de hectares de terra (IBGE/Censo de 2010), que deveriam ser destinadas à reforma agrária pela Constituição.
Segundo o movimento, o Brasil é o país de maior concentração da propriedade fundiária em todo o mundo. São 360 milhões de hectares, sob a forma de propriedade privada, sendo que apenas 60 milhões são utilizados pela agricultura.
“A paralisação da política de criação de assentamentos abriu margem para os latifundiários intensificarem a sua ofensiva política e ideológica contra a Reforma Agrária. Utilizam a sua força no Congresso Nacional para aprovar projetos para desmontar as leis que garantem liberdade para organização e luta social, o cumprimento da função social da propriedade e direitos para os camponeses, indígenas e quilombolas, na maioria das vezes, afrontando a própria Constituição Federal”, continua a carta.

Acampamento Nacional
Há mais de 80 dias, cerca de 400 militantes do MST estão acampados em Brasília (DF) no Acampamento Nacional Hugo Chávez. De acordo com o movimento, o ato de estar mobilizado permanentemente na capital federal cumpre a função de fortalecer a luta do movimento por reforma agrária e denunciar o avanço do agronegócio no país.
Atualmente existem no Brasil mais de 150 mil famílias acampadas. Destas, 90 mil são do MST. No governo Dilma apenas 31 novas áreas foram desapropriadas, totalizando somente 72 mil hectares. Enquanto isso, mais de 309 milhões de hectares de terras estão sob o domínio do agronegócio. (com Agência Brasil Página do MST)
Foto: Wilson Dias/ABr

terça-feira, 28 de maio de 2013

Acidente em Duque de Caxias serve de alerta para Itaboraí!!!

Em Itaboraí não pode se descuidar principalmente nos bairros residenciais no entorno do COMPERJ como: AREAL, PORTO DAS CAIXAS, VISCONDE, ITAMBÍ E SAMBAETIBA. 




Acidente em Duque de Caxias serve de alerta para Itaboraí. O que ocorreu não se deu pela falta de planejamento, pois o plano diretor da cidade já proibia a instalação de empresas deste porte nestas áreas residenciais. O que ocorreu na verdade foi a conivência da prefeitura de Duque de Caixas, do Governo do Estado RJ e do Governo Federal, que tem a responsabilidade de fiscalizar e proibir tais empresas. Agora ficam um jogo de empurra, quando todos já sabiam dos problemas, já denunciado inúmeras vezes pelos movimentos sociais e ambientais. Agora eles terão, também, que achar os responsáveis pelos mais de 30 depósitos clandestinos instalados irregularmente naquela região. 

Em Itaboraí não pode se descuidar principalmente nos bairros residenciais no entorno do COMPERJ como: Areal, Porto das Caixas, Visconde, Itambí e Sambaetiba. A proximidade do COMPERJ e os terrenos ainda disponíveis tem despertado o interesse de tais empresas.

Esta região já tem sofrido com o crescimento rápido da população, ocasionado pelo aumento do custo de vida e pelos altos preços dos alugueis no centro da cidade. os serviços públicos são apáticos não tem acompanhado tal crescimento. É preciso criar coletivamente um plano de desenvolvimento regional, para minimizar estes impactos,  para que a região cresça organizadamente e não se torne também um barril de pólvora.

Vale resaltar que esta é uma região riquíssima em patrimônios históricos e culturais como: o 1º Túnel Ferroviário do Brasil, Estação Ferroviária de Visconde, Cemitérios indígenas etc. Que vem se perdendo por conta da instalação de empresas sem critérios e pela falta de políticas publicas voltado para sua preservação.

Ramon Vieira  

Justiça condena dono da Delta por desvio de verbas federais


MARCO ANTONIO MARTINS

A Justiça Federal no Rio de Janeiro condenou o empresário Fernando Antonio Cavendish Soares, dono da Delta Construção, a quatro anos e seis meses de prisão por desvio de verbas públicas federais.
O ex-prefeito de Iguaba Grande (RJ) Hugo Canellas Rodrigues Filho também foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão. Cabe recurso.

A denúncia da Procuradoria afirma que houve um superfaturamento dos valores contratados e mal uso das verbas.De acordo com o Ministério Público Federal, Cavendish e Canellas desviaram recursos públicos liberados pelo governo federal para as obras de despoluição da Lagoa de Araruama, na região dos Lagos.

Segundo as apurações do Ministério Público, a Delta recebeu R$ 191 mil da prefeitura, enquanto o valor de mercado pelo serviço era de apenas R$ 14 mil.

Em nota, o empresário afirma que irá recorrer da decisão. "O empresário Fernando Cavendish, ex-administrador da Delta Construções, assessorado por seus advogados, vem prestando todos os esclarecimentos ao Judiciário. Todos os recursos cabíveis vêm sendo apresentados contra a decisão de primeiro grau, e agora se aguarda o posicionamento do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (RJ e ES), segunda instância da Justiça Federal."

CACHOEIRA
No ano passado, Cavendish e a Delta foram alvos de investigação da CPI do Cachoeira, que apurou as ligações com o empresário Carlinhos Cachoeira. A comissão terminou sem indiciados.

Após ser envolvida em suspeitas de fraude, a Delta pediu em junho a recuperação judicial.

A construtora tinha 100% do seu portfólio de encomendas com o setor público. No entanto, foi declarada inidônea, ou seja, não pode mais ser contratada por governos.

Essa condenação não tem relação com o caso Cachoeira.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Ato relembra dois anos do assassinato de casal extrativista no Pará


A violência no campo não para de aumentar, a lógica do lucro em detrimento ao meio ambiente, ao desenvolvimento sustentável e ao respeito a vida humana. Faz com que grileiros, madeireiros, fazendeiros e outros, mantenham uma verdadeira indústria criminal no campo. Resguardados pela corrupção, pela impunidade e pela covarde omissão do Governo Federal, que em quase 100% dos casos tem plena consciência de tais conflitos. A falta de políticas serias no campo e  em vários outros setores importantes de nossa sociedade como segurança, saúde e educação, se contrastam com a velocidade a eficiência e o grande orçamento para se organizar megas eventos esportivos em nosso país, onde nem sequer a população de baixa renda, que é a maioria, assistirão devido o grande custo de seus ingressos. A luta por direitos no campo e nas cidades não podem parar!!!
 

Ramon Vieira




23/05/2013
Há exatamente dois anos, em 23 de maio de 2011, o casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva foi executado com tiros na cabela em uma emboscada, em Nova Ipixuna, na região leste do Pará (PA). Lideranças do Projeto Assentamento Agroextrativista (PAE) Praia Alta Piranheiras, a cerca de 580km de Belém, os dois sofriam constantes ameaças e intimidações por denunciarem a ação de madeireiros na região.
Para relembrar a memória do casal, entidades em defesa do meio ambiente e dos direitos humanos, movimentos sociais e familiares das vítimas convocam um ato no assentamento, para o próximo sábado (25), em continuidade à luta dos dois extrativistas e pelo fim da impunidade dos mandantes da morte.
Até hoje, os apontados pelo crime permanecem impunes. Os acusados foram absolvidos na Justiça e, posteriormente, receberam lotes da reforma agrária concedidos pelo Incra.
Segundo as entidades organizadoras, o objetivo é dar prosseguimento à luta e à memória dos dois extrativistas, pela defesa dos povos e da preservação das florestas, pela reforma agrária e contra a aquisição irregular de terras por latifundiários na região e a produção de carvão vegetal e o desmatamento na porção leste do Pará.
O ato vai ocorrer no PAE Praia Alta Piranheiras, em Nova Ipixuna (PA), e deve começar às 9h, com uma cerimônia religiosa em homenagem a José Cláudio e Maria do Espírito Santo, nas proximidades do local onde casal foi assassinado. Posteriormente, está marcado um almoço com celebração na antiga casa dos dois extrativistas, previsto para se encerrar às 15h.
A manifestação é convocada por familiares das vítimas, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará (Fetagri-PA), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Nova Ipixuna e Associação dos assentados do PAE Praia Alta Piranheira.
(Foto: Reprodução)
<Serviço>Ato em memória de José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva
Sábado, 25 de maio de 2013, das 9h às 15h
Local: PAE Praia Alta Piranheiras, em Nova Ipixuna, no Pará


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Famílias de Porto das Caixas protestam na prefeitura de Itaboraí!!!


Após paralisação das obras do PAC de Porto das Caixas, e varias tentativas frustradas de diálogo da comunidade com o governo Municipal. Realizamos ontem, dia 16 de maio, uma ocupação pacifica no saguão da prefeitura de Itaboraí. Que resultou em uma reunião com o Secretário Municipal de Habitação Wolney Trindade. Onde ficou acordado: 

• Retorno, na próxima segunda-feira, dia 20, de todo o efetivo dos trabalhadores que haviam sido deslocados para outras obras a cerca de um mês. 


 Retorno, em Junho, do importante Trabalho Técnico Social que estava sendo desenvolvido. 

• Compromisso da prefeitura em construir o muro no entorno do empreendimento, pois o mesmo não foi contemplado no projeto inicial. A falta coloca em risco a vida das muitas crianças que ali vivem, devido a um extenso valão atrás do PAC.


• Entrega de copia dos documentos já solicitados, como o Memorial Descritivo, O Cronograma de Execução de Obras e o Cronograma de execução do trabalho Técnico Social, assim que ocorrem os reajustes necessários. 


• Canal de diálogo permanente, já com uma reunião marcada para o próximo mês (Junho).

As Famílias da Vila Portuense agradecem a todos que vem colaborando nesta longa e árdua luta!!!

segunda-feira, 4 de março de 2013

SOMOS TODOS, ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DE PORTO DAS CAIXAS



No último sábado 02 de Março de 2013, demos um passo muito importante em nossa comunidade, reativamos a nossa Associação de moradores. Meus parabéns a todas as pessoas que estão empenhadas nesta luta.

Há anos o nosso bairro esta abandonado pelo poder público, e a Associação de Moradores é um instrumento de extrema importância, para revindicarmos as melhoria que nosso bairro tanto precisa. Esse Distrito tem demonstrado a força emanada da união das pessoas. A exemplo das conquistas das Famílias da Vila Portuense, da luta e conquista dos pais, alunos e professores, do Colégio Estadual Maria Inocência Ferreira, e por muitas e muitas outras conquistas.

Temos ainda muitos desafios pela frente. Como por exemplo, nosso posto de saúde que esta um caos, nossa escolas sem professores, nossa creche ainda sem definição de funcionamento, nosso potencial turístico sem investimento, muitas de nossas ruas cortadas por valas negras, nosso problema crônico na rua principal da Madureira, onde forma um verdadeiro piscinão na mais leve chuva, a falta de políticas públicas de prevenção às drogas, a falta de políticas públicas para nossa juventude e para terceira idade, asfalto inacabado, inúmeras ruas sem pavimentação, enfim. Muitos e muitos outros problemas.

Todos estes desafios, só serão superados com a luta e a união de todos!!!

Convidamos a todos para participarem da primeira reunião da Associação de Moradores de Porto das Caixas, que será realizada no dia 16 de Março de 2013, às 17:30 hs, na sede da Associação, localizada à Av. Nossa Senhora da Conceição, Clube de Porto das Caixas, onde discutiremos os problemas e as ações, referentes ao nosso bairro. Mais uma vez, convidamos a todos.

A associação de Moradores de Porto das Caixas, PERTENCE A TODOS NÓS!!!

Ramon Vieira.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Chico Alencar PSOL-RJ no Seminário Nacional: Defensoria Pública e a Lei de Responsabilidade Fiscal

Dep. Federal Chico Alencar, PSOL, apoia e defende a luta dos trabalhadores sem Teto (MTST) e parabeniza a defensoria publica pelo seu brilhante trabalho frente aos interesses da população, principalmente as mais carentes. Meus parabéns Chico Alencar, só se constrói mudanças através das lutas!!!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Movimento de Trabalhadores Sem Teto (DF) Nota de esclarecimento

Movimento de Trabalhadores Sem Teto (DF)
Nota de esclarecimento

Com o objetivo de esclarecer alguns fatos que envolvem a ocupação Novo Pinheirinho em Taguatinga, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto vem a público informar que:

1) Apesar de em nota o Governo do Distrito Federal afirmar seu compromisso com o diálogo permanente junto aos movimentos sociais, no decorrer de 47 dias de ocupação o GDF se dispôs a fazer apenas uma reunião com o Movimento, na qual não ofereceu nenhuma proposta além da mesma promessa que não foi cumprida desde a ocupação realizada pelo movimento no ano passado, em Ceilândia.

2) Sob ameaça real de despejo violento pela polícia e com o objetivo de articular um desfecho pacífico para o conflito, o MTST iniciou uma campanha pública solicitando a participação do Governo do Distrito Federal nas negociações, nas quais fossem garantidas conquistas reais para as famílias acampadas no prédio abandonado. Somente após a pressão de apoiadores, artistas e autoridades sensíveis à causa das famílias Sem Teto, o GDF aceitou sentar à mesa de negociação com o Movimento.

3) Em sua nota, o Governo do Distrito Federal dá a entender que o MTST não teria aproveitado as oportunidades abertas para que nossa entidade fosse cadastrada no Programa Habitacional do Governo, mas omite o fato de que, segundo explicação do próprio Governo, os documentos do Movimento teriam sido perdidos por seus servidores no trâmite do processo, o que, de fato, impossibilitou que em mais de um ano de tentativas a entidade fosse cadastrada.

4) Ao longo desses 47 dias de ocupação, o MTST convidou e esteve aberto para receber os agentes das diversas secretarias do Governo do Distrito Federal para encontrar soluções para o problema de falta de moradia das famílias. Apesar da abertura, o Governo não visitou o local. Agora, sem ter feito qualquer proposta concreta para o Movimento e às vésperas de uma operação policial programada para despejar as mais de 400 famílias acampadas, o Governo exige entrar no local. Por entendermos que a visita não terá nenhum efeito prático sem que hajam sido apresentadas propostas concretas para a resolução do problema, nos comprometemos a receber os agentes do Governo assim que as negociações forem reabertas e as demandas atendidas.

Por fim, o MTST reitera sua total disposição em encontrar solução pacífica e efetiva para as famílias. A solução, no entanto, depende do Governo. Nossa luta é pelo direito à moradia. Resistiremos se preciso for.

Movimento dos Trabalhadores Sem Teto


http://www.mtst.org/index.php/noticias/960-nota-de-esclarecimento-do-mtstdf.html

OCUPAÇÃO NOVO PINHEIRINHO DE BRASÍLIA SE PREPARA PARA RESISTÊNCIA!



Assembléia do Acampamento decidiu não sair do imóvel ocupado e resistir ao despejo de amanhã. GDF não negocia e será responsável caso ocorra um novo massacre.


Neste domingo, 17/2, a Ocupação Novo Pinheirinho em Taguatinga (DF) decidiu não deixar o imóvel ocupado, cuja ação de despejo está marcada para amanhã. Após esgotarmos todas as tentativas de negociação com o GDF, ficou claro que o Governo Agnelo (PT) aposta no confronto e na repressão aos trabalhadores que lutam.
Porém, ao contrário de situações anteriores, onde recuamos do enfrentamento por haver alguma alternativa proposta às famílias sem-teto, agora não resta outra alternativa ao MTST do que permanecer no terreno até as últimas consequências.
Não proporemos às centenas de trabalhadores, pais e mães de família, levarem seus filhos para debaixo de pontes. Muitas destas famílias chegaram a receber, por mobilizações anteriores, auxílio emergencial do GDF, mas o Governo cortou o pagamento, deixando as famílias sem alternativa.
O GDF demonstra-se incapaz de cumprir os compromissos que estabelece com o movimento popular. Nem mesmo o cadastramento de nossa entidade e a aprovação de uma lei distrital de bolsa aluguel foram garantidos por este Governo.
Por isso, quaisquer atos de repressão, violações de direitos humanos e - no limite - derramamento de sangue que ocorrer na tentativa de despejo da ocupação em Taguatinga terá um único responsável: O Governo Agnelo Queiroz.
Permaneceremos até o último instante abertos as negociações e esperamos ainda que se possa viabilizar uma solução negociada para o caso.
Coordenação Nacional do MTST

domingo, 3 de fevereiro de 2013

CRONICA - O julgamento de Lampião

O JULGAMENTO DE LAMPIÃO

Divagações entre o real e a utopia



Gerivaldo Alves Neiva, Juiz de Direito



Bezouro, Moderno, Ezequiel,

Candeeiro, Seca Preta, Labareda, Azulão!



Arvoredo, Quina-Quina, Bananeira, Sabonete,

Catingueira, Limoeiro, Lamparina, Mergulhão, Corisco!



Volta Seca, Jararaca, Cajarana, Viriato,

Gitirana, Moita-Brava, Meia-Noite, Zambelê!



Quando degolaram minha cabeça

passei mais de dois minutos

vendo o meu corpo tremendo



E não sabia o que fazer

Morrer, viver, morrer, viver!



(Sangue de Bairro, de Chico Science)



Virgulino Ferreira da Silva, pelo povo também conhecido como “Lampião”, foi preso em flagrante pela “volante” do Tenente Bezerra e apresentado a este Juízo na forma da ilustração de autoria do cartunista @CarlosLatuff.

Esta é uma decisão, portanto, que navega entre o virtual e o real, o passado e o presente, entre o possível e o impossível, permeada de utopia, sonho e esperança... O que se verá, por fim, é a evidência da contradição, não insolúvel, entre o Direito e a Justiça. Quem viver, verá.

Inicialmente, registro que não costumo me dirigir aos acusados por “alcunhas”, “vulgos” ou apelidos. Aqui, todos tem nome, pois ter um nome significa, no mínimo, o começo para ser cidadão e detentor de garantias fundamentais previstas na Constituição brasileira. Neste caso, no entanto, abro uma exceção para me dirigir ao acusado Virgulino Ferreira da Silva apenas como “Lampião”, pois creio que assim o fazendo não lhe falto com o devido respeito. Ao contrário, faço valer, ao tratá-lo como “Lampião”, a mesma reverência que lhe dedica o povo pobre e excluído do sertão brasileiro.

Em seguida, devo observar que a responsabilidade de julgar “Lampião” é tamanha e me assombra. De outro lado, não aceito como “divino” o papel de julgar. Deixemos Deus com seus problemas. Julgar homens é tarefa de homens. Da mesma forma, tenho comigo que realizar a Justiça é tarefa do homem na história. Assim sendo, passo a julgar “Lampião” como tarefa essencialmente humana e com o sentido de que, ao julgar, o Juiz também pode contribuir com a realização da Justiça ou, na pior das hipóteses, ao menos não impedir que o povo realize sua história com Justiça.

Pois bem, consta dos autos que “Lampião” teria sido preso em flagrante sob acusação de formação de quadrilha para a prática de inúmeros crimes contra a vida, contra o patrimônio e contra os costumes. Consta ainda dos autos os depoimentos dos condutores – membros da “volante” do Tenente Bezerra - e a representação da autoridade policial pela decretação da prisão preventiva do acusado, sob argumento da “garantia da ordem pública.”

Ao estrito exame das provas apresentadas, por conseguinte, e do que dispõe a lei, parece pacífica a necessidade da segregação preventiva do acusado para garantia da ordem pública, visto que restou provado, em face dos depoimentos colhidos, que o acusado, de fato, representa grave perigo à harmonia e paz social. Isto é o que se depreende do que se apurou até então e do que consta dos autos. Imperativo, por fim, que se decrete a prisão preventiva do acusado, segregando-o do meio social.

...................

Antes de concluir a decisão com a terminologia própria, o tal “expeça-se o mandado de prisão, publique-se, intime-se, cumpra-se...”, recosto a cabeça na cadeira, ajeito o corpo, fecho os olhos e ponho-me a pensar quantas vezes já decidi dessa maneira, quantas vezes já decretei prisões preventivas por motivo de garantia da ordem pública...

De súbito, enquanto pensava, eis que “Lampião”, o próprio, saltitando feito uma guariba, pula da gravura do @CarlosLatuff e invade minha mente. É virtual, mas é como se fosse também real e humano na minha frente. “Parabellum” em uma mão e o punhal de prata, cabo cravejado de brilhantes, em outra. Não tenho medo e nem me assusto. Ele também não diz nada e agora apenas me olha e circula em torno de mim. Somos pessoas e ao mesmo tempo ideias e pensamentos. O texto final da minha decisão judicial, por exemplo, fazendo referência à garantia da “ordem pública”, é como se fosse também algo concreto nesta cena, como um pássaro rondando minha cabeça. De repente, com um tiro certeiro de “Parabellum”, “Lampião” esfacela esta forma de pensar, que me ronda feito um pássaro, como se matando este meu “senso comum teórico dos juristas”, conforme denuncia Warat. Em seguida, ainda atônito e sem mais pensamentos para me agarrar, sinto uma profunda punhalada no coração, mas não sinto dor alguma. Não sangro sangue, mas vejo jorrando do meu peito todos os meus medos de pensar criticamente o mundo em que vivo, as relações sociais e, sobretudo, o Direito.

O que faço? Não tenho mais o “senso comum teórico dos juristas” e também não tenho mais freios no meu modo de pensar criticamente o mundo e o Direito. “Lampião” acabou com eles com um tiro de “parabellum” e uma punhalada com punhal de prata. Agora, sem minhas “defesas”, que imaginava poderosas, sou como um morto... Estou morto.

Na verdade, estou morto e renascido livre ao mesmo tempo. Vejo, de um lado, meu corpo morto e meu pensar antigo e, de outro lado, sinto-me renascido em outro corpo e outro pensar. Morri para nascer de novo. Agora, nascido de novo, posso pensar diferente; posso pensar um novo Direito e, por fim, posso pensar que a Justiça é possível e que pode ser construída pelo homem novo. Está certo Gilberto Gil. É preciso “morrer para germinar.” “Lampião” me matou para que eu pudesse viver e ver. Viva “Lampião”!

E vivendo depois da morte, vejo, agora, com “Lampião” ao meu lado, que aquele antigo modo de pensar, na verdade, foi o fruto do ensino jurídico que incute verdades e dogmas na mente de acadêmicos de Direito, que se tornam advogados, que se tornam juízes, que se tornam desembargadores, que se tornam ministros de tribunais e se imaginam sábios porque aprenderam a reduzir o Direito à lei e a Justiça à vontade da classe que representam. Este é o Direito limitado aos “autos” do processo e à tarefa de manter excluídos da dignidade os pobres e miseráveis; o Direito da manutenção da falsa “ordem” burguesa; o Direito alheio à vida, à pobreza, à miséria e à fome.

Posso ver agora, com “Lampião” ao meu lado, que aquele modo antigo de pensar aprisiona e mutila os fatos nos “autos” do processo. Assim, “autos” não tem vida, não estão no mundo, não tem contradições sociais e transformam homens em “delinqüentes”, “meliantes” e “bandidos”. Reduz, pois, todas as contradições do mundo e da vida em uma tolice: “o que não está no processo não está no mundo.”

Agora posso ver, com “Lampião” ao meu lado, depois de ter morrido para viver, ver e violar dogmas, que “o mundo está no processo”. É, pois, no processo que está a desigualdade social, a concentração de renda, séculos de latifúndio, a acumulação da riqueza nacional nas mãos de uns poucos, preconceitos, discriminações e exclusão social. Tudo isso é e está no processo. Isto é o processo.

Vejo, por fim, compartilhando esta última visão com “Lampião”, que os autos que me apresentaram não tem mundo e nem vida. Não tem sua vida, “Lampião”. Não tem sua história. Não tem seu passado. Não tem sua família. Não tem seus pais e irmãos sendo expulsos da terra que cultivavam. Não tem sua dor e sua revolta. Não tem sua sede e fome de justiça. Não tem sua desesperança na justiça. Não tem sua vida, repito. Não tem nada e de nada servem esses autos. Não servem para um julgamento. Servem para justificar uma farsa, acalentar os hipócritas e fazer da mentira a verdade.

Esses “autos” que me apresentaram, “Lampião”, não tem índios escravizados e mortos pelo colonizador; negros desterrados e escravizados nesta terra; posseiros expulsos de suas terras e mortos pelo latifúndio; operários explorados, desempregados e desesperados; crianças dormindo ao relento; os sem-teto, os sem-terra, os excluídos da dignidade. Esses autos não estão no mundo, é um faz-de-conta, uma ilusão...

O que faço agora? Estou morto de um lado, mas vivo de outro. Não sei mais o que é virtual e o que é real. Sei que deliro, mas não posso deixar morrer este novo eu. Preciso fazer com que permaneça vivo em mim o que renasceu e deixar morto o que morreu. Não quero ser mais o que era antes de morrer. Quero ser apenas o que renasci.

Luto comigo mesmo e permaneço vivo. Estou vivo, escuto e vejo, agora, mais uma vez, tiros de “parabellum” e golpes de punhal, como se saídos do nada e bailando no ar, furando e cortando em pedaços os “autos” do processo. Agora, não existem mais os “autos” do processo. Papéis picados tremulam no ar. Voam descompassados como borboletas... Preciso manter a lucidez, mas agora é tarde. A loucura tomou conta de mim e me levou com as borboletas para as “lagoas encantadas” do sertão brasileiro. Agora sou pura utopia, sonho e liberdade. Converso com “mães-d’água” à beira da “lagoa” e todas as coisas agora fazem parte de tudo. Nada mais é sem as outras coisas. Somos todos partes de um todo...

Neste devaneio em que me encontro, não sei mais o que é o real, o que é verdade, o que é passado ou presente ou se estou morto ou vivo; não sei mais - ou sei? - o que é e para que serve o Direito. Delirando assim, não posso mais julgar. Estou impedido de julgar. Não posso mais julgar Lampião. Eu não sou mais real, sou sonho apenas. “Lampião”, também, não é mais real. É uma lenda, um mito. “Lampião” agora povoa o imaginário dos pobres do sertão. “Lampião” não pode ser mais julgado por um juiz apenas. Só a história e o povo podem julgá-lo agora.

Esperem! “Lampião” me foi apresentado preso e eu preciso decidir sobre o flagrante. Preciso voltar... As borboletas me trazem de volta da “lagoa encantada” em que me encantei. Sou novamente real neste mundo virtual. Aqui estou e preciso falar. Assim, enquanto a história não vem, mas inevitavelmente virá um dia, não posso deixar “Lampião” encarcerado. A cadeia não serve aos valentes e aos destemidos; a cadeia não serve aos que, como Marighella, nunca tiveram tempo para ter medo; a cadeia não serve aos que não tem Senhor e aos que amam a liberdade. Homens verdadeiros não morrem presos.

Portanto, “Lampião”, a liberdade é tua sina. Vá. Talvez Maria te espere ainda. Talvez teu bando te espere ainda. Talvez Corisco não precise te vingar. Talvez teu corpo não trema por mais de dois minutos depois que degolarem tua cabeça. Vá. É melhor, na verdade, que morra em combate com a “volante” do Tenente Bezerra do que apodrecer e morrer vivo na prisão. Os valentes morrem lutando e escrevem a história. Vá. É a história, somente ela, que tem a autoridade para lhe julgar.

Por fim, agora concluo minha decisão inacabada: “expeça-se o Alvará de Soltura e entregue-se o acusado, Virgulino Ferreira da Silva, “Lampião”, ao seu próprio destino.” Dato e assino: Gerivaldo Alves Neiva, Juiz de Direito.

Depois disso, as borboletas me levaram de volta ao mundo da paz, da harmonia e da solidariedade, onde somos todos iguais e irmãos; de volta às “lagoas encantadas” do sertão brasileiro e aos braços das “mães d’água”.

Com viram, ouviram e imaginaram, este julgamento é um devaneio. Mistura de imaginação, passado e presente, sonho, utopia e, sobretudo, esperança inquebrantável na Justiça.

Uma noite fria e chuvosa, agosto, 2010.

Gerivaldo Alves Neiva

Juiz de Direito